Ponta Porã, Domingo, 20 de maio de 2018
26/01/2018 09h

Bitcoin é ideia inteligente', mas enfrenta bolha, diz Nobel de Economia que previu crise de 2008

Ganhador do Nobel de Economia em 2013 por trabalho de prever comportamento de mercados financeiros, Robert Shiller participou do Fórum Econômico Mundial.

G1
 
 
Robert Shiller, um dos ganhadores do Nobel, participa de coletiva de imprensa nesta segunda (Foto: Reuters) Robert Shiller, um dos ganhadores do Nobel, participa de coletiva de imprensa nesta segunda (Foto: Reuters)

O economista Robert Shiller, ganhador do Nobel de Economia, afirmou que o bitcoin é uma "ideia inteligente", mas que a moeda não é um "recurso permanente em nossas vidas" nesta quinta-feira (25), durante o Fórum Econômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça.

O professor da Universidade de Yale (EUA) foi premiado em 2013 por seu trabalho acadêmico para prever como mercados financeiros se comportam. Ele recebeu o Nobel ao lado de outros dois economistas norte-americanos, Eugene F. Fama e Lars Peter Hansen.

Experimento interessante

Ele participou de um painel para discutir se o bitcoin enfrenta uma bolha especulativa ou não. Ele chegou a elogiar a moeda.

"O bitcoin é uma ideia inteligente. Ele se tornou viral como uma moeda, mas não vai se estabilizar. É um experimento interessante, mas não é um recurso permanente para as nossas vidas", afirmou Shiller. Outros participantes não foram tão benevolentes com a moeda digital. "O dinheiro é uma convenção social", afirmou Cecilia Skingsley, do Banco Central da Suécia, o mais antigo do mundo. "Tem que ser estável de uma perspectiva do consumo e tem de haver gente suficiente preparada para aceitá-lo. Na minha visão, as criptomoedas não se encaixam nesses critérios."

Apesar disso, ela afirma que o bitcoin não representa um risco de ser o protagonista da próxima crise financeira.

Bitcoin é bolha?

Antes de receber o Nobel há 5 anos, Shiller já era uma celebridade no mundo econômico. Ele criou um índice que acompanha os preços dos bens imobiliários nos Estados Unidos. Chamado de "Case-Shiller", o indicador é publicado mensalmente pela agência de classificação de risco Standard and Poor's.

Usando esse índice, ele previu a turbulência financeira mundial, que nasceu com uma bolha imobiliária nos EUA. Antes da crise dos subprimes explodir, entre 2007 e 2008, ele já afirmava que o setor financeiro americano alimentava uma bolha especulativa ao aceitar imóveis como garantia de empréstimos concedidos a gente sem condições de pagar.

Apesar de achar o bitcoin uma ideia interessante, Shiller acredita que a moeda digital está envolta "em todos os aspectos de uma bolha". "Envolve histórias contagiantes de gente ganhando dinheiro e coisas assim." A cotação do bitcoin chegou a uma cotação de quase US$ 20 mil em dezembro de 2017, depois de iniciar o ano sendo vendido abaixo dos US$ 1 mil.

Apesar de ser especialista em analisar como ações, dólar e outros ativos flutuam, o economista acredita que a variação do bitcoin é impossível de prever.

"Quando as pessoas me perguntam, 'Eu devo investir em bitcoin?', eu respondo com outra pergunta, 'no curto ou longo prazo?'."

Para ele, as pessoas deveriam se concentrassem nas possibilidades tecnológicas do bitcoin. "Eu queria que as pessoas se sentissem menos entusiasmadas em ganhar dinheiro com bitcoin."

O foco do mundo, diz Shiller, deveria ser a "blockchain", tecnologia que faz o bitcoin funcionar. Ela é uma corrente de blocos, em que todas as transações feitas com a divisa são registradas e protegidas com uma forte camada de criptografia.

 

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