Ponta Porã, Domingo, 25 de fevereiro de 2018
15/01/2018 17h30

Cresce número de mães adolescentes em Dourados.

Dos quase quatro mil partos realizados pelo HU, 12,58% eram de mães com idades entre 12 e 17 anos.

Jornal O Progresso
 
 
(Foto: Divulgação). (Foto: Divulgação).

No ano de 2017, Dourados registrou o nascimento de quase quatro mil crianças em partos realizados no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU- UFGD). Os dados mostram que desses procedimentos, 367 estavam relacionados a gestantes com idades entre 12 e 17 anos.

Ao todo, entre janeiro e novembro de 2017 foram realizados 451 atendimentos gestacionais entre adolescentes. Desses, 367 nascimentos obtiveram êxito. No ano anterior, o hospital realizou 322 partos entre meninas de 12 a 17 anos e em 2015 foram 302.

Segundo a psicóloga Vanessa Figueiredo, a ausência de informação sobre vida sexual e a vulnerabilidade na fase da adolescência, que é considerada um período de transição da dependência infantil para a independência adulta, resulta claramente nos casos de gravidez precoce. "O adolescente não sabendo lidar com as pulsões acaba iniciando a vida sexual de forma precoce e pode estar sujeito à gestação quando há falta de informação necessária" pontuou.

A especialista destacou que a gravidez nessa idade pode gerar angústias intensas no emocional do casal adolescente, principalmente da gestante. "Diante de uma vida cheia de oportunidades, viagens para realizar, cursos para fazer, passeios e novas experiências, a maternidade sempre resulta na idéia de ‘minha vida acaba aqui’, e nesses momentos é importante a presença e apoio da família", afirmou a psicanalista.

Vanessa ressaltou que a família tem um papel importante no processo gestacional. "A influência da família é inegável. O acolhimento dos pais após o descobrimento desse novo desafio torna bem mais leve para a jovem mãe" afirmou.

Uma dourasense de 17 anos, contou ao O PROGRESSO que engravidou aos 15 anos, fruto de um relacionamento amoroso de um ano. Ela relatou que quando descobriu a gravidez teve que se ausentar da escola logo aos quatro meses de gestação devido a sobrecarga dos estudos conciliados ao trabalho.

Quando descobriu a gravidez da filha, a mãe da adolescente resistiu à ideia, porém, apoiou a filha e hoje "não desgruda mais do netinho de um ano e sete meses" afirmou a jovem. Agora, casada com o pai da criança, a moça disse encarar a vida adulta com a responsabilidade que a função de mãe lhe impõe.

Brasil/Mundo

Dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos do Ministério da Saúde, divulgados no ano passado, apontam que em 2015 nasceram 574 mil crianças de mães com idades entre 10 e 19 anos. O relatório também aponta que em todo o mundo, uma a cada cinco mulheres será mãe antes de atingir a adolescência.

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