Ponta Porã, Quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
19/09/2015 05h50

Quando aceitamos o inaceitável - José Alberto Vasconcellos.

E plagiando Kant, Jhering arremata: “Aquele que anda de rastos como um verme nunca deverá queixar-se de que foi calcado aos pés.”

Divulgação (TP)
 
 

Aceitar o inaceitável, em qualquer circunstância, é um procedimento esdrúxulo, que reflete fraqueza, acomodamento e covardia. A omissão, individual ou coletiva, diante de problemas que envolvam diminuição ou supressão dos direitos sociais, não se explica como sendo um sentimento de resignação, porque a ausência de qualquer ação, que busque mudanças e correção nos desvios, pode ser traduzida como: “Vamos deixar como está, para vermos como fica!” E, com certeza, sempre fica pior!

Pela inércia, o que já não estava bom, vai ficando pior. Pior porque nega socorro aos princípios fundamentais da ética, lesivos aos direitos da sociedade como Nação e do País, como berço da Pátria.

A conduta de agente público, contra a prescrição legal (erga leges), é crime que devemos repudiar, enfrentar e esmagar; o que não vem acontecendo, pela falta da união das classes lesadas; pela ausência de interesse forjado na desinformação, que não conscientiza, não orienta e tampouco cobra do cidadão as providências que a situação impõe. Tem-nos faltado liderança!

Sem nenhum enfrentamento, inovam métodos administrativos que afrontam, despreocupadamente, a legislação, e que rendem fortunas à incompetência, alicerçada na mentira, na má-fé e nas estatísticas rasuradas.

Como aceitar, passivamente, que sejam realizadas operações “sigilosas” com os recursos financeiros do BNDS e do BN, operado por uma caterva de aproveitadores hipócritas, que raspam as finanças públicas,? Como aceitar, passivamente, esse estupro da nossa Constituição, quando desviam os recursos destinado ao amparo material dos contribuintes, relacionados com a saúde, com o ensino e com a segurança e, à Nação, no desenvolvimento da infra-estrutura do País?

Leciona-nos RUDOLF Von JHERING, no seu pequeno livro “A LUTA PELO DIREITO”, que nasceu de uma conferência proferida em 1782, na Sociedade Jurídica de Viena, com o título original “Kampf um´s recht”, traduzido por João de Vasconcellos, Ed. Forense,1968, à pág. 7, verbis: “Àquele que não sente, quando o seu direito é insolentemente desprezado e calcado aos pés que não se trata simplesmente do objeto deste direito, mas da sua própria pessoa: àquele que não experimenta a irresistível necessidade de defender a sua pessoa e o seu justo direito não temos que prestar auxílio e nenhum interesse tenho em o converter.”

E plagiando Kant, Jhering arremata: “Aquele que anda de rastos como um verme nunca deverá queixar-se de que foi calcado aos pés.”

Por mais ignorante que seja, o ser humano tem dentro de si o sentimento nato da injustiça. Percebe quando seus direitos fundamentais estão sendo lesados. Observa que a comida que lhe falta na mesa, está sendo, criminosamente, vendida; consumida por quem não devia, ou simplesmente jogada no lixo! Que os impostos que paga, não tem retorno para justificar a sua cobrança. Então, para merecer consideração por parte do jurista Rudolf Von Jhering, o indivíduo lesado nos seus direitos têm que lutar, protestar, defender o que é seu, ou... ou não tem do que reclamar!

Não podemos contemporizar com a atual administração, quando testemunhamos uma legião de escroques, a cada dia mais numerosa, envolvidos em falcatruas investigadas e comprovadas, encastelados no poder, usando e abusando da coisa pública, com livre arbítrio para agir, protegidos por leis promulgadas por encomenda, sem nenhum enfrentamento que possa barrar o seu nefasto avanço, na prática de atos repulsivos e condenáveis, lesivos à Nação como gente e ao País, como Pátria!

A certeza da impunidade e o convencimento de que não prestarão contas a ninguém, fazem desaparecer pelos ralos da corrupção os recursos públicos. Registra-se, que boa parte desses recursos são gastos, em propagandas enganosas, para divulgar balelas; noticiar o aumento de impostos ou o corte de programas sociais, antes prometidos e divulgados nas mesmas propagandas.

Acreditar na metáfora do governo, de que vai “cortar a carne”, querendo dizer que vai reduzir despesas, leva-nos a entender que a “presidenta” está comprando um açougue, porque desmamar a militância, é quimérica esperança!

Pixulecos, meu velho! Pixulecos, chancelados pelo PT!
14.09.2015 (4497) Membro da Academia Douradense de Letras. (josealbertovasco@yahoo.com.br)

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