Ponta Porã, Terça-feira, 24 de abril de 2018
23/11/2017 13h30

Medicina funesta ao gênero humano, por Edilson José Alves

Medicina funesta ao gênero humano, por Edilson José Alves

Divulgação: Dora Nunes
 
 

Outro dia li não me lembro onde uma frase de alguém que dizia o seguinte: "Sou dependente de duas drogas. São elas: a droga da saúde pública e a droga do transporte público". Que a saúde pública nunca foi uma "Brastemp" todo mundo sabe, mas dados divulgados pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar e Universidade Federal de Minas Gerais me deixaram de ‘queijo caído’ de tão estarrecedores que são. Em um ano mais de 300 mil pessoas morreram por falhas banais nos hospitais públicos e privados do Brasil.

Os indicadores apontam que a cada 90 segundos um paciente morre por ter recebido dosagem errada de medicamento ou por ter sido vítima do uso incorreto de equipamentos ou por ter contraído infecção hospitalar. Esses erros ditos pelo estudo como banais estão matando mais que o câncer, mais que a violência que já é assustadora. Nesse ritmo alucinante são 829 mortes por dia, o que coloca as falhas na segunda posição do ranking de óbitos nacional, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares.

Um dos responsáveis pelo estudo, o professor universitário Renato Couto, revela que apesar de índices tão elevados de mortes nos hospitais brasileiros, existe ainda um outro agravante, a falta de transparência nas informações. Ele defende mais clareza por parte das unidades hospitalares para que se possa traçar planos para enfrentar o problema com chances de vitória. Sem dados realmente honestos é impossível amenizar já que é praticamente impossível resolver de vez um problema tão grave como este que resulta em tantas mortes no Brasil.

Diante de um quadro brutal e estarrecedor se faz necessário que chamemos a atenção para a importância de se fazer um trabalho de requalificação de todo o quadro de servidores da saúde atualmente existente nos municípios brasileiros. Não que todos sejam ineficientes, mas para que todos saibam que estão lidando com vida e que vida é dom de Deus e Ele, somente Ele, pode determinar o fim da missão de cada um de nós aqui na terra.

O enfermeiro quando se forma na faculdade faz juramento prometendo não praticar nenhum ato que coloque em risco a integridade física ou psíquica do ser humano. O médico, por sua vez, jura dedicar a vida ao serviço da humanidade, colocando a saúde e o bem-estar do paciente em primeiro lugar, além de manter o maior respeito pela vida humana. Esses juramentos precisam ser cumpridos fielmente e todos os subordinados a esses profissionais que também trabalham com a saúde precisam atuar com a mesma dedicação e, diga-se de passagem, sob supervisão.

Sabemos do caos da saúde pública, mas é importante salientar que muitas das mortes registradas pelo estudo ocorreram em hospitais particulares, alguns com tratamentos que custam "os olhos da cara". É preciso mais amor ao próximo, mais dedicação naquilo que se faz, afinal de contas a vida é o maior patrimônio do ser humano. Enquanto não se encontra a solução vamos relutando para não acreditar no filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau que antes de morrer em 1778 na França disse a seguinte frase: "Não contesto que a medicina seja útil a alguns homens, mas digo que ela é funesta ao gênero humano".

*Jornalista

edilsonreporter@hotmail.com

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