Ponta Porã, Quinta-feira, 26 de abril de 2018
15/04/2017 05h40

Cela especial e a corrida dos políticos ao ENEM

Entendam por fim, que a "cela especial" destinada a alojar os escroques letrados que possuem Diploma.

Divulgação (TP)
 
 

Quando o sujeito, depois de frequentar uma Faculdade e receber um diploma pela conclusão de um Curso Superior, forçoso que entendamos que se trata de um cidadão ou cidadã, com razoável conhecimento da mecânica social. Pessoa esclarecida e conhecedora da vida em sociedade, é natural que pugne pela paz social, que propicia o entendimento de que cada um deve respeitar o direito do outro e irmanado o interesse de todos, haja paz para o trabalho e progresso homogêneo.

A todos interessa a paz, a convivência pacífica, e assim sendo, sem exceção, todos deveriam abominar e condenar os desvios de conduta, que é quando alguém, julgando-se mais "esperto", pratica para benefício próprio, furto, roubo, assalto, latrocínio, peculato, estelionato; e para atender a psicopatia, consuma um estupro, ou qualquer outro deslize que redunde em prejuízo.

A prática de qualquer ato contrário a disposição legal e que resulte nocivo às pessoas e aos órgãos públicos, em suma que seja prejudicial a qualquer atividade regular, desenvolvida sob o império dessa lei, é considerado crime e tem cominada para cada categoria de infração, uma pena dosada segundo a intensidade do dano.

Interessante observar que o infrator, condenado a segregação do convívio social pela prática de um crime ou mesmo de uma contravenção, caso tenha Diploma que lhe ateste a conclusão de Curso Superior — protegido pela mesma lei que o condenou — tem o direito a algumas regalias, o que é um contra-senso, porque sendo o delinqüente uma pessoa esclarecida, em tese tem mais facilidade para discernir o certo e o errado, pressupostos contemplados no verbete: " Maniqueísmo, doutrina fundada na Pérsia por Manes, no séc. III,d. C., que professa um dualismo estrito, em que o universo é dominado por dois princípios que se combatem, o Bem absoluto e o Mal absoluto. (Dic.Enc.Veja Larousse).

As regalias que se reputa incabíveis para bandidos, constituem-se em destinar jaula mais ampla para os portadores de Diploma, que aquela destinada ao "reeducando-pé-duro". É um contra-senso falar-se em "reeducar", quem nunca foi educado" para viver em sociedade, vítima que é da ação criminosa dos políticos, que roubaram os recursos para sua tempestiva educação.Você acha crível essa estória de "reeducar" quem ignora a liturgia, que delimita os parâmetros da vida em sociedade?

Considerados esses pressupostos, a situação deveria ser inversa: o "pe-duro" seria o merecedor da jaula maior, porque antes de furtar alguma coisa, já haviam furtado sua educação, desfalque que o condenou a crescer na ignorância e viver na miséria. O crime foi a alternativa encontrada para poder alimentar-se. O político, agora privilegiado com cela especial escorado num Diploma, goza de um privilégio nascido da distorção da lógica, que não considera a astúcia e o modus operandi decorrentes do preparo universitário, para a prática do crime que consumiu, criminosamente, com os recursos destinados à saúde, à educação e à segurança pública.

Pela falta desses serviços, principalmente do ensino, o estado produziu o desajustado social — o execrado assaltante! — que na ânsia de sobreviver, produz eventos danosos, assassinando chefes de família, pessoas úteis à sociedade e ao país, por um par de chinelos, causando prejuízos pessoais e patrimoniais irrecuperáveis.

Somadas às vantagens de praticar o peculato e consumar outros atos nocivos à administração pública, como sói acontecer, o benefício da cela especial concedido para esses escroques, pessoas esclarecidas que, voluntariamente, decidiram enveredar pela senda do crime, é uma prerrogativa — imaginam eles — de inestimável valor!

O fato de o ex-bilionário Eike Batista, não ter Diploma e por isso ser encerrado no galpão dos pés-duros, despertou na classe política bronca, um interesse inusitado para participar do ENEM. O dia de amanhã é incerto, melhor prevenir-se!

Entendam por fim, que a "cela especial" destinada a alojar os escroques letrados que possuem Diploma, é como presentear alguém que usa dentaduras, com um carretel de fio dental. A cela especial, na realidade, é um arremedo de alojamento com área reduzida, fração de um sonhado "paraíso", escuro, fedorento e com pouca água. Cubículo próprio para manter encerrados morcegos, que se alimentaram do sangue do povo. Ali faltam cotonetes para desentupir os ouvidos dos reclusos e possibilitar-lhes ouvir em alto e bom som, as manifestações festivas e premonitórias dos miseráveis, nas ruas:

"— Nóis sabia, que a lagoa ia secá, jacaré!" 02.02.2017 (4804) Membro da Academia Douradense de Letras. (josealbertovasco@yahoo.com.br)

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