Ponta Porã, Quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
11/04/2015 06h50

As Sandálias do pescador e os chinelos da democracia José A. Vasconcellos.

“Os 39 ministérios de Dilma custam mais de R$400 bilhões por ano e empregam 113 mil apadrinhados.

Por: Tião Prado
 
 

Há muitos anos li um livro escrito pelo australiano MORRIS WEST (1916-1999), publicado em 1963, que virou filme em Hollywood, em 1968, com o título original em inglês: “The shoes of the fisherman” (As sandálias do pescador).

O tema do livro era a eleição do papa, e o ator escolhido para interpretar o papel do papa que seria eleito, no caso um cardeal originário de um país do leste europeu, foi o consagrado ANTHONY QUINN (1915-2001).

Aquele papa imaginado por Morris West e encarnado por Anthony Quinn, lembro-me que eleito, procedeu de forma que hoje possui estreita semelhança com o procedimento do nosso atual papa, FRANCISCO BERTOGLIO, que até parece estar inspirando-se naquele livro.

Irreverente com a liturgia e com o rito que balizam a função do Sumo Pontífice, o então papa encarnado por Quinn saia sorrateiramente à noite, para visitar lugares onde habitavam as pessoas mais humildes; entrava nas sinagogas e ali, como um judeu qualquer, orava na linguagem deles.

Agia como uma pessoa comum, sempre preocupado com as pessoas e seus problemas. Respeitava todas as religiões sem preconceitos, buscava nos ensinamentos de Cristo o rumo para executar sua obra na Terra. Muitos outros atos virtuosos eram praticados por aquele papa, criado pela imaginação de Morris West.

Em suma: uma coisa é certa: aquele papa encarnou a humildade. Viu no próximo um irmão e procedeu – como pôde e da melhor maneira – conforme os ensinamentos Cristo! O escritor australiano, Morris West, deu ao Mundo uma lição, de como seria humanamente bom, que as pessoas despidas de orgulho e ilusões, considerassem seus semelhantes tendo presente, que todos têm o direito de viver, nem que seja com o pouco que a caridade reserva-lhes, como filhos de Deus.

Nosso atual papa – descendente de italianos – procede da nossa vizinhança, da Argentina, aí do lado! Empossado como papa, Francisco vem sistematicamente acabando com o desperdício, a opulência e os maus costumes de um clero equivocado. Ele próprio abdicou de todas as mordomias, que até então eram postas a disposição do Sumo Pontífice. Pessoalmente vem dando exemplo de humildade, lembrando aos seus pares, que os ensinamentos do Mestre não vinham sendo cumpridos.

Como aquele personagem de Morris West, o papa Francisco Bertoglio tem conversado com interesse e respeito, com representantes de todas as correntes religiosas, esforçando-se para que os homens entendam-se, e haja paz na Terra.

Lembrando da humildade, da compreensão, da solidariedade e, sobretudo, da obrigação inarredável do ser humano, de controlar sua ganância, para que seu semelhante não fique privado do pouco que precisa para viver, vamos falar de política e dos políticos.

No mundo político, NOSSA DEMOCRACIA É PROFANA E USA CHINELOS, para disfarçar o fastio vergonhoso, cumulado em cima da miséria do povo. Para saciar sua doentia e incontrolável ganância, tiram até o pouco daqueles que nada possuem. Com hipocrisia, sem ressentimentos ou escrúpulos, cultivam instintos antropofágicos que massacram os mais fracos. Veja como gastam os impostos que você paga!

O custo BRASIL! “A insustentável Máquina do Governo.” (Istoé, capa ed. 01.04/2015). “Os 39 ministérios de Dilma custam mais de R$400 bilhões por ano e empregam 113 mil apadrinhados. Só os salários consomem R$214 bilhões – quase quatro vezes o ajuste fiscal que a presidente que fazer às custas da sociedade.” “Em 28 dos 39 ministérios há carros oficiais com motorista, disponíveis para quatro cargos na hierarquia, abaixo do ministro.” (op. cit., pág. 41).

“O número: R$38,4 bilhões é o orçamento total previsto para o Judiciário Federal em 2015, o que significa um custo de R$105,2 milhões por dia, para manter essa estrutura.” (Progresso,Editorial, ed.07.4/2015).

Considerando que no Judiciário, onde todos os magistrados tem formação em direito e conhecem a mecânica social, assombra o modo como agem, outorgando-se aumento nos salários e dotações orçamentárias astronômicas, para manter uma opulência vergonhosa, frente a miserabilidade do povo, que vêm morrendo à míngua, nos corredores dos hospitais; das crianças sem escolas; das famílias que se trancam em casa com medo da violência; e do descalabro geral, que impede a melhoria da infra-estrutura e encarece a vida de todos brasileiros, que pagam 25% (vinte e cinco por cento) de impostos, sobre o valor de tudo que consomem.

Vamos confiar nos esforços do nosso papa, esperando que um dia tudo melhore para todos e haja fartura!

07.4/2015 (4760) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.com.br)

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