Ponta Porã, Terça-feira, 24 de abril de 2018
25/03/2017 05h50

A reciclagem do lixo doméstico, é mesmo coisa séria?

Políticos mostram-se interessados em preservar apenas os próprios pescoços, que sabemos: são impossíveis de reciclar!

Divulgação (TP)
 
 

O tema desperta paixões, e dele, constantemente, há vozes abordando o assunto, falando da necessidade que temos de evitar a poluição do meio ambiente. Cobram responsabilidade de cada um, para que não se descarte em lugares impróprios, coisas que demandam tempo para deteriorar, com potencial para poluir, com o chorume que liberam, os lençóis freáticos, que nos fornecem a água de que necessitamos.

Falam bonito, publicam leis que controlam e determinam o destino do lixo; conferências são realizadas e oradores fazem aflorar lágrimas nos olhos dos mais emotivos. Tv´s, Jornais e Revistas abordam o assunto. Políticos bradam nas tribunas e condenam aqueles que não observam o destino do seu lixo, com os cuidados devidos e recomendados , para a preservação do meio ambiente e do próprio Planeta Terra, onde vivemos.

A sociedade organizada unânime, já conscientizou-se de que se não preservarmos o meio ambiente, incontestavelmente, seremos vítimas da nossa própria desídia.

Até o Papa já se pronunciou sobre o assunto, teria dito que: — Poluir o meio ambiente é pecado, emporcalha aquilo que Deus nos deu para que pudéssemos viver satisfeitos e felizes " neste mundo velho, sem porteiras!"

Então, todos entendemos:temos de preservar, o mundo em que vivemos, livre do descarte de qualquer porcaria poluidora, em lugares impróprios — é dever de todos! — porque se assim não for: as vítimas seremos nós!

Sobre a preservação do meio ambiente, uma parte muito importante é a reciclagem do lixo urbano e isso — uma considerável parcela da sociedade civilizada — têm feito com desprendida devoção.

Eu, particularmente, entregava o "material juntado" para o Alonso, que o recolhia em minha casa, às quintas-feiras. Depois de anos cumprindo religiosamente a tarefa semanal de recolher o reciclável, inesperadamente, o Alonso alegando não estar bem de saúde, decidiu mudar de atividade, abandonando a coleta que fizera por anos. Então, pessoalmente ou com ajuda da minha filha, passei a levar o material reciclável diretamente para "Unidade Municipal de Processamento de Material Reciclável", departamento que a PREFEITURA MUNICIPAL DE DOURADOS, mantém no fim da rua Pedro Rigotti, na Vila Santo André, o que, na realidade, não representou nenhum problema para que eu executasse a obrigação voluntária, uma vez por semana.

Doutrinado como defensor da natureza, tenho tido cuidado no descarte do lixo reciclável que venho recolhendo, inclusive na rua, defronte à minha casa, que chegam com a força do vento. Mantenho limpas as bocas-de-lobo, a calçada e a sarjeta, com varrição diária. Tenho feito a minha parte, no que tange a encaminhar o lixo reciclável e a manter a rua limpa.

Vejamos agora, a contrapartida que o poder público oferece a quem se dispõe em levar o lixo reciclável até a tal "Unidade Municipal de Processamento de Material Reciclável" no local acima indicado (fim da rua Pedro Rigotti, na Vila Santo André): falta asfaltar cerca de trinta metros para se chegar ao depósito (só trinta metros) e nesse pequeno espaço, assim como no pátio do depósito, quando chove, há um barreiro assustador. É constrangedor ver os funcionários labutando naquele local, mergulhados na lama!

Perguntamos então: — Por onde andam os vereadores e seus numerosos assessores, que não tomaram nenhum providência para que o local seja saneado para melhorar o ambiente de trabalho daquela gente e facilitar àqueles que se dispõem em levar o reciclável até lá?

O desinteresse dos vereadores pelo assunto, revela: primeiro, que nunca levaram nada para a reciclagem naquele local, daí o desconhecimento absoluto do problema; e segundo, o meio ambiente, a despeito de toda badalação, não é assunto que lhes interessa. De outro lado, a Prefeitura e suas Secretarias, também não tem demonstrado nenhum interesse em melhorar a via de acesso e o local onde pessoas humildes trabalham, para ganhar o pão de cada dia, naquele ambiente deplorável e insalubre.

Pelo volume de material ali depositado, conclui-se que muitas pessoas vão até aquele local levar o seu reciclável, e testemunham o desinteresse dos órgãos públicos municipais, em resolver o problema que se resume em implantar os trinta metros de asfalto que falta, para chegar-se ao local e cascalhar, pelo menos, o pátio, onde os funcionários recebem o material entregue. A falta dessas providências, anula as "recomendações da Prefeitura", para que preservemos o meio ambiente.

Políticos mostram-se interessados em preservar apenas os próprios pescoços, que sabemos: são impossíveis de reciclar!

José Alberto Vasconcellos.

22,12.2016 (4748) Membro da Academia Douradense de Letras. (josealbertovasco@yahoo.com.br)

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