Ponta Porã, Terça-feira, 12 de dezembro de 2017
07/01/2017 05h50

Modernidade, etapa no tempo infinito por José Alberto Vasconcellos

Desajustados no tempo, os velhos costumes reprimem sonhos, revogam desejos e geram frustrações.

Por: Tião Prado
 
 

Modernidade, para a mulher, é perder cinqüenta quilos de peso corporal, e depois exibir-se, vitoriosa, satisfeita e alegre com o que restou da antiga, volumosa e deprimente carcaça.

Modernidade, para a mulher é exibir com orgulho a retaguarda abaulada e o frontispício misterioso. Mostrar o patrimônio que possui, independentemente, da banda à qual pertence : larga, fina ou indefinida!

Modernidade, para a mulher é "envergar" o consagrado fio dental, para exibir, sem preconceito ou fingida reserva moral, o frontispício glorioso, onde habita a "mosca do chifre", senhora de intrincados mistérios, fonte de inspirações e desejos!

Modernidade,é acompanhar com empolgação a inexorável mudança nos costumes, que vem para revogar velhas manias, antigos preconceitos e falsas premissas, limitando, já fora do tempo, o "modus vivendi" de cada um, no seio social. Desajustados no tempo, os velhos costumes reprimem sonhos, revogam desejos e geram frustrações.

Modernidade, é liberdade! Liberdade para que as mulheres realizem livremente seus sonhos. Que disponham de espaço para escolher, livremente, o caminho que desejam palmilhar, mostrando com orgulho ou escondendo por timidez, o que possuem — de melhor ou de pior — consoante o entendimento subjetivo de cada uma!

Modernidade, é fazer parte da "Caravana do Amanhã" e com ela fluir como o vento, passando por redutos de conservadores hostis que, ostensivamente, com os olhares opacos do atavismo repudiam e tentam, equipados com armamento desmuniciado, "segurar o vento!"

Modernidade, é como o arauto que anuncia e descortina coisas novas, inéditas, desafiando velhos e arraigados preconceitos. Prima por suplantar com determinação, tudo que limita, deprime e dificulta a iniciativa de cada um. O novo, propicia asas àqueles que querem voar!

Modernidade, é a revogação de preconceitos até então tidos e havidos como regras sociais inarredáveis. A evolução, que resulta do que é moderno, gera novas idéias e novos costumes, que modificam e ampliam a visão que se tem do mundo; nasce e avança perseverante, incontrolável como as nuvens: ninguém pode detê-las! Os retrógrados, alimentados pela ignorância, repudiam o novo, porque ele traz no seu bojo o ônus da criatividade como desafio; não se dão conta que terão como recompensa a melhoria de vida.

Modernidade, tem o horizonte infinito como limite, para lá — queiram ou não — todos terão de caminhar para sobreviver!

Modernidade, é a revogação irrecorrível daquilo que se revela vencido pelo tempo! É a lei que prescreve írritos, sem direito a recursos, os costumes até então reinantes. É o anúncio de novos tempos, que primam pelas liberdades e pelas criatividades que encantam e empolgam os "modernistas", que buscam no novo, oxigênio para viver!

Modernidade, acredita-se, permitirá às pessoas do mundo inteiro — pelo acesso a educação — que, finalmente, consigam um entendimento global, discutido numa única língua! Haverá um tempo de prosperidade e patente felicidade para todos; livres de preconceitos e safos de ditadores beligerantes, usurpadores do poder e exploradores dos seus governados, com mãos de ferro!

Modernidade, é a força que alijará ditadores que promovem conflitos no interesse próprio, destruindo cidades, matando e desalojando populações inteiras, sem interessar-se pelos traumas que causam aos refugiados, que acabam "amontoadas" em países estrangeiros, perdidos, sem pátria e sem futuro!

Modernidade, é reconhecer, que só há um Deus, e que sua determinação é para que vivamos em paz, cumprindo os seus mandamentos.

Modernidade, é entender com clareza e sem sofismas, que nenhum argumento, por mais veemente e racional que se pretenda, pode explicar, harmoniosamente com a Lei de Deus,, que um mandamento " jihadista" (guerra santa contra os infiéis) justifique um crime sem motivo, (apud: Veja, pág. 44, ed. 28.12.16), procedimento que, acintosamente, contesta todos os princípios que orientam a humanidade civilizada.

Modernidade, é reconhecer o patente despropósito, do conflito na Síria, mantido por um ditador sanguinário, com o concurso de aliados alienígenas, que se prestam para colher vantagens sobre os cadáveres de mulheres, crianças e idosos.

Modernidade, é acreditar na evolução que tirou o homem da caverna e o fez civilizado; crente em Deus, com a promessa divina de que teria um mundo girando em paz, e nele haveria prosperidade para todos, sem fome e livre das misérias.

31.12.2016 (4700) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.com.br).

Envie seu Comentário