Ponta Porã, Quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
28/03/2015 05h50

Quando o navio aderna…José Alberto Vasconcellos.

Assim, o procedimento padrão para a fuga, é absolutamente normal: não se distingue um do outro.

Divulgação (TP)
 
 

...OS RATOS SÃO OS PRIMEIROS A ABANDONÁ-LO. Este ditado, na realidade, é um fato incontestável observado por marujos, que navegam ou navegaram pelos sete mares. Os roedores, dotados de inexplicável percepção premonitória, sensíveis e atentos, percebem com vantajosa antecipação, sinais de que o navio em que se encontram embarcados, está em vias de naufragar.

Detectado, o perigo que poderá levá-los à morte por afogamento, deixam tudo o que amealharam e esconderam nos escaninhos do navio, consideram como único valor a salvar: a própria vida! Descendo pelas cordas presas nas abitas do cais, apressados, abandonam a embarcação.

O êxodo maciço dos roedores, é um espetáculo: primeiro, pelo número de bichos que ninguém imaginava viver, naquele navio; depois, porque quando em retirada, embora apressados, mantém a disciplina no curso da marcha. Durante a marcha, não se observam reclamações, piadas ou gracinhas.Todos estão conscientes do perigo, que ronda suas vidas. Ninguém tenta ultrapassar ninguém, cada um respeita a posição daquele que vai a sua frente.

Os ratos na fila da retirada, que marcham em busca de lugar seguro, sabem de antemão, que o sucesso depende do entendimento e da presteza na mudança, frente ao perigo iminente. Assim, o procedimento padrão para a fuga, é absolutamente normal: não se distingue um do outro.

Diferentemente dos ajuntamentos humanos, não se vê nenhum roedor sem camisa, para mostrar tatuagens que representam o grau da idiotice de quem as têm e as exibe em lugares impróprios. Não se vê, igualmente, entre os roedores em retirada, nenhum deles com coisas metidas nos ouvidos ou cutucando celular.

Materializada a necessidade de uma mudança urgente, tendo como bem a preservar, a própria vida, pela possível ocorrência de uma hecatombe, denunciada pela intuição e corroborada pela premonição congênita, que sempre revelaram-se infalíveis; afloram às centenas, aos milhares, fugindo em absoluta ordem. Com o respeito mútuo, materializam a sujeição incondicional ao direito alheio.

Residentes naturais ou naturalizados, que viviam nos porões do navio, agora acossados pelo medo, unânimes e decididos da necessidade de batem em retirada, agem rápidos diante da iminente ameaça da submersão da embarcação, nas águas frias do oceano.

Sem perda de tempo, resolutos, aceitam como natural e irreversível o evento, sem deterem-se à procura de um culpado. A resignação simplifica o enfrentamento do momento, e dá a força de que precisam, para a fuga do evento que se afigura sinistro. Acreditam numa nova oportunidade; acreditam na chance de poderem viver num outro lugar; em condições iguais ou até melhores, daquelas de onde fogem. No momento, preservar a vida, é o que lhes interessa!

Essa epopéia dos ratos em fuga, frente a um perigo, mostra-nos um exemplo: o de solidariedade. O exemplo que revelam, leva-nos a examinar o procedimento de grupos humanos, diante de situações análogas ou semelhantes.

Há uma parcela de homens, que poderia envergonhar os ratos, com a renhida, reiterada, indecorosa, hipócrita e desavergonhada disputa, que cultivam e promovem entre si, para obterem alguma vantagem sobre o próximo. No seio dessa classe degenerada, é fácil testemunhar a ambição insaciável, que os anima abocanhar tudo o que estiver ao alcance das suas garras sujas, que arrebatam o pouco, de quem não possui nada.

Nesse grupo humano corrompido, catalogado como o reverso do homem civilizado, encontram-se os políticos. Uma vez eleitos, entendem que nada mais devem ao povo, que os sustentam com seus impostos.

Como os ratos no navio que aderna, o PT com os chifres enegrecidos na marola petrolífera, assiste seus políticos e militantes de todos os naipes, apressarem-se na buscar de uma prancha de sustentação, para não afundarem junto com a traineira de cabotagem, usada para a coleta de doações ao partido, atingida agora pelos torpedos disparados pelo Juiz Federal SÉRGIO MORO, herói nacional!

Sem coragem para o trabalho, incompetente e desonesta, uma considerável parcela do nosso Congresso pode ser descartada junto com o PT, como produto vencido, imprestável para o consumo democrático.

Leais aos princípios, fugindo resignados, os ratos mantém a disciplina forjada na esperança, que os une em paz, sem ambição, como irmãos. Contam com a certeza de uma vida futura solidária e feliz, na qual apostam: será melhor!

Ser ou não ser, um rato! Eis a questão!

15 e 25.03.15 (4.650)Membro da Academia Douradense de Letras. (josealbertovasco@yahoo.com.br)

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