Ponta Porã, Quinta-feira, 26 de abril de 2018
11/07/2015 11h30

A produção, o comércio e o uso das drogas - José Alberto Vasconcellos.

No tráfico, há um biombo imaginário, que o governo imagina poder esconder da sociedade a degeneração humana, provocada pelas drogas

Divulgação (TP)
 
 
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Quando se fala em drogas alucinógenas, forçado é reconhecer que a cocaína, incontestavelmente, é a imperatriz no mundo do faz-de-conta. Provoca a euforia buscada pelos viciados, e os leva para o mundo das fantasias, onde tudo acontece ou pode acontecer pela alienação dos sentidos. Deteriora o cérebro e leva à morte quem dela abusa.

A cocaína pura, pelo alto preço, é consumida pela classe A, que gasta seus nobres narizes cheirando o pó até que, descuidando-se da “medida recomendada”, embarcam para o além,com uma etiqueta presa no dedão do pé: “Over dose!”

A pobreza, não menos insatisfeita com o mundo em que vive, acossada pela miséria decorrente do que o governo e a sociedade não lhe concede, em termos de escola, saúde, trabalho e outras oportunidades, diferentemente dos abastados que cheiram produto de “boa qualidade”, apenas por excentricidade, estes recorrem às “porcarias” de baixo custo, para mitigar a fome e o sentimento de abandono. Consomem qualquer coisa que possa levá-los para “outra dimensão”, adquiridas com o produto de pequenos furtos. Comprometem a própria carcaça!

Há diferença entre os fornecedores das drogas. A cocaína para a alta sociedade, chega de avião e seus produtores pessoas ricas e famosas. Lembremos de Pablo Escobar Gaviria (1949-1993), que em 1987, figurou na lista da revista “Forbes” entre os bilionários da época. É considerado até hoje, o produtor de cocaína mais rico da história. Esse colombiano era conhecido, como “O Senhor da Droga”, detinha 80% do comércio mundial da cocaína.

Nossos traficantes pé-de-chinelo, transportam, eles mesmos, suas porcarias. Usam velhos automóveis e até bicicletas, objetivando não levantar suspeitas e evitar a apreensão do bagulho pela polícia.

Enquanto a cocaína colombiana é vendida aos grandes traficantes em dólares, a pobreza local negocia diretamente a compra das “porcarias” na Bolívia e no Paraguai, usando como “moeda” de troca, veículos furtados no Brasil. Na mecânica desse comércio, os meliantes que fornecem os torpedos adulteradas ou batizadas aos traficantes, recebem como pagamento veículos furtados. Nunca têm prejuízos, porque nesses países – Paraguai e Bolívia – não há empecilho para legalizar veículos oriundos dessas ações criminosas.

O traficante, por seu lado, que pagou o “bagulho” com o veículo furtado, sendo detido pela polícia e perdendo a “mercadoria”, também não tem prejuízo, porque o pagamento fora feito com veículo furtado, que não lhe custara nada. Assim, se o negócio não der lucro, também não dará prejuízo! Quem perde é o cidadão, que paga muito mais pelo seguro, para não ficar a pé!

A classe alta vai, aos poucos, morrendo por “over doses” e enriquecendo os grandes produtores, do “melhor pó” que pode acariciar um nobre focinho. Aqui embaixo, sem a comoção de ninguém, o viciado de sarjeta deixa este mundo anonimamente. É apenas um viciado que deixou de viver, pela falência múltipla dos órgãos, principalmente do estômago, pela falta de uso. É lembrado como um ladrãozinho que roubava bolsas de mulheres indefesas, para sustentar o vício.

Traficantes de baixa categoria vêm aliciando menores, para que os ajudem na distribuição e na ampliação das suas áreas de ação. Os deputados, em data recente, protegendo o tráfico, aprovaram a redução da maioridade penal, somente depois, que foi extirpado do texto do projeto de lei, o indiciamento e “...a punição de adolesecntes presos por tráfico de drogras e roubo...” (revista Veja, ed. 08.07.15, pág. 54). O traficante é insensível à morte dos seus “clientes”. É um rato que defende seu território, alicia menores e não teme a ação da polícia.

No tráfico, há um biombo imaginário, que o governo imagina poder esconder da sociedade a degeneração humana, provocada pelas drogas. Faltam leis duras, para enjaular em definitivo os corretores das porcarias; falta vontade política e ação administrativa efetiva para dissociar o tráfico das drogas da politicagem acintosa e descarada.

As drogas corroem os viciados, fomentam os furtos e os roubos, que a cada dia repetem-se com mais freqüência. Recentemente, numa ciclovia no centro de S.Paulo, três pivetes mataram a facadas, em plena luz da manhã, um médico com referência profissional mundial, para roubar-lhe o celular e alguns trocados, para comprarem drogas.

Pessoas inseguras, buscam nas drogas o que não conseguem encontrar sozinhas. Não avaliam as conseqüências para a família e para a sociedade. O tráfico das drogas é uma guerra municiada pelo dinheiro fácil, que a sustenta e a incrementa, em detrimento dos viciados.

Traficantes e viciados, tumultuam a tranqüilidade social. 03.07.2015(4793)Membro da ADL/ (joséalbertovasco@yahoo.com.br).

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