Ponta Porã, Quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
16/03/2015 11h20

Orgulho nacional - Waldir Guerra *

Se o brasileiro já não tinha lá tanto orgulho de seus representantes no Congresso, hoje também não sente mais orgulho da sua Presidente – estão aí as manifestações contra ela deste domingo para confirmar minha afirmação.

Por: Tião Prado
 
 

Nós brasileiros sempre demonstramos ter orgulho de muitas coisas do nosso país. É no futebol; na grandeza do nosso Carnaval; na imensidão da Amazônia; na beleza deslumbrante de nossas praias tropicais; na nossa música e, sobretudo, na alegria e espontaneidade das pessoas.

Não que sejamos soberbos, mas dizemos com certo orgulho que Deus é brasileiro. Não imagino de onde vem essa mania, se desde os tempos que os portugueses dominavam as descobertas marítimas, ou então, de uns tempos pra cá e apenas para fazer um contraponto à arrogância dos vizinhos argentinos; sei lá.

Mas você também percebe que ultimamente quase não se vê alguém usar essa expressão, não é mesmo? Você já se deu conta disso? Será que as pessoas já não estão se sentindo à vontade para dizer que Deus é brasileiro? Você até pode discordar, mas vejo hoje o brasileiro como aquele torcedor, meio cabisbaixo,no dia seguinte após derrota do seu time do coração.

Isso mesmo! Começo por aí, pelo futebol. Teve decepção maior para os brasileiros do que a derrota de 7x1 para a Alemanha? Nem mesmo a derrota para o Uruguai em 1950 – perdemos apenas por 2 x1 – pode fazer comparação à humilhação do ano passado. Afinal, depois da derrota de 1950 em casa ganhamos cinco Copas do Mundo. Somos pentacampeões, o país que mais venceu e o único país que participou de todas as copas da FIFA.

Foi a partir de 1958 quando vencemos a nossa primeira Copa do Mundo na Suécia que o Futebol passou a ser um grande orgulho nacional. Foram 56 anos, com muitas vitórias, grandes craques, que o Brasil conquistou o respeito do mundo. Com 7x1 da Alemanha no ano passado, o brasileiro perdeu isso tudo e também muito desse orgulho com o futebol.

A Petrobras criada em 1953, por Getúlio Vargas, sempre foi motivo de orgulho para todos os brasileiros. Nos últimos doze anos ela foi aparelhada politicamente pelo atual governo do Brasil. Agora deixou de ser motivo de orgulho, até pelo contrário, hoje ele não se conforma em ter perdido esse orgulho tão bem cultivado nesses mais de 60 anos da empresa.

Não vou afirmar que os brasileiros, em sua maioria, se orgulharam um dia do seu Congresso Nacional, mas dá para dizer que tinham respeito por deputados e senadores. Há hoje uma acusação do Procurador Geral da República aos presidentes das duas Casas do Congresso Nacional e por mais de trinta outros congressistas. Se o povo já não sentia orgulho por congressistas, agora fatalmente perderá também o respeito que nutria por eles.

Respeito é o que o brasileiro sempre teve pelo outro Poder, a Justiça. Orgulho não seria a palavra correta que deveria usar, mas com certeza posso afirmar que Confiança, sim. Sempre se disse que decisão Judicial não se discute, se cumpre. Contudo, alguns maus exemplos, como o patrocinado pelo juiz que levou pra casa automóvel do empresário Eike Batista estão minando a confiança dos brasileiros no Judiciário.

Se o brasileiro já não tinha lá tanto orgulho de seus representantes no Congresso, hoje também não sente mais orgulho da sua Presidente – estão aí as manifestações contra ela deste domingo para confirmar minha afirmação.

Manifestações que pedem mudanças e a primeira que o povo necessita é que lhe seja restabelecido algum orgulho nacional para não perder sua principal característica: a alegria. Comecemos pelo mais simples, por exemplo, fazer que o brasileiro tenha orgulho da assistência com sua saúde; ou com sua mobilidade urbana. Assim mesmo, com coisas simples para que ele continue alegre e feliz.

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Governo e deputado federal. E-mail: wguerra@terra.com.br

Envie seu Comentário