Ponta Porã, Quinta-feira, 19 de abril de 2018
24/08/2015 05h50

Investir em Infraestrutura é a saída - Waldir Guerra

Hoje, mais do que em 2013, os mandatários do país estão assustados. Dá para se ver isso por essa agenda positiva apresentada pelo presidente do Senado e o governo federal.

Divulgação (TP)
 
 

O acontecimento político mais importante destes últimos dias é a aliança entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente do Senado Renan Calheiros. No desespero para salvar seu governo a presidente Dilma pede ajuda ao presidente do Senado e juntos formulam uma proposta com 29 projetos para tirar o país do sufoco.

Apesar das manifestações do “Fora Dilma” do dia 16, esse acordo entre a presidente Dilma e Renan continua como prato principal, agora temperado com o indiciamento do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

O deputado Eduardo Cunha está sendo acusado por Rodrigo Janot, procurador geral do MPF, pela suspeita de receber US$5 milhões no esquema de corrupção da Petrobras.

Eduardo Cunha nega as acusações e formou um grupo de deputados que o defendem afirmando que a Câmara nunca trabalhou tanto e que Cunha tornou a Câmara dos Deputados independente e por isso desagradou o Planalto. Esse grupo ainda alega haver um suposto “acordo” entre Procuradoria Geral da República e Planalto para poupar petistas e o presidente do Senado, Renan Calheiros. A PGR nega a seletividade em seu trabalho e o governo refuta a ingerência. É briga grande; não é coisa pontual, mas estrutural.

Por isso prefiro expor hoje a proposta que o Senado e a presidente Dilma apresentaram para tirar o país do sufoco, os tais 29 projetos formulados pelo Senado e aceitos pelo governo.

Um pouco ingênuo sou mesmo, mas idiota não. Porque esses projetos estão me parecendo com aquela baboseira após as manifestações de 2013. Naquela época até Constituinte os políticos propuseram fazer quando se sentiram acuados. Virou tudo em nada.

Hoje, mais do que em 2013, os mandatários do país estão assustados. Dá para se ver isso por essa agenda positiva apresentada pelo presidente do Senado e o governo federal.

Na verdade uma agenda positiva para melhorar as condições da economia nacional nem precisa de 29 projetos – até porque 2/3 desses projetos já tramitam no Congresso. O governo deveria copiar o que China e Estados Unidos fazem para dinamizar suas economias: investir pesado na infraestrutura.

A China nesses últimos anos tem investido muito em sua infraestrutura. Os Estados Unidos sempre fizeram isso e especialmente para enfrentar grandes crises.

O Brasil, assim como a China e os Estados Unidos, tem enorme dimensão territorial e transporta a maior parte de suas cargas pesadas pelas rodovias. Um contra-senso, porque investir maciçamente em ferrovias seria a solução, não só desse, mas de muitos problemas. O maior deles seria a redução dos fretes – e consequentemente a diminuição do propalado custo Brasil. Outro grande benefício seria diminuir a quantidade de caminhões no uso das rodovias.

Investir em trens para o transporte público urbano seria uma boa maneira de baixar o custo das passagens. Hoje os trens participam apenas com 3,8% no transporte urbano; enquanto os ônibus têm 25% e os veículos participam com 39%. Outro contra-senso!

Na semana passada um grande empresário do ramo ferroviário afirmava, em entrevista a jornal, que cidades com eficientes sistemas de transportes sobre trilhos retirariam 1,1 milhão de carros e 16 mil ônibus por dia das ruas. Talvez ele estivesse se referindo à cidade de São Paulo, mas certamente o exemplo serve para todas as grandes cidades, sim.

“Alguém” (você mesmo Temer, ou a própria Dilma; não importa quem) precisa acertar essa questão política e ao mesmo tempo ajustar os gastos do país e depois partir, não para 29 projetos, mas investir na infraestrutura do país para sairmos desse sufoco.

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federa. E-mail: wguerra@terra.com.br

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