Ponta Porã, Terça-feira, 16 de janeiro de 2018
28/10/2017 05h40

O Rio era assim, no tempo de Cosme e Damião por José Alberto Vasconcellos

Tudo está mudado, o tempo em que os "Cosme e Damião", garantiam a segurança pública, vai longe!

Divulgação (TP)
 
 

No Rio de Janeiro, a saudosa "Cidade Maravilhosa", o policiamento nas ruas era feito por uma dupla de policiais militares; essa dupla tinha o nome de "Cosme e Damião".

Naqueles velhos tempos, em que o fulgor artístico da ícone Carmem Miranda, levou-a para Hollywood, havia também Emilinha Borba a predileta da Marinha; Dircinha Batista, a Rainha do Rádio; Ângela Maria, a "Sapoti", do presidente Getúlio Vargas; e mais o Ataulfo Alves, Noel Rosa, Cartola, Nelson Gonçalves e outros tantos artistas, que compunham músicas e cantavam nas emissoras de rádio, no Cassino da Urca e no Hotel Quitandinha. Havia o Bondinho do Corcovado e a Mansão com frente para a Baia da Guanabara, do saudoso Assis Chateaubriand (1891-1968), jornalista, empresário e político. Introduziu a televisão no Brasil (TV Tupi). Proprietário dos Diários e Emissoras Associados, Senador da República e embaixador do Brasil em Londres.

A cidade era, aos olhos do mundo uma verdadeira "Shangri-la", lugar tido na cultura asiática, como um recanto paradisíaco, situado nas montanhas do Himalaia, dotado de panoramas maravilhosos, onde o tempo parecia deter-se em ambiente de pura felicidade. Naqueles tempos que ora recordamos com saudade, a cidade contava, para manter a segurança pública, apenas com as rondas das duplas "Cosme e Daminão". Os bandidos chegaram tempos depois, na esteira dos políticos corruptos e de uma sociedade viciada e ávida por alucinógenos, que cedeu, com alegria e desprendimento, as favelas nos morros para o estabelecimento dos narcotraficantes.

Os turistas sempre deslumbraram-se com as paisagens exóticas e o esplendor da beleza da Baia da Guanabara. Como a Meca do Carnaval, o Rio sempre atraiu multidões de alienígenas, que tomados pelo ritmo do samba e possuídos pelo "Folião" — uma entidade muito doida — enlouquecem, abandonando a timidez ou qualquer outro recalque que pudesse reprimir suas desbragadas alegrias. É a liberdade e a felicidade que nunca antes sentiram, em seu país.

O carioca conservador, mais interessado em ir para a praia e contar vantagens, esqueceu-se de cuidar da sua cidade; deixaram a "Cidade Maravilhosa" transformar-se num depósito de viciados em cocaína e outras porcarias e, conseqüentemente, numa mina de ouro para os narcotraficantes. Os morros, abandonados pelo poder público, adotaram os chefes do tráfico como "governadores" e os escroques não perderam tempo: apressaram-se em demarcar seus territórios com os cadáveres da abjeta facção concorrente, e ditar as leis e os costumes, que deveriam ser seguidos, sob ameaça.

Beneficiados pela indolência governamental, que se limitava a saquear o Erário e franquear os morros para o tráfico, o Rio de Janeiro tornou-se um paraíso para os narcotraficantes. Hoje eles estão organizados e dispõem de armamento pesado, que a polícia não possui.

Nas disputas das quadrilhas pelo mercado das porcarias, todos os dias morrem inocentes de todas as idades, com balas perdidas. Os traficantes mantém a população em suspense e sob ameaça. Todos têm medo de ser a próxima vítima de uma bala perdida.

Bandidos assaltam e matam turistas estrangeiros, jogando merda na reputação dos brasileiros e no conceito da cidade, que outrora era conhecida como "Cidade Maravilhosa". Atacam Postos da Polícia Pacificadora, matam policiais em serviço ou fora dele; ameaçam, pintam e bordam, indiferentes aos vários pelotões do Exército Brasileiro, que ajuda a polícia a patrulhar as ruas. Nada consegue barrar a sanha criminosa dos traficantes com Quartel General nos morros, onde quem fala mais alto é a Ponto 50, uma metralhadora de alto poder de fogo.

A "Cidade Maravilhosa" acabou de enterrar-se na lama, com o governador Sérgio Cabral, o maior corrupto de todos os tempos. Removeu para seus domínios, todo dinheiro público que conseguiu, sem receio da justiça ou piedade pelo povo que governava. Furtou até o salário dos policiais!

O desmanche do Estado foi tão longe, que produziu uma inversão nos valores: hoje é a polícia carioca que tem medo dos bandidos! Neste ano de 2017, até outubro, os bandidos mataram mais de 100 policiais e atacaram, sem receio, Postos da Polícia, com armamento pesado.

Aqueles que habitam o círculo de fogo do narcotráfico, todos os dias enterram seus mortos por balas perdidas. Seus clamores não são ouvidos! Juizes mandam libertar bandidos reincidentes, de alta periculosidade. Delegados de Polícia, ouvem e liberam bandidos, sem preocuparem-se com o tamanho da sua ficha criminal.

Tudo está mudado, o tempo em que os "Cosme e Damião", garantiam a segurança pública, vai longe!

O Rio hoje, é uma droga!

19-10-2017 (4740) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.cm.br).

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