Ponta Porã, Terça-feira, 23 de janeiro de 2018
27/11/2017 09h

16 dias de ativismo contra violência de gênero começaram sábado (25)

Data marca o Dia Internacional para Eliminação da Violência a Mulheres; relatório do Pnud e da ONU Mulheres mostra que América Latina e Caribe é região mais violenta do mundo para mulheres

Rádio Onu
 
 

Deste sábado, 25 de novembro, Dia Internacional para Eliminação da Violência a Mulheres, e até o Dia dos Direitos Humanos, em 10 de dezembro, a ONU marca 16 dias de ativismo contra a violência de gênero.

O período busca mobilizar ação para acabar com a violência a mulheres e meninas em todo o mundo.

Não esquecer ninguém

Neste ano, os 16 dias de ativismo serão marcados com o tema geral de "não deixar ninguém para trás", ou "não esquecer de ninguém", princípio central da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Como em anos anteriores, a cor laranja estará presente em todas as atividades. Marcos e prédios famosos serão iluminados de laranja para chamar atenção global à questão da violência a mulheres e meninas.

Estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, iluminada de laranja como parte dos 16 dias de ativismo para acabar cm a violência a mulheres. Foto: Unic Rio/Celio Duraes

Em um evento comemorando a data na quarta-feira, na sede da ONU, o secretário-geral, António Guterres, disse que é hora de promover a ação coletiva da comunidade internacional para acabar com a violência contra mulheres e meninas para sempre.

América Latina e Caribe

Também na quarta-feira, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, e a ONU Mulheres lançaram um relatório que faz um alerta: apesar de políticas para erradicar a violência de gênero, a América Latina e Caribe é a região mais violenta do mundo para mulheres.

O documento foi lançado no Parlatino, o parlamento regional, no Panamá, com mais de 120 legisladores. Segundo o relatório, o número de países com políticas nacionais de proteção às mulheres aumentou de 24, ou 74%, em 2013 para 31, ou 94%, em 2016. No entanto, a região continua sendo a mais violenta do mundo para as mulheres.

Em Nova Iorque, a ONU News conversou com a chefe da comunicação do Pnud na América Latina e Caribe, Carolina Azevedo.

"Isso é um dado muito importante do relatório porque ele faz um chamado, não adianta ter as políticas. O compromisso tem que ir da política à ação, por isso que ele foi lançado junto a parlamentares de toda a região. Ele fala isso, apesar dos avanços nas políticas nacionais, os dados são muito fortes. De acordo com o Observatório de equidade de gênero da região, o número de homicídios contra as mulheres, chamados femicídios ou feminicídios, está aumentando, na verdade. Duas de cada cinco mortes são resultado de violência doméstica".

Além disso, o relatório afirma ainda que quase 30% das mulheres já foram vítimas de violência por parte de seu companheiro, e 10,7% foram vítimas de violência sexual que não do companheiro, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS.

Recomendações

"Para enfrentar o problema, o relatório recomenda abordar os problemas de proteção às mulheres num âmbito político mais alto, com mais investimento, enfoque mais integral, maior cooperação e mais cooperação entre as diferentes partes dos governos, no âmbito nacional, regional e também no âmbito local".

O relatório defende: a criação de pactos sociais entre governos, setor privado e sociedade civil; planos nacionais em nível local e políticas com foco multidimensional; fortalecimento das ações de compensação às vítimas, especialmente aquelas que fortaleçam seu empoderamento econômico; e o trabalho com os homens, especialmente os jovens, para integrá-los como parceiros na luta para pôr fim à violência contra as mulheres.

Na entrevista à ONU News, a chefe da Comunicação do Pnud para América Latina e Caribe falou ainda sobre a questão da participação das mulheres nos Parlamentos.

"Isso é um dado empírico: quando você tem mais mulheres no Parlamento, as questões das mulheres são abordadas num âmbito mais elevado. A América Latina e o Caribe como um todo não estão tão mal se você comparar com outras regiões do mundo, é mais ou menos uns 23%, mas você tem disparidade entre os países. Por exemplo, o Brasil, é um dos países do mundo com menos proporção de mulheres no Parlamento".

O lançamento do relatório do Pnud e da ONU Mulheres é parte da campanha "UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres", que reúne vários organismos das Nações Unidas.

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