Ponta Porã, Segunda-feira, 23 de abril de 2018
12/12/2016 05h30

Uma travessia difícil por Waldir Guerra

Difícil; sim, muito difícil. É como atravessar o Mar Vermelho. Depois ainda teremos a travessia do deserto.

Por: Tião Prado
 
 

Difícil; muito difícil para nós brasileiros acharmos uma boa solução para cada um dos tantos problemas que precisamos enfrentar. Estamos assim: sem saber por onde começar.

Pra piorar as coisas, o imbróglio da semana passada entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, nos mostrou que além de estarmos no fundo do poço, o balde quase caiu sobre nossa cabeça.

Veja isso: faltando poucos dias para o recesso do Congresso e consequentemente o término do mandato do presidente do Senado Federal o ministro Marco Aurélio Mello do STF ordenou o afastamento do senador Renan Calheiros tanto da presidência do Senado quanto da linha sucessória da Presidência da República. Por que fez isso? Por que cutucar onça ferida? Até hoje ainda não entendi o porquê disso.

A reação foi imediata e não apenas do presidente do Senado, mas dos demais senadores que apoiaram Renan quando ele se negou a assinar a intimação.

Minha opinião para esse caso é a mesma do jornalista Demétrio Magnoli de que um princípio básico tem que ser observado: "somente os eleitos têm a prerrogativa de dispor do mandato dos eleitos". Outro jornalista, Reinaldo Azevedo, foi na mesma linha ao alertar o ministro Marco Aurélio Mello que para fazê-lo, antes disso, teria o dever de renunciar à toga e de disputar eleições.

Mas não foi baseado nesse princípio que fez o Plenário do Supremo reformar a sentença e fazer "uma meia-sola" à decisão do ministro Marco Aurélio Mello; foi uma negociação entre os Poderes e intermediada justamente pelo vice-presidente, senador Jorge Viana – que assumiria a Presidência do Senado em caso do afastamento de Renan – e a presidente do STF, ministra Cármem Lúcia.

Veja bem: tramita no Senado uma PEC (que limita os gastos da União) e precisa ser aprovada ainda neste ano e com Renan como presidente a sua aprovação estaria acertada, mas certamente não aconteceria se a Presidência caísse nas mãos do Vice que é petista – você está vendo a oposição ferrenha que o PT faz ao governo de Michel Temer, por isso, nem é preciso explicar tanto, acredito.

Superado esse imbróglio agora precisamos torcer pela aprovação da PEC que limita os gastos e iniciarmos a discussão da Reforma da Previdência que, essa sim, se bem feita poderá recolocar o Brasil na trilha do crescimento novamente.

Para os que não acreditam na gravidade dessa crise e também para aqueles que ainda insistem em dizer que o atual governo vai acabar com a saúde e educação é bom que reparem na questão financeira dos Estados brasileiros que já não conseguem pagar seus funcionários. Atentem para o aumento da criminalidade, um reflexo da falta de empregos, pois cria o desespero nas pessoas.

Se a grande maioria se conscientizar da necessidade de que o país se ajuste financeira e economicamente como os demais países no mundo, então, não tem tanta importância que uma minoria seja contrária e faça, inclusive, estardalhaços e gritaria contra o governo.

O Brasil desmoronou e precisa ser construído novamente. A limpeza dos escombros está sendo feita pela Lava Jato que vai preparar uma nova geração de políticos desligados do próprio umbigo e voltados para as causas comuns.

Ainda temos quase dois anos para fazer as reformas necessárias e deixar o país pronto para recuperar a economia e criar muitos empregos, coisa que somente irá acontecer quando forem iniciadas as obras de infra-estrutura.

Difícil; sim, muito difícil. É como atravessar o Mar Vermelho. Depois ainda teremos a travessia do deserto.

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal (wguerra@terra.com.br)

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