Ponta Porã, Segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
15/09/2015 06h50

A raça humana é uma só - Waldir Guerra

É mais uma tragédia humana em que milhões de retirantes desesperados arriscam suas vidas para salvar suas famílias.

Divulgação (TP)
 
 

Você tem acompanhado pelos jornais, especialmente nas TVs, o drama das famílias que escapam das guerras nos países do norte da África e do Oriente Médio? É mais uma tragédia humana em que milhões de retirantes desesperados arriscam suas vidas para salvar suas famílias.

A imagem do menino sírio de três anos, Aylan Kurdi, encontrado morto na praia certamente também comoveu você. Foi chocante, mas fez o milagre de amolecer os duros corações dos europeus, em especial dos nacionalistas exacerbados como são os que vivem na região dos Bálcãs.

A própria Alemanha onde a primeira ministra, Ângela Merkel, já havia tomado atitudes favoráveis à emigração e havia enfrentado acirrada oposição, não apenas dos partidos contrários, mas de grande parte da população alemã, agora declarou que vai aceitar e legalizar 800 mil pessoas. Ela ainda fez mais: disse que a Alemanha vai abrigar 500 mil a cada ano.

Governante com visão extraordinária Ângela Merkel tomou decisão acertada no lado humanístico, mas sabendo também que esse ato de caridade viria aliviar um problema social já que sua Alemanha tem um índice de natalidade de 1,3 filhos por casal – a Alemanha, assim como a maioria dos países europeus, está se tornando um país de gente velha.

Futuras gerações alemãs, quando já miscigenadas geneticamente com esses imigrantes, certamente lembrarão com carinho de Ângela Merkel. Aos alemães de hoje essa atitude dela também ajuda muito para apagar mais rapidamente os conceitos errados que Hitler tentou implantar com suas pregações sobre a superioridade da raça ariana.

Para esses nacionalistas fanáticos que usam a discriminação racial para fechar suas fronteiras e não aceitar a miscigenação é preciso dizer-lhes que Charles Darwin comprovou com sua teoria da evolução das espécies que o fluxo genético transfere os genes que tendem melhorar a sobrevivência de uma espécie.

A Wikipédia me ajuda dizendo: “Espécie pode ser definida como o agrupamento dos espécimes capazes de compartilhar material genético – usualmente por via sexuada – a fim de reproduzirem-se gerando descendência fértil. A seleção natural é um processo pelo qual características hereditárias que contribuem para a sobrevivência e reprodução se tornam mais comuns numa população enquanto que características prejudiciais tornam-se mais raras”.

Assim, os seres humanos ao se miscigenarem tendem a transmitir os genes bons que carregam no seu DNA. Um nazista certamente não acredita que a miscigenação contribua para a sobrevivência dos seus descendentes, mas para convencê-lo, nem será necessário citar as teorias comprovadas de Darwin, basta citar um fato aqui da nossa terra, Brasil:

As índias brasileiras, especialmente as do povo Xavante, não têm câncer de mama; coisa comprovada. Durante séculos médicos e cientistas de todas as partes do mundo pesquisaram dentro e fora das aldeias a fim de descobrir a causa. Coube a um médico oncologista de Mato Grosso, Guilherme Bezerra, descobrir a causa: as índias brasileiras carregam um gene que as imunizam contra o câncer de mama.

Claro, as índias transmitem sucessivamente esse gene às suas filhas. Assim, os genes bons não estão somente na raça ariana, mas em todas as raças.

A tragédia humana dos que fogem das guerras e querem entrar na Europa pode ser amenizada para os retirantes se os europeus se convencerem que a raça humana é uma só e que todos nós descendemos daqueles que saíram da África a milhares de séculos.

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (wguerra@terra.com.br)

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