Ponta Porã, Segunda-feira, 23 de abril de 2018
21/03/2015 06h

A incompetência disfarçada com reclamações. José Alberto Vasconcellos.

Aqui em baixo, o povo quer solução para os problemas do dia-a-dia, como retorno pelos impostos que paga.

Divulgação (TP)
 
 

Eleito, o governador Azambuja tem frequentado as páginas dos jornais, apenas para reclamar. Reclama do Aquário do Pantanal, com as obras paralisadas. Reclama da rodovia Guaicurus, em Dourados, com as obras inteiramente abandonadas, embora sua conclusão seja de interesse incalculável para as Universidades federal e estadual, o Aeroporto e o Quartel da Região Militar.

Reclama de tudo e, na medida do possível, endereça suas reclamações para o domicílio do ex-governador André Puccinelli, o italiano. Entende-se que o governador Azambuja candidatou-se porque quis, tão-somente porque assim decidiu, sem ser forçado por ninguém. Conhecia a situação da administração estadual e se não conhecia, inaugurou a incompetência ao tomar posse no cargo.

Aqui em baixo, o povo quer solução para os problemas do dia-a-dia, como retorno pelos impostos que paga. Ninguém paga imposto para ouvir chorumelas; o homem que se dispõe a enfrentar uma administração pública, tem de estar preparado, afiado, disposto e resolvido a enfrentar e resolver problemas, principalmente a maioria deles, que por dever de ofício, deve conhecer de sobejo.

A par da obrigação do governador, somos também credores do trabalho do prefeito, dos vereadores, dos deputados estaduais, deputados federais e senadores, todos comprometidos com a causa popular. Junte-se a esse grupo, as centenas e centenas de assessores dependurados nas folhas de pagamento cobertas com os impostos cobrados.

A despeito do “trabalho” desse divisão inteira de sumidades custeadas com os impostos, vemos no jornal O PROGRESSO, de hoje (16.03.15), a seguinte manchete: “DECRETO ESTADUAL PARALISA ATIVAÇÃO DO IML( Instituto Médico Legal) DE DOURADOS.

E no texto da reportagem, verbis: “O decreto que corta todos os gastos do Estado por um período de 100 dias paralisou o projeto de ativação do Instituto Médico Legal (IML) de Dourados, que, apesar de pronto e equipado, HÁ QUATRO ANOS está de portas fechadas...” “É que para funcionar, o IML precisa de duas licenças, uma ambiental e outra da Vigilância Sanitária que exigem...” A inauguração exige algumas bobagens que em QUATRO ANOS não foram resolvidas, porque não se levou em conta, nesse tempo, o dinheiro do contribuinte aplicado na obra, enquanto as perícias são feitas de forma improvisada, nas funerárias.

Como se disse, o povo paga com seus impostos, não um batalhão, mas uma Divisão inteira de serventuários públicos, que se apresenta perante a comunidade, revestidos de uma ingenuidade crônica e absoluta carência de discernimento, para explicar que a repartição pública está pronta e equipada, mas que por três bobagens: um decreto e duas licenças, a repartição pública, de indiscutível interesse social, já espera por quatro anos sua inauguração, e os legistas, sem nenhuma condição razoável de trabalho, labutam – como se disse – com seus cadáveres, nos próprios das funerárias, sem nenhuma condição razoável para o trabalho.

Diante da notícia, que mais parece uma piada, é o caso dos contribuintes perguntarem: por onde andarão as pessoas que ele paga com seus impostos, para que exerçam a função para a qual se candidataram, cientes de que precisavam, pelo menos fazer alguma coisa de vez em quando.

QUATRO ANOS DE ATRASO, é brincadeira? Junte-se mais, informação recente do deputado federal Geraldo Resende, alertando que o Instituto da Mulher e da Criança (IMC), obra a ser acoplada ao Hospital Universitário, com verba viabilizada há cinco anos, espera pelas providências do Reitor da UFGD. E mais, outra verba de 2,2 milhões viabilizada há sete anos, destinada para reforma do Hospital da Vida, não conta nem com o projeto. Pasmem, senhores, esse o “trabalho” das lideranças que temos.

Obra pronta que não é utilizada; obras que possuem tudo para serem implantadas, mas que...Veja esta: “Estratégias eleitoreiras... Como exemplo, “a obra campeã de inaugurações, a ferrovia Norte-Sul, que foi aproveitada para OITO inaugurações ao longo dos últimos 17 anos, mas que até agora, nenhum trem percorreu seus trilhos.”(O Progresso, ed. 22.08.14).

Para finalizar, testemunhamos que o prefeito de Dourados afiançou-me, pessoalmente, que dispunha de 52 milhões e o projeto pronto para asfaltar a Estrada do Potreirito, – (aquela que o ex-prefeito Zé Elias apropriou-se do trecho entre o almoxarifado da Enersul e a Av.Marcelino Pires, na gestão do prefeito José Laerte Cecílio Tetila) – até a confluência que demanda Indápolis. O tempo passou, vem passando e nada!

Depois dessa estória do IML, o contribuinte pode esperar mais o quê?

16.03.2015 (4780) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.com.br)

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