Ponta Porã, Quarta-feira, 22 de novembro de 2017
18/03/2017 07h50

Artigo: Provérbio político - Primeiro, eu! Sobrando, é seu!

Por José Alberto Vasconcellos

Divulgação: Dora Nunes
 
 

"Uma das lendas (mais lembradas) da história do Brasil (...) sustenta que cortes nos gastos do governo, prejudicam"os pobres". Quaisquer cortes? Sim, quaisquer cortes. Não daria para cortar nada — nem reduzir de 150.000,00 para 140.000 reais, por exemplo, o salário mensal de um desembargador federal, ou mesmo estadual?" (J.R.Guzzo, apud Veja, ed.15.03.2017). o editorial de "O Progresso" de 02.03.2017, com o título "Mordomia Parlamentar", abordou-se com suporte no portal "Contas Abertas", que acompanha em tempo real os gastos dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário", indo fundo nos gastos dos congressistas (Câmara e Senado), sem deter-se para examinar os gastos do Executivo e do Judiciário, onde a música e a dança, imagina-se, são as mesmas, ficamos sabendo...pela matéria publicada no aludido editorial, que os parlamentares que mais gastaram são aqueles que habitam o "Vale dos Caídos". No total e para todos os congressistas — deputados e senadores — em 2016 foram reembolsados por gastos pessoais, o montante de 235 milhões de reais. Dentre todos parlamentares primou o deputado DIEGO GARCIA (PHS-PR) que "comprovou despesas" de 497 mil reais, com 2.284 notas fiscais, numa média de seis notas/dia; não ficou atrás o deputado AFONSO MOTTA (PDT-RS), que solicitou o reembolso de um pão de queijo, cujo valor despendido foi de R$1,00 (um real).

Desnudados os gastos dos parlamentares, relativos às pequenas despesas do dia-a-dia, está claro que o valor despendido tido e havido como direitos constitucionais, também não podem ser eliminados ou reduzidos porque prejudicaria igualmente "os pobres". O detalhamento dessas "pequenas despesas", se divulgado com minúcias, metade da população brasileira — a metade mais pobre — morreria de colapso, embora já esteja à beira da morte pelo desemprego, pelas dívidas e pela inanição, que caminham atreladas a cobrança de "vertiginosos impostos", necessários e indispensáveis para cobrir o rombo institucional, que corrói, mutila e mata de fome a Nação brasileira, juridicamente desarmada, desorientada e atônita!

A natureza estabelece a impossibilidade da convivência, num mesmo "saco", de GATOS e RATOS, tradicionalmente inimigos. Sob qualquer ideologia, todavia no planeta político, gato continua gato e rato continua rato, mas relacionam-se, harmoniosamente, objetivando um mesmo propósito, um interesse comum — assenhorear do dinheiro público — para realizar sonhos de riqueza, mesmo tirando a farinha de mandioca do prato de um miserável. A operação "Lava-Jato", sob o comando do juiz Sérgio Moro, tem provado, sobejamente, o provérbio político: "Primeiro, eu! Sobrando, é seu! Não tem sobrado nada! Os pobres estão cada vez mais pobres e os políticos cada vez mais abastados! O que se mais ouve nos Tribunais é o clamor de inocência dos escroques, que detonaram o Tesouro Nacional.

Nos três poderes da República Federativa do Brasil, a música e a dança são as mesmas. Com o argumento de que não se pode reduzir as despesas públicas, porque os "pobres" serão os mais prejudicados, vão enterrando, sem nenhum remorso, uma considerável parcela da população de indigentes, à qual, acintosamente, negam o direito de sobrevivência, como se não fosse, também, filha de Deus! O brasileiro, pacífico, ordeiro, desempregado, endividado e sobretudo resignado, aceita sem protestar, o papel de idiota que lhe atribuem os políticos que "comem" seus impostos.

Obras públicas ficam emaranhadas pelos subornos e pelos valores que exorbitam os cálculos da razão. Milhares de caminhões ficam atolados no Pará causando 350 milhões de prejuízo aos agricultores, por falta de uma obra (asfaltamento) que custaria ao governo 200 milhões. Aquela região deveria contar com Estrada de Ferro. A propósito de ferrovias, por onde andarão os projetos das Ferrovias: Maracaju (MS)-Cascavel (PR) e Panorama (SP) – Dourados (MS).

Agora pretendem modificar as regras da previdência, "espremendo" ainda mais o trabalhador, quando deveriam reduzir o valor das aposentadorias desavergonhadas que corroem os recursos previdenciários. Até vereadores de municípios modestos, recebem verdadeiras fortunas como aposentadoria ou para tomar café uma vez por semana, num prédio muito melhor, que qualquer escola ou posto de saúde do local.

Com muita fé, vamos aguardar os corruptos a aceitarem as denúncias e confessem os roubos. Quando essa esperança virar realidade, a amizade entre gatos e cachorros chegará ao fim e então choverão canivetes!

Sendo o problema é alheio, fácil é solucioná-lo.

14.03.2017 (4660) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.com.br)

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