Ponta Porã, Sábado, 21 de abril de 2018
29/11/2014 12h

A miséria, amancebada com a fortuna por José Alberto Vasconcellos.

Assim, como numa novela, a cada dia, a cada semana, a Polícia Federal desvenda um novo capítulo, e o povão gosta!

Divulgação (TP)
 
 

Algumas pessoas dizem que “a esperança é a última que morre”; outras que “sempre há uma esperança”. Essas pessoas que nunca desistem, estão certas. Veja o caso do “mensalão”, quando todos, ou quase todos, já não tinham esperanças de ver a nata gestora do Partido dos Trabalhadores (PT), responder pelos desfalques que deram no Tesouro, eis que surge o ministro do S.T.F. Joaquim Barbosa, desalojando os bandidos do castelo de QUEM NÃO SABIA DE NADA, e os meteu na cadeia. A fé materializou a esperança daqueles que nunca desistiram.

Temos agora o juiz federal Sérgio Moro destrinchando o Petrolão que, a cada dia e todos os dias, revela-nos um novo milionário ladrão, envolvido no desfalque da Petrobrás. Esses furtos, amparados pela ignorância do governo, QUE NÃO SABIA DE NADA, resultaram, até o momento, na desvalorização da empresa em 59% (cinqüenta e nove por cento), o que equivale a um prejuízo de 226 (duzentos e vinte e seis) bilhões de reais –para a empresa e seus acionistas – que viram suas ações virar pó! (Veja, ed.26.11.14,pág.79).

Interessante registrar que aquele que NÃO SABIA DE NADA, repentinamente viu organizar-se uma ação orquestrada, contra o juiz SÉRGIO MORO, com o plano de construir perante a opinião pública uma nova imagem do juiz – uma imagem desabonadora...(Veja, 05.11.14, pág. 68). Todavia e apesar de tudo, o cadastramento dos ladrões da Petrobrás, empresa de economia mista, continuou a crescer. Basta dar uma olhada nas revistas Veja subsequentes. Inconsoláveis, estrebucham enjaulados, solapados pela miséria que a segregação impingiu-lhes, sem prévio aviso.

“De orelha baixa. Durante anos e anos, os empreiteiros presos na Lava-Jato (operação que investiga a Petrobrás) tinham prioridades indiscutíveis em sua vida. Por exemplo, negociar aditivos bilionários a obras públicas, especialmente a Petrobrás. Na cadeia, suas prioridades mudaram radicalmente, eles tem de economizar COTONETE. Na prisão de Curitiba, cada um dos 23 executivos e empresários presos RECEBE UMA COTA DOIS COTONETES para cada cinco dias de cadeia”.(Veja, Radar, pág. 52).

A privação que lhes é imposta enquanto enjaulados, faz uma pessoa que “desfruta” do programa “Bolsa-família” sentir-se um milionário. Embora o “bolsista do PT” não alcance o caviar, o velho uísque, o iate, o jatinho e outras incontáveis vantagens, que a falta de idoneidade produz para os pais-da-pátria, sente-se, de alguma forma, acima da extrema miséria que grassa nas celas dos milionários, onde só entram as “quentinhas” e faltam

camas e até cotonetes. Caso quisesse, o da “Bolsa família” poderia até comprar uma caixa com 75 cotonetes, só para matar de inveja os enjaulados, por que não?

Talvez os magnatas até estejam, conforme o contexto da história contemporânea brasileira, recebendo cotonetes demais! Lembrei-me de Graciliano Ramos (1892-1953), que no seu livro “Memórias do cárcere”, que tive acesso e li na década de 1960, onde ele descreveu os horrores de sua vida como preso político. No texto do livro reclama, constantemente, pela falta de água para lavar as mãos. O que me pareceu ser uma bobagem – como interpretei naquela época – é, na realidade, uma fixação que corrói a moral do encarcerado e o deprime profundamente, provocando-lhe um choro compulsivo incontrolável.

Imagine, agora, o pessoal do “Petrolão” recebendo apenas DOIS COTONETES a cada cinco dias? Também não podem “lavar as mãos” porque as provas processuais são robustas! Coube aqui a metáfora, dita por Pôncio Pilatos, I, d.C., procurador romano na Judéia de 26 a 36. É citado nos Evangelhos por ter pronunciado a sentença de morte contra Jesus, respondendo à proposta do sinédrio. É representado LAVANDO AS MÃOS, eximindo-se da responsabilidade. A lavagem das mãos, lá, resultou na morte de Jesus de Nazaré, que foi crucificado; aqui, vai liquidar os espaços ociosos nas jaulas, tamanho é o contingente de marginais engravatados.

A revista Veja, ed. 19.11.14, escancara na sua capa: “A prisão dos bilionários. Na nova fase da Operação Lava-Jato, o escândalo do petrolão leva à cadeia 18 altos executivos de empreiteiras e o homem forte do PT na Petrobrás”. E na pág. 56, op.cit: “O elo: Renato Duque ex-diretor da Petrobrás, que cobrava 3% de propina para o PT...” e no palácio, NINGUÉM SABIA DE NADA!

Assim, como numa novela, a cada dia, a cada semana, a Polícia Federal desvenda um novo capítulo, e o povão gosta!

29.11.2014 (4.640 Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.com.br)

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