Ponta Porã, Terça-feira, 16 de janeiro de 2018
06/02/2017 15h50

Artigo: Histórias de uma vida

Por: Tião Prado

Divulgação: Dora Nunes
 
 

Conheci um senhor que já passa dos 85 anos e esta vivendo o melhor de sua idade, participando das atividades que o clube da 3ª idade fornece como bocha, vôlei adaptado, carteado e é, além de tudo, um grande pé de valsa, sempre viaja com os seus colegas, parece um adolescente.

Depois de muito conversa sobre esportes, política, religião e política, percebi que temos muitas coisas em comum e o que mais me chamou atenção naquele senhor cheio de vitalidade foi a sua auto estima e como vibra e torce pelas conquistas de seus amigos, contando-as como se ele próprio tivesse ajudado os amigos a conquistá-las.

Todas as vezes que nos vemos parece que é a primeira vez, pois ele sempre tem uma história nova e cada vez mais eu vejo em seus olhos que mesmo tendo um corpo que demonstra os sinais do tempo, a sua cabeça é de um adolescente, como diz uma amiga, ele tem ‘muita vida, muita vida mesmo’.

Entre uma conversa e outra ele me contou que teve algumas decepções ao longo de sua existência, mas logo concluiu que apesar disso, ficou feliz com tudo o que aconteceu e viveu, pois viu um jogador de futebol profissional, o qual se tornou amigo, ir para o maior rival do seu time; viu o maior ídolo de seu time fazer um grande malabarismo, ir pra Europa e depois voltar e jogar no maior adversário de seu time; viu a pessoa que ele sempre confiou e apoiou politicamente, não corresponder as suas expectativas e a maior de todas, devido a sua separação, não conseguiu conviver com as suas filhas e hoje vive distante dos seus netos.

Tudo que imaginava e como diz a canção de Fábio Junior, ‘brincar de vovô’ com os seus netos, não acontece, apesar de tentar uma aproximação.

Percebi momento vi que as coisas em comum entre nós só aumentava e que quando via os amigos sempre felizes, com conquistas no futebol, na carreira e principalmente na profissão, é porque sempre via um pouco de nós nessas pessoas.

Um dia, entre uma conversa e outra, ele me disse que sua preocupação com os seus semelhantes era tão grande que ele vibrava quando as cadeiras dos jurados do ‘The Voice Kids’ virava para as crianças que estavam ali buscando ser um grande artista no futuro.

Em outra conversa fui até indelicado com ele, perguntando como iria lidar com o fim da vida que estava chegando e que por mais que conseguisse ir adiante, a vida tem um limite e nos vence. Foi quando ele disse que tinha convicção de que isso iria acontecer, apesar de se cuidar, fazer longas caminhadas, não fumar, tomar um vinho de vez em quando e ter uma alimentação regrada, sabia que o fim iria chegar, mas que ele não tem medo da morte.

Fiquei surpreso com a sua fala, mas ele foi mais longe e disse uma frase que ficou famosa na voz de Chico Anizio: "Eu não tenho medo de morrer, eu tenho pena, pena de não viver tudo que ele estava vivendo, ver os filhos e os netos crescendo e vencendo na vida".

Pego para mim as lições e aprendizado que consigo com o meu amigo e vou levando a vida, rindo das dificuldades e dos tropeços e vibrando com as conquistas dos familiares e amigos.

Um dia me perguntaram porque, apesar das dificuldades, eu to sempre sorrindo e fazendo uma piadinha de tudo, ao qual respondi: ‘Se começar a chorar as coisas vão mudar e melhorar, se isso for acontecer, vou viver chorando e reclamando de tudo’. Mas isso não verdade, cada um oferece o que tem. Eu, apesar do meu jeito tosco, gosto de sorrir e vou procurar continuar assim.

Quem sabe chego até os 80, e olha que estou perto, falta apenas 28 anos.

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