Ponta Porã, Sexta-feira, 20 de abril de 2018
02/02/2015 08h40

A usina velha e sua vergonhosa história - José Alberto Vasconcellos..

Recentemente, envergonhados e esmorecidos, assistimos a demolição da CASEMAT, bem público leiloado no governo do Zeca do PT, para cobertura de dívida.

Divulgação (TP)
 
 

Já é tradição em nossa cidade de Dourados, onde moro há 52 anos, o reiterado e descarado furto, roubo ou descaminho de bens públicos, constituídos de imóveis e tudo o mais que pode ser transferido ou carregado. A despeito dos enormes prejuízos dados ao Município, pessoa jurídica de direito público interno, nunca testemunhei a prisão de um único salafrário.

Quando na função de Procurador-Regional do Estado, apurei e comuniquei à Procuradoria-Geral, que uma averbação feita à margem da matrícula de um imóvel, que garantia o pagamento de uma autuação fiscal de considerável valor, fora baixada a pedido do meu antecessor. O imóvel (26.000m²), hoje pertence ao Atacadão.

Recentemente, envergonhados e esmorecidos, assistimos a demolição da CASEMAT, bem público leiloado no governo do Zeca do PT, para cobertura de dívida. Arrematado por uma bagatela que poderia, sem qualquer sacrifício, ser coberta pelo Estado, não encontrou nenhum interesse por parte do Governador. A descarada e acintosa safadeza, enxovalha a memória do presidente Castelo Branco, que preocupado em armazenar nossa produção, mandou construir em regime de urgência aquele armazém, precursor dos armazéns graneleiros de hoje.

O que temos visto nesta cidade, são acontecimentos deprimentes e vergonhosos. Até a FEIRA DO PRODUTOR, onde existe um galpão quase centenário, entrou de carona no leilão da CASEMAT. Ninguém gritou; ninguém protestou!Tranqüilamente o esbulho consumou-se.

Agora o caso da “Usina Velha”. Atesto como testemunha, que durante a administração do saudoso e querido JORGE ANTONIO SALOMÃO (1971/73, com mandato de três anos) a hoje “Usina velha” encontrava-se em perfeito estado de funcionamento, acionada por um motor de submarino. Lá estive em companhia do Prefeito Jorge Salomão e outras pessoas, ocasião em que o Prefeito, muito satisfeito, apresentou-nos o encarregado da usina, dizendo: “—Este funcionário é exemplar: fica o dia todo com um paninho limpando o motor e cuidando da usina, e ela dá o que pode!” Quaisquer um dos sucessores do prefeito JORGE ANTONIO SALOMÃO, o querido “tio Jorge”, a partir de 1974, é o responsável pelo estado atual da usina velha!

Anote, depois do “tio” Jorge, vieram os prefeitos: Totó Câmara 1974/1977; Zé Elias 1978/1982; Luiz Antonio 1983/1988; Braz Melo 1989/92. Por esse tempo (1989/92), quando exerci a função de Advogado-Geral do Município, a usina já se encontrava saqueada e demolida, desprovida de todas suas instalações interiores.

Essa “Usina Filinto Muller”, foi construída para funcionar com a queima de lenha; para atender essa demanda de lenha, o Estado aforou mil (1.000) hectares de terras contíguos a ela, cobertos por floresta, de onde seria retirada a lenha para o seu funcionamento. Com o tempo, a usina que queimava lenha, passou para o sistema de injeção de óleo diesel. Nessa troca de sistema, que poucos ou ninguém que ainda esteja vivo pode ou queira informar, desapareceram os l.000 hectares de terras com toda a lenha que não fora queimada, assim como toda a maquinaria instalada para funcionar com a lenha.

Finalmente, com a chegada da energia elétrica na década de setenta, que coincidiu com o fim do mandato do “tio” Jorge na Prefeitura (1973), a USINA FILINTO MÜLLER começou a ser desmontada por ladrões, e o poder público de então, não demonstrou nenhum interesse em preservá-la. Caso alguém tenha alguma versão diferente, que possa melhor esclarecer o assunto, pode manifestar-se em benefício da história da nossa cidade. Até o motor do submarino, que pesava muitas toneladas, “submergiu” para nunca mais emergir!

A Usina, depois de desmontada e carregada por ladrões de altos e baixos coturnos, que nunca foram incomodados pela justiça, vem agora recebendo contínua atenção de políticos, que prometem restaurá-la, porque é histórica – dizem, mastigando a demagogia que os animam!

O“Informe C” no jornal Progresso de hoje (29/jan.), verbis: “Desde a primeira administração de Laerte Tetila como prefeito (2001/04) que o “Informe C”cobra um destino digno para as ruínas da usina velha de energia elétrica, às margens do córrego Laranja Doce. Naquela época, ZECA DO PT, enquanto governador, arrumou (e depois desviou para outros fins) uma verba do Banco do Brasil para revitalização do local”. (destaques nossos).

Enquanto não se resolve o imbróglio da Usina Velha, em São Paulo, a utilização do volume morto da Cantareira, tem trazido para as torneiras só assombrações!

28.01.2015 (4590) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.com.br)

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