Ponta Porã, Quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
31/07/2017 06h30

Reduções nos orçamentos fazem universidades federais de MS cortarem despesas e limitarem investimentos

UFGD sofreu corte de 40% nos recursos para investimento e 15% para o custeio e a UFMS de 6% para o custeio e de 50% na verba para investimento.

G1 MS
 
 
Orçamento da UFGD para 2017 deve cair de R$ 44,434 milhões para R$ 36,730 milhões, 17% a menos segundo a instituição (Foto: UFGD/Divulgação) Orçamento da UFGD para 2017 deve cair de R$ 44,434 milhões para R$ 36,730 milhões, 17% a menos segundo a instituição (Foto: UFGD/Divulgação)

O corte orçamentário determinado pelo governo federal este ano em razão da crise econômica que fez a arrecadação despencar já está causando prejuízos ao trabalho das universidades federais do estado. Entre as principais situações apontadas pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) ao G1 estão a redução de despesas e a limitação de investimentos.

Na UFGD, por exemplo, segundo a Pró-Reitoria de Avaliação Institucional e Planejamento (Proap), de um orçamento para 2017 de R$ 44,434 milhões para o custeio, investimento e ainda arrecadação própria, a instituição deve contar somente com R$ 36,730 milhões, o que representa 17% a menos que o previsto. O maior corte, conforme a instituição foi na área de investimento, 40%, que tinha orçamento inicial para o ano de R$ 4,154 milhões e deve receber somente R$ 2,492 milhões. No custeio a redução deve chegar a 15%, caindo de R$ 36,851 milhões para R$ 31,323 milhões, ou seja, R$ 5,527 milhões a menos.

A Proap aponta que os cortes nas ações de funcionamento das universidades estão ocorrendo desde 2014, mas ficaram mais dramáticos este ano e atingem a instituição em um momento em que ela está em processo de expansão e com aumento do número de alunos.

A Pró-Reitoria destaca ainda que desde meados de 2015 a atual administração da UFGD tem feito ajustes com base na conjuntura apresentada e que já ocorreram readequações nos gastos e nas prioridade das ações da universidade a fim de não paralisar a instituição, de modo que vários contratos foram revistos e serviços não essenciais foram reduzidos e em alguns casos cortados.

Uma das alternativas utilizadas, conforme a instituição tem sido a busca por parcerias no setor privado, a com o estado e com municípios. Mesmo com esse esforço a universidade revela que os cortes no orçamento provocaram prejuízos.

"Com relação as ações de funcionamento geral da universidade como limpeza, vigilância, manutenção e energia estão entre os mais prejudicados. Com relação as áreas finalísticas, a extensão e a pesquisa foram muito atingidas. Os programas de pós graduação receberam menos da metade do recurso previsto, se comparado ao ano anterior. Os afastamentos de estudantes de pós-graduação para cursarem seus estudos em outros países, como intercâmbio acadêmico, praticamente acabou e as bolsas para estudantes de mestrado e doutorado disponibilizadas não atendem as demandas. As atividades de ensino também são prejudicados na medida que os recursos para investimentos e custeio não permitem a construção de uma infraestrutura capaz de atender a formação dos estudantes na sua plenitude", ressalta a Proap.

 
UFMS aponta que este ano sofreu um corte de 6% nos recursos para o seu custeio e de 50% na verba para investimentos (Foto: Arquivo/Fernando da Mata/G1 MS) UFMS aponta que este ano sofreu um corte de 6% nos recursos para o seu custeio e de 50% na verba para investimentos (Foto: Arquivo/Fernando da Mata/G1 MS)

Já a UFMS não revelou números ao G1, mas também destacou que os cortes afetaram a instituição. De acordo com a universidade, o orçamento para custeio foi reduzido em 2017 em 6% frente ao de 2016 e o para investimentos em 50%.

Outro reflexo atestado pela UFMS e que também foi registrado pela UFGD foi a liberação d eforma parcelada dos recursos do orçamento deste ano. As duas instituições apontaram a liberação até julho de somente 70% do valor previsto para o ano.

A UFMS destaca ainda que entre as medidas adotadas para adequar o trabalho da instituição a nova realidade financeira está a revisão dos contratos para o funcionamento da estrutura, como os das áreas de manutenção, limpeza e apoio administrativo. "Também não deu início as novas obras em 2017, priorizando a conclusão das obras em andamento e a otimização dos recursos e espaços físicos", concluiu a universidade.

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