Ponta Porã, Segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
15/08/2015 05h40

A fingida indignação, não tem convencido ninguém - José Alberto Vasconcellos

Os brasileiros estão realizados: reconheceu-se, finalmente, que ninguém está acima da lei, até mesmo os Senadores da República! UFA!

Divulgação (TP)
 
 

Estamos vivendo um novo tempo, propiciado pelo desempenho profissional do Juiz Federal Sérgio Moro, que vem contando com o apoio decidido e incondicional do Ministério Público Federal e com o trabalho de campo, executado com diligência, empenho e patriotismo pela Polícia Federal, comandada por um corpo de delegados, comprometidos apenas com os interesses do País e da Nação.

O trabalho sério e perseverante que vem sendo executado, com o fim de reprimir o roubo descarado do patrimônio público e privado, como é o caso da Petrobrás, empresa de economia mista, na operação “Lava Jato”, empolga os brasileiros!

Com o concurso da “delação premiada”, finalmente, a Justiça alcança políticos e empresários encasteladas no topo da pirâmide social e financeira, que quase levaram o País à bancarrota. Como diz o ditado: “Não há bem que sempre dure e tampouco, mal que não se acabe.” A Justiça conseguiu, por fim, meter essa caterva de bandidos na jaula corretiva e dela vem colhendo confissões, que desnudam o sistema sofisticado instalado no país, para drenar o sangue dos brasileiros.

Faz parte dessa quadrilha, políticos sempre beneficiados pela “bondade das leis” que eles mesmos fizeram. Contam com foro privilegiado, no STF. Embora escroque como qualquer outro escroque, goza perante a justiça de tratamento distinto e privilegiado (?!). Montado nessa distinção que o privilegia como bandido de primeira classe, a cada notícia dando conta de que um agente público em cargo eletivo ou não, mancomunou-se com empresários para roubar a res communi omnium – e efetivamente roubou! – o calhorda, fingindo indignação, manda seu advogado contestar a notícia.

Com o apoio das balelas ditas pelo profissional bem remunerado, que o inocenta, vai depois ao jornal e à televisão, com deslavada cara- de- pau, fazendo-se de vítima de perseguição e proclama sua inocência. Como reforço (da sua inocência) clama aos céus: “—Apóia e exige investigação rigorosa, para o esclarecimento dos fatos!”; “— Que, a denúncia, é caluniosa! (embora já investigada e comprovado que o meliante roubou!).

A propósito do envolvimento de um Senador no rombo “Petrolão”, pudemos vê-lo, em data recente, com cara de santo, indignado, protestando da tribuna, por ter sido acusado de ladrão! Tão bem representou o papel de vítima, que poderia até trabalhar em novelas, representando a virtude. Esse Senador tem o nome registrado na pág. 31 da revista Época, ed. 09.03.15; e à pág. 39 da revista Veja, ed. 1º.07.2015. Nesta última publicação, podemos conferir: “Ricardo Pessoa revela detalhes do esquema de corrupção da Petrobrás e entrega a lista dos beneficiados com o dinheiro desviado (pág.38). Na lista dos acusados: Senador Fernando Collor (PTB) 20 milhões de reais). (destaque nosso).

Impressionante o aparato no Senado Federal, que se movimentou em defesa do destacado Senador, quando a Polícia Federal cumprindo mandado para apreender “coisas” na sua residência, confira: “PF faz busca e apreensão na casa de Fernando Collor e de outros políticos.” (Progresso, ed. 15.07.2015, pág. 5).

No corpo da matéria: “O advogado-geral do Senado, Alberto Cascais disse: “Foi descumprida a resolução número 40 do Senado Federal (e esclareceu): Para quem não sabe, resolução tem força de lei(!!!?). Eu entendo (continuou), que começam aí as ilegalidades (quando os policiais federais entram em um imóvel do Senado) e isso pode até macular o inquérito policial.” (e concluiu) “Afinal, se nem os membros do Senado Federal estão livres do arbítrio, o que se dirá do cidadão comum...” E arremata com voz cavernosa: “A defesa do senador Fernando Collor repudia, como veemência, a aparatosa operação policial...”

Que o tal senador tenha embolsado indevidamente VINTE MILHÕES NO PETROLÃO -- conforme amplamente noticiado -- o crime parece ser coisa normal e de efeito nenhum, diante da sua “nobre” condição de SENADOR DA REPUBLICA. O desabafo final do Advogado-Geral do Senado, Dr.Alberto Cascais: “se nem os membros do Senado Federal estão livres do arbítrio, o que se dirá do cidadão comum.”

Apêndice: “...o que dirá o cidadão comum” ) o cidadão comum não vai dizer nada, apenas sente-se feliz, satisfeitíssimo, com a ação policial que alcançou o escroque, até agora protegido pelo mandato de Senador; que desde sempre, alimentou-se do dinheiro público! Outrora, apeado da Presidência da República por corrupção, foi morar numa mansão em Miami (USA), afirmando que ali vivia com uma pensão mensal de 100 mil dólares, que recebia da Fundação Arnon de Melo. Com certeza, fome não passou!

Os brasileiros estão realizados: reconheceu-se, finalmente, que ninguém está acima da lei, até mesmo os Senadores da República! UFA!

15.07/05.08- 2015 (4810) Membro da Academia Douradense de Letras. (josealbertovasco@yahoo.com.br)

Envie seu Comentário