Ponta Porã, Sábado, 21 de abril de 2018
22/07/2017 09h50

Artigo: O peso da fortuna e o perigo para quem a possui

José Alberto Vasconcellos

Divulgação: Dora Nunes
 
 

Ter ou não ter? Eis a questão! Quando o homem detém um considerável patrimônio e insiste, com inusitada modéstia, dizer que é apenas remediado, devemos ter em conta duas vertentes.

A primeira indica que o sujeito embora abastado, finge não ter o que realmente possui, sempre desconfiado de que alguém poderá aplicar-lhe algum tipo de golpe. A segunda vertente revela que o sujeito, a despeito de possuir considerável patrimônio, não vive bem subordinado que está, à conservação do patrimônio que detém, sem perder de vista as pessoas que tentam aproximação. Sente-se como aquele homem, do conto das Mil e Uma Noites: "O homem próspero é como a árvore: as pessoas a cercam enquanto estiver coberta de frutos; mas, logo que os frutos são colhidos, elas vão a procura de outra árvore."

Sedentário: sua maior preocupação é conservar o patrimônio, tentando, a todo custo, ampliá-lo. Envolvido com suas posses, não aproveita nada de bom que a vida oferece e o dinheiro pode comprar. Empenhado em fazer contas, reavaliar e proteger o patrimônio, tenta incansável novos métodos, para ampliar o que já possui. Não percebe, que a vida passa.

Flui o tempo: o sedentarismo e o estresse vão, aos poucos, corroendo sua carcaça. Negligente com a vida, sem desfrutar nada daquilo que lhe propicia o dinheiro, um dia sente dor no peito; noutro amanhece com parte do corpo paralisado; o médico, regiamente remunerado, informa-lhe de que foi vitima de infarto. A realidade da vida, fez da fortuna um desafortunado!

Analisemos agora, a vantagem de ser pobre. O descamisado, correndo atrás do pão de cada dia, é um atleta que, evidentemente, pela carência de uma alimentação melhor, necessitaria do reforço vitamínico que nunca alcança, mas sem perder o ânimo, continua tangido pela necessidade.

Nunca se preocupa com a guarda de algum bem, porque não os possui. Dorme tranqüilo, sabe que nenhum ladrão vai tentar furtar-lhe o que não tem. Não fosse a fome intermitente, seria um privilegiado.

A permanente carência de melhor alimentação, muita vez transforma o pobre numa pessoa diferente; diferente daquelas que dispõem de alimentação abundante e de alto teor de vitaminas. Feitos os exames num e noutro, nos pobres os médicos encontrarão apenas sinal de inanição e um princípio de anemia; seus órgãos vitais indispensáveis à vida ativa, estarão com funcionamento absolutamente normais. PARA O POBRE TRABALHADOR, 0U TRABALHADOR POBRE, a vida reserva-lhe boa saúde. Atleta por necessidade, alimentado com parcimônia por força da fraqueza financeira, o pobre está livre da obesidade, do diabetes, do infarto e de outras tantas enfermidades, que assolam a vida daqueles que se fartam com alimentos.

A resumida alimentação do pobre, que embaraça vez por outra sua mobilidade, não prejudica sua saúde, antes pelo contrário, conserva-a porque mantida com alimentos simples e naturais em quantidades modestas, distante dos embutidos e enlatados apinhados nas cozinhas dos abastados.

"A convicção dos ricos de que os pobres são felizes, não é menos tola do que a convicção dos pobres, de que os ricos é que são felizes. (Mark Twain), apud: M. Challita "Os mais belos pensamentos..."

Claro, a convicção dos ricos, sobre os pobres; e dos pobres, sobre os ricos, pode ser traduzida como a inveja dos ricos pela magreza e disposição dos pobres; já para os pobres, a inveja caminha em direção à fartura de que os ricos desfrutam e onde nunca se ouve uma criança chorar de fome, por um pouco de leite, que não se tem.

"A pobreza prepara os melhores mestres. Mais enérgicos, porque precisam vencer as potências reconhecidas. Mais ardentes, porque são mais ávidos daquilo que os ricos tomaram o hábito de desdenhar. Mais audaciosos, por nada temerem e tudo arriscar; eles que não são possuídos pelo luxo desde a infância. (Georges Valois, apud o.cit.)

Todos pobres almejam a riqueza, mas temem que, como ricos, perder a liberdade de caminhar pelas ruas, livres dos assaltantes. Os abastados, além de apresentarem saúde deficiente, com certeza terão a companhia indesejável de uma horda de ladrões, querendo assaltá-los.

Há compensações em ser rico ou pobre? Claro que há! Mas optar por uma dessas condições, algumas informações bíblicas hão de ser consultadas para orientar a decisão. Todavia, pelo que se sabe, ninguém além de Jesus Cristo e São Francisco de Assis, ambos já falecidos, optaram em viver na pobreza, por pura vocação, nestes últimos séculos.

A propósito, veja o que disseram os profetas: Mateus, 19:24; e Marcos, 10:25: "...é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus."

Mesmo com fé...sei não!

29.28.03.2017 (4.840) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.com.br).

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