Ponta Porã, Quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
09/05/2016 15h30

A crise vai acabar? - Waldir Guerra

Por isso, caro leitor, não se preocupe tanto porque quanto maior a crise – e nesta semana promete ferver muito – mais rapidamente chegará uma solução.

Por: Tião Prado
 
 

A política esquentou muito a semana passada, quase ferveu, mas não se preocupe caro leitor, quando se trata de assunto político, quanto maior a crise, mais apressada fica a solução.

Nesta semana a chaleira vai chiar novamente porque haverá substituição no comando da Presidência da República. A presidente Dilma Rousseff deverá sair e ceder seu lugar ao vice Michel Temer. Mas isso não significa que a crise acabará de pronto. Uma má administração de um país, como vem acontecendo ao Brasil, não se conserta em questão de dias, nem mesmo em meses, o trabalho vai levar anos.

Você é daqueles que não acredita numa possível boa administração do vice Michel Temer? Então ponha suas barbas de molho porque ele pelo menos tem bem mais experiência política que a atual presidente. Não esqueça que Temer foi presidente da Câmara dos Deputados por três vezes. Isso lhe cacifa muito para negociar a aprovação das medidas necessárias para arrancar o país dessa crise.

Depois, não adianta procurar soluções fora do Livrinho – como dizia Ulisses – ou seja: é isso o que temos para o momento. Ficar procurando chifre em cavalo é perda de tempo; então vamos em frente com o que a Constituição nos determina e parar de inventar "golpes" porque até aqui o caminho está sendo indicado por quem tem o dever de zelar pelo cumprimento da Carta Magna. O resto são lágrimas de crocodilo.

O fato de Michel Temer – se assumir a Presidência, claro – entregar a condução financeira do país ao banqueiro Henrique Meirelles já foi uma tacada de mestre, encaçapou duas bolas na mesma jogada: fecha a boca dos lulopetistas e põe um cara duro e competente para consertar a sangria dos gastos no governo federal. Além do mais, Meirelles seria a bigorna para suportar diretamente ataques dos opositores livrando, assim, o presidente.

Esperto, Meirelles já se antecipou e apresentou suas três prioridades: reforma da previdência; racionalização do sistema tributário e teto para gastos públicos.

A Reforma da Previdência talvez seja a mais difícil para aprovar, mas é o mais necessário para evitar um futuro colapso financeiro do Brasil. Além do mais, não seria justo continuar gastando com 1 milhão de aposentados no serviço público, o mesmo que se gasta para sustentar 40 milhões de aposentados do INSS.

Que não vai ser fácil cortar gastos você sabe e eu sei também. Nenhum dos que tiver reduzidos seus vencimentos, ou mesmo suas regalias ficará calado. Aí, sim, veremos as ruas tomadas por protestos – até sem mortadela.

Você lembra que Lula dizia ter recebido de FHC uma herança maldita? Pois é. O que Temer vai receber da presidente Dilma é isso aí. São déficits orçamentários e ainda nesta semana mais um aumento de 9% para a Bolsa Família – Ei, Dilma, por que lembras o Bolsa Família e esqueces os aposentados do INSS?
Mais uma coisa: Temer ainda poderá surpreender indicando o senador Blairo Maggi como Ministro da Agricultura. Seria mais uma tacada de mestre porque Blairo conhece bem todos os problemas da agricultura e vai além, tem trânsito fácil na área internacional do agronegócio, onde o Brasil precisa se firmar mais para continuar crescendo. O agronegócio é o único segmento que vem gerando superávit ao país.

Por isso, caro leitor, não se preocupe tanto porque quanto maior a crise – e nesta semana promete ferver muito – mais rapidamente chegará uma solução.

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federa. (wguerra@terra.com.br)

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