Ponta Porã, Terça-feira, 23 de janeiro de 2018
01/08/2015 06h

Competência? O que é competência? – Por José Alberto Vasconcelos.

O candidato que você vai escolher, deve atender alguns requisitos inarredáveis, à vista da responsabilidade e a complexidade do cargo que pleiteia.

Divulgação (TP)
 
 

Nomeado Ministro da Pesca, o senador Crivela confessou que nunca pegara na minhoca (verme anelídio da classe dos oligoquetas). Trocado em miúdos, o pregador evangélico, enfiado no Ministério da Pesca por manobras políticas, ilustra bem como funciona o “Sistema Administrativo Brasileiro”, custeado com os impostos cobrados.

Caso você candidate-se a gerente de uma farinheira (industria que produz farinha de mandioca), o proprietário vai querer saber o que você entende de mandioca, de indústria de farinha e, o mais importante, se sabe o ponto em que a farinha esta torrada. Tudo isto para que você consiga o trabalho numa modesta fábrica de farinha de mandioca, com um salário mais modesto ainda.

No sistema político brasileiro, a exemplo do senador evangélico com a minhoca, temos um número assombroso de candidatos ao posto de prefeito municipal. O Senador Crivela, assumindo o Ministério da Pesca, embora tivesse confessado sua incompetência com relação a pesca, pelo menos sabia ler, o que ele fazia, constantemente, com a Bíblia na mão garimpando os votos dos irmãos, que o levaram para o Senado.

No seio desse grande número de interessados em querer ser o prefeito de Dourados, alguns tem dificuldade até em ler a bula de xarope. Imaginemos então, como eles poderão examinar relatórios, traçar planos, anotar providências, entender o que seja orçamento, comandar a elaboração de projetos para conseguir aplicar os recursos públicos que lhe chegam às mãos, ou distinguir o que é prioridade? Imagine!

Muitas pessoas perguntam-se até hoje, o que o Crivela foi fazer no Senado da República Federativa do Brasil e depois, pelas graças do PARTIDO DOS TRABALHADORES ser conduzido ao Ministério da Pesca, desconhecendo inteiramente uma minhoca? Como o próprio confessou ex abrupto, no ato da posse: nunca fisgara um anzol!

A corrida à prefeitura, para eleger-se Prefeito, já virou maratona: tem aqueles que disputam um primeiro lugar; outros vão com a língua de fora logo depois da largada. Dentre esses atletas, alguns depois de percorrer algumas quadras, já se convencem de que foram enganados pela cigana, mas nem sentem vergonha, porque nunca a tiveram!

Entenda, senhor eleitor: a velocidade do maratonista candidato, pode ser boa – a melhor! – todavia isto não quer dizer, do ponto de vista administrativo, que a velocidade das suas canelas está relacionada com sua competência, para conduzir o gerenciamento do município. Na maioria das vezes, Prefeitos são eleitos sem saber o que vão fazer! Alguns, até assustados pela vitória, chegam a perguntarem-se: — E agora?

E aí acontece o desfalque no tesouro do município e a carência dos serviços essenciais. Conseqüentemente, não adianta reclamar, ele não vai ouvi-lo! Você o colocou lá, vai ter que agüentar enquanto durar o mandato. Vai sentir-se roubado, frustrado e, sobretudo ostentar a cara de palhaço. Tudo porque votou no candidato que seu amigo pediu; porque achou que sujeito dizia a verdade e acreditou; porque pensava que embora fraco de leitura, o candidato daria conta do recado; porque, enfim, o sujeito falava bonito!

O voto irresponsável e o conseqüente mandato outorgado à pessoa errada, acarreta ao eleitor prejuízo irrecuperável. Muitos prefeitos, boa parte deles, não deixam obras; deixam só dívidas para o município – pessoa jurídica de direito público interno – que o eleitor relapso e muitos eleitores inocentes, vão ter de cobrir com os impostos que lhe são cobrados.

À vista dessa possibilidade, nociva e funesta para os munícipes, o VOTO É SECRETO! O eleitor pode prometer o voto para um candidato, mas votar em outro que julga, honestamente e sem interesse pessoal, o MELHOR!

O candidato que você vai escolher, deve atender alguns requisitos inarredáveis, à vista da responsabilidade e a complexidade do cargo que pleiteia: possuir formação em curso superior; reconhecida competência para o exercício da função a que se propõe; a possibilidade e o compromisso de dedicação exclusiva ao cargo; e o compromisso sincero de cumprir as metas prometidas. Caso você já tem em vista alguém com essas qualificações, parabéns! Você não fará o papel de palhaço!

Você, eleitor, pode até – de boa fé – enganar-se; mas errar por omissão, ou votar por interesse pessoal, é comprometer-se e comprometer o bem-estar da sua família, privando-a da assistência à saúde, acesso à educação para os filhos, falta de transporte urbano e, sobretudo, segurança!

Até o dia das eleições, o candidato é Papai Noel; depois, ele esconde o saco e some com os presentes!

28.07.2015 (4672) Membro da Academia Douradense de Letras. (josealbertovasco@yahoo.com.br).

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