Ponta Porã, Quinta-feira, 19 de abril de 2018
11/04/2017 15h42

A lenda da maldição do Urutau o Pássaro Fantasma.

*Yhulds Giovani Pereira Bueno

Divulgação: Dora Nunes
 

As lendas ou causos são fatos repassados ao longo das gerações, nos campos ou nas cidades despertam a curiosidade de quem escuta essas estórias cheias de mistérios rodeados de eventos sobrenaturais de outras épocas onde a crença era diferente por assuntos ocultos.

Quem nunca ouviu um causo, uma história bem contada cheia de fatos cercados de mistérios na sua infância, por aqueles que as vivenciaram ou cresceram escutando esses causos e lendas, de muitos personagens que um dia passaram por esta essa fronteira, marcada por acontecimentos épicos, já a muito esquecido, mas ainda vivo na lembrança desses fronteiriços, que hoje são saudosos da vida simples que ficaram gravadas em sua memória.

...Existe entre la historia y el folklore una secreta analogía con el destino de dos hemanos gemelos que se repelen. Una es la hermana rica. El outro pobre. Em ambos, sin embargo, corre la misma sangre humana. Fue necessário que surgiese uma nueva orden de cosas para que las tradiciones de los cinentíficos.....y, desde entoces, junto a la historia, toda civilizacíon fue revelada em su aspecto popular y tradicional. Apud (Joaquim Ribeiro, Pialando... No Mas, SEREJO, Hélio, 1989).

A epígrafe acima serve para dar inicio a temática de mais um causo, lenda da região de fronteira em especial de Ponta Porã com Pedro Juan Caballero, uma narrativa histórica de um desses causos cercados de mistério, que os antigos tinham respeito, todos aqueles que as vivenciaram ou cresceram escutando causos e lendas procuram repassar para as novas gerações, para manter viva na lembrança dos fronteiriços, fatos que pouco atraem aos mais jovens, mas deixam os mais velhos saudosos de uma época onde a vida era de certa maneira mais simples.

 
Créditos da imagem web divulgação http://luis.impa.br/photo/1501_aves_pnsb/. Segundo pesquisadores, nas crenças populares espalhadas pelo Brasil, O urutau é tido como nobre pelos moradores rurais por simbolizar força e pela forma como se protege dos perigos e dos predadores. A ave, por seu canto, figura entre várias lendas. Segundo os sertanejos, o urutau aparece na hora em que a lua nasce e seu canto triste se assemelha a “foi, foi, foi...”. Créditos da imagem web divulgação http://luis.impa.br/photo/1501_aves_pnsb/. Segundo pesquisadores, nas crenças populares espalhadas pelo Brasil, O urutau é tido como nobre pelos moradores rurais por simbolizar força e pela forma como se protege dos perigos e dos predadores. A ave, por seu canto, figura entre várias lendas. Segundo os sertanejos, o urutau aparece na hora em que a lua nasce e seu canto triste se assemelha a “foi, foi, foi...”.

Uma lenda diz que o pássaro é alguém que perdera seu amor. Por isto, ele teria o nome de pássaro-fantasma. Outros dizem que o canto da ave é um presságio ou aviso de morte de algum familiar. Identificado também, pela sua maneira de pousar em tocos, como "EMENDA-TÔCO". Alguns pesquisadores argumentam que o nome da ave vem da união de duas palavras do guarani: guyra (ave) e taú (fantasma). Outros dizem que o nome é uma onomatopeia para o canto do pássaro: urutau, urutau, em notas graves e decrescentes.

Esta narrativa resgata a lenda da maldição do Urutau que é conhecida na fronteira de Pedro Juan Caballero (PY) com Ponta Porã (BR). Segundo essa lenda o Urutau era um jovem garboso, e muito bem apessoado, pelo seu jeito galanteador sempre fazia sucesso nos bailes e reuniões da região, como nesse tempo tudo era distante, para poder frequentar um bom baile ou reunião familiar, só se fosse convidado, nesse período rural da história fronteiriça, poucas casas existiam na cidade, a maior parte da população vivia no campo onde os grandes eventos aconteciam nas fazendas e estâncias da região.

Esse jovem sempre era convidado para evento, por ser um bom dançarino, culto, de boa conversa que alegrava quem escutava seus assuntos, além de fazer um grande sucesso entre as donzelas (moças) da região, mas esse jovem era filho único, seu pai morrera, ficando ele responsável para cuidar da fazenda e da sua mãe uma mulher já de idade, adoentada pelos anos da vida no campo.

 
Arquivo pessoal de Deidamia Amarilha Godoy: Foto década de 50 na fazenda pertencente na época do Drº Henrique Grion, localizada na região do “guaymbé” próximo a lugar denominado “naranja hai” que quer dizer (laranja azeda). Na imagem Deidamia segurando sua filha Maura Lucia Bueno neste período com poucos meses de vida Arquivo pessoal de Deidamia Amarilha Godoy: Foto década de 50 na fazenda pertencente na época do Drº Henrique Grion, localizada na região do “guaymbé” próximo a lugar denominado “naranja hai” que quer dizer (laranja azeda). Na imagem Deidamia segurando sua filha Maura Lucia Bueno neste período com poucos meses de vida

Ao passar dos anos esse jovem ficou noivo e se casou, levando sua esposa para morar em seu rancho juntamente com sua mãe já idosa, mas sempre saudoso do tempo em que o mesmo era convidado para frequentar os eventos da região os famosos bailes.

 
Arquivo pessoal de Deidamia Amarilha Godoy: Foto década de 50. Empreitada para formação de novas pastagens na fazenda pertencente na época do Drº Henrique Grion, localizada na região do “guaymbé” próximo a lugar denominado “naranja hai” que quer dizer (laranja azeda). Na imagem da esquerda para direita, Godofredo Sady Bueno, seu pai Gumercindo Bueno (in memoriam) juntamente com os peões e os cachorros perdigueiro que o auxiliavam. Arquivo pessoal de Deidamia Amarilha Godoy: Foto década de 50. Empreitada para formação de novas pastagens na fazenda pertencente na época do Drº Henrique Grion, localizada na região do “guaymbé” próximo a lugar denominado “naranja hai” que quer dizer (laranja azeda). Na imagem da esquerda para direita, Godofredo Sady Bueno, seu pai Gumercindo Bueno (in memoriam) juntamente com os peões e os cachorros perdigueiro que o auxiliavam.

Certa vez fora convidado para um grande baile, um grande casamento aconteceria de uma família rica da região, todos os vizinhos estancieiros foram convidados, mas o jovem não poderia ir, pois sua mãe estava muito doente e necessitava de cuidados médicos, que só existia na cidade, ela não poderia ir, pois a viajem era longa e sua mãe poderia morrer durante o trajeto.

O jovem deixou sua esposa cuidando de sua mãe e foi em busca de ajuda médica se vestiu bem alinhado e seguiu seu caminho, caminhos este que passava justamente pelo grande baile a grande festa, não resistindo o jovem apeou do seu cavalo e adentrou pelo salão do baile e se pós a dançar e festar, relembrando os tempos de festeiro, a festa durou uma noite e um dia, nesse tempo o jovem esquecera-se do compromisso principal, que era de levar junto a sua mãe um socorro médico, mas durante o festejo, segundo conta à lenda o jovem foi surpreendido pela chegada de sua esposa, que com olhar triste e decepcionada com o jovem lhe avisou que ele não precisava, mas se preocupar em levar socorro médico para sua mãe, ele espantado questionou, por quê?

 
Ponta Porã Linha do Tempo. Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto década de 40. Acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã na década de 40. Itrio Araújo e amigos  músicos se preparando para realizar mais um baile no “Maemi na região fronteiriça. Ponta Porã Linha do Tempo. Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto década de 40. Acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã na década de 40. Itrio Araújo e amigos músicos se preparando para realizar mais um baile no “Maemi na região fronteiriça.

Ela chorosa no meio do salão onde todos escutavam tal lamento, lhe disse sua mãe faleceu hoje pela manhã, louco por saber o que tinha acontecido e pela culpa que corroía seu peito, se pôs a correr como louco por campo aberto, todos no baile procuraram o jovem dia e noite, ele nunca mais fora encontrado.

Segundo os antigos, como castigo o espirito da floresta transformou o jovem em um pássaro, como gostava de festejos e bailes que aconteciam sempre à noite, ele como pássaro só poderia sair ao anoitecer, e passar a vida como uma ave sozinha pelos campos e matas sempre a se lamentar, pousando no tronco seco das árvores sempre com seu canto triste por não ter ajudado a salvar sua mãe, se lamentando para lua sua única companheira nas noites de solidão, essa é a lenda da maldição do urutau.

Se for verdade ou não, fica este mais um causo da região. Respeitar as crenças dos antigos e respeitar a memória de um povo, pois um povo sem memória é um povo sem história.

 
Pesquisador: Prof. Yhulds Giovani Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federais). Professor da Rede Municipal de Educação. Prof. Tutor das Faculdades Anhanguera Polo Ponta Porã MS. Pesquisador: Prof. Yhulds Giovani Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federais). Professor da Rede Municipal de Educação. Prof. Tutor das Faculdades Anhanguera Polo Ponta Porã MS.

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