Ponta Porã, Segunda-feira, 23 de abril de 2018
02/03/2015 06h50

O malfeito maior é a incompetência - Waldir Guerra

Nem pensar em não dar importância pra roubalheira generalizada que está sendo exposta diariamente pela imprensa.

Divulgação (TP)
 
 

A desgraça maior numa administração pública não são os desvios de recursos do governo para uso em campanhas políticas, e nem mesmo os roubos para enriquecimento próprio, mas a falta de competência do administrador.

Nem pensar em não dar importância pra roubalheira generalizada que está sendo exposta diariamente pela imprensa. Também sem essa de perdoar como muitos perdoam administradores públicos corruptos com a alegação de que: “rouba, mas faz”. Nada disso.

O que importa é o tamanho do “malfeito” – desculpe, mas vou usar a expressão da presidente Dilma – para afirmar que o mal maior feito a Petrobras não foram as roubalheiras que agora se denunciam; nem seu aparelhamento político, mas a incompetência na administração dela.

Não adianta ficar esperando o julgamento final da Justiça porque, cá pra nós, como a administradora Dilma Rousseff pensa em ficar de fora dessa parada? Além de ter indicado sua amiga, Graça Foster, para presidir a Petrobras, ainda esteve na presidência do seu Conselho. É por conta disso tudo que a possibilidade de um impeachment dela está sendo comentada por quase todos os grandes jornais do país.

Para confirmar que temos a mesma dimensão de importância que a incompetência tem sobre os demais malfeitos cometidos com a Petrobras, transcrevo aqui parte de um artigo do jornalista Helio Schwartsman da Folha de S. Paulo; o jornalista cita o Código do Consumidor em seu art.37 que reza: “É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva”. E ainda diz que se o código se aplicasse a políticos, Dilma estaria sujeita a detenção de três meses a um ano e multa. E conclui dizendo, “A essa altura acho que até petistas convictos estão convencidos de que a campanha eleitoral de Dilma foi mentirosa”.

Agora vejo o economista Delfin Neto, homem que conhece muito bem os meandros de uma administração pública, especialmente a área econômica, meio descrente dizer que espera apenas pela sorte.

Delfin que vem alertando para que os ajustes propostos pelo ministro Joaquim Levy sejam aprovados para que o país não caia num abismo; ele também, em artigo na Folha de S.Paulo, disse na semana passada: “Como é absolutamente evidente, as condições necessárias para que o “ajuste” seja bem-sucedido são a credibilidade e convicção do poder incumbente, a qualidade do programa e a reconhecida competência (o grifo é meu) dos encarregados de sua execução. Não há condição suficiente para garantir o seu sucesso, a não ser, talvez, a sorte...”. (Putz! Parece que nem o Delfin está acreditando mais neste governo).

Realmente, também não acredito mais nessa administração incumbente – expressão usada pelo ex-ministro Delfin Neto para designar o governo da presidente Dilma. Não dá para esquecer que ela esteve à frente deste governo nestes últimos 12 anos. Não foram apenas quatro anos, foram doze e de muita incompetência.

É possível sua administração aguentar mais quatro anos assim, no jeito dela? Sinceramente, não. E se ela entregar totalmente a área econômica e financeira ao Joaquim Levy como parece estar fazendo? Mesmo assim ficaria muito difícil seu governo, o povo não acredita mais nela porque ela mentiu e abusou de publicidade enganosa para vencer a eleição.

Então, sou a favor do impeachment? Não, a melhor solução para o país seria o seu afastamento sem traumas, uma renúncia, por exemplo – assim como fez o papa Bento XVI – e completarmos este mandato com o Vice. Penso assim porque doze anos de incompetência comprovada é um malfeito maior que toda essa roubalheira na Petrobras.

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. E-mail: wguerra@terra.com.br

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