Ponta Porã, Terça-feira, 16 de janeiro de 2018
25/11/2016 09h20

Artigo: Quem paga a conta das emissões?

Por José Luiz Tejon Megido, Conselheiro Fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM, Comentarista da Rádio Jovem Pan.

Divulgação: Dora Nunes
 
 

O ministro Blairo Maggi colocou água na Conferência do Clima da ONU afirmando que o setor da agricultura não vai conseguir cumprir as metas da redução de emissão de gases do efeito estufa, pois não teremos dinheiro para isso.

Eu diria, até que enfim uma voz corajosa no Brasil diz o que o setor agropecuário não teve coragem para dizer. Afinal, quem vai pagar a conta das promessas do governo anterior com relação ao meio ambiente, não pode ser apenas a agricultura.

Isso não significa que o Brasil não deva ter as metas objetivadas e cumpridas. O que não pode é imaginar que isso seja feito exclusivamente nas costas dos produtores rurais.

E volto a explicar, quando escutamos a palavra agronegócio, não estamos falando apenas da agricultura e da pecuária, o dentro da porteira produtiva. Quando falamos em agronegócio, estamos traduzindo o agribusiness, estudo iniciado em Harvard nos EUA, que significa as cadeias produtivas. Então, simplificando: supermercado é agronegócio, alimento industrializado é agronegócio, caminhão que transporta é agronegócio, posto de etanol é agronegócio, restaurante, sementes, tratores, vacinas, bancos, roupas, bolsas, cosméticos, tudo é agronegócio.

E, nos estudos feitos sobre o impacto na sustentabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva, a fazenda e o produtor rural significam apenas cerca de 20% no montante. Os demais 80% são representados desde as minas para extração de minerais, transporte, agroindústria, varejo, o que inclui o desperdício do consumidor, nas casas, feiras e fast foods.

Portanto, voltando ao início da discussão, o Ministro Blairo Maggi está correto em seu argumento. Ele disse, "reduzir emissões não é obrigação da agricultura, não queiram pendurar essa conta no setor agrícola sozinho".

Eu apenas consideraria que também é dever da agricultura, mas inimaginável pendurar essa conta apenas nas costas dos produtores rurais. Blairo Maggi nessa tem toda razão.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS no Facebook: http://www.facebook.com/agriculturasustentavel

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