Ponta Porã, Segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
27/01/2018 06h30

Malas que armazenavam R$ 51 milhões em bunker atribuído a Geddel são entregues ao STF

Quantia foi encontrada pela PF no dia 5 de setembro do ano passado, em um imóvel no bairro da Graça, área nobre de Salvador.

G1
 
 
PF faz buscas em endereço de Salvador que seria, supostamente, utilizado por Geddel Vieira Lima como “bunker” para guardar dinheiro em espécie (Foto: Divulgação/PF) PF faz buscas em endereço de Salvador que seria, supostamente, utilizado por Geddel Vieira Lima como “bunker” para guardar dinheiro em espécie (Foto: Divulgação/PF)

uatro meses após ter recebido da Justiça Federal as investigações sobre Geddel Vieira Lima, preso no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, o Supremo Tribunal Federal (STF) teve acesso às malas que armazenavam R$ 51 milhões e que foram encontradas em um bunker, em Salvador, atribuído ao ex-ministro baiano.

As nove malas, vazias, foram entregues pela Policía Federal ao STF na quarta-feira (24). A informação foi confirmada ao G1 pela assessoria do Supremo na tarde desta sexta (26).

As caixas e malas de dinheiro encontradas pela PF no dia 5 de setembro do ano passado estavam em um imóvel que fica na Rua Barão de Loreto, no bairro da Graça, área nobre da capital baiana.

De acordo com a polícia, à época, os valores apreendidos foram transportados a um banco, onde o dinheiro foi contabilizado por sete máquinas, e depositado em conta judicial.

O apartamento teria sido emprestado ao ex-ministro para que guardasse os pertences do seu pai, já falecido. Durante as investigações sobre Geddel, surgiu a suspeita de que ele estava usando o local para esconder provas de atos ilícitos e dinheiro em espécie.

O G1 também tentou contato com a Policía Federal nesta sexta-feira, mas o órgão disse que não divulga informacões sobre investigações em andamento.

STF

Em setembro de 2017, o juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, remeteu ao Supremo Tribunal Federal as investigações sobre o ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília.

O motivo da transferência do caso para o Supremo são os indícios encontrados nas investigações em relação ao irmão de Geddel, Lúcio Vieira Lima, que, na condição de deputado federal, tem foro privilegiado no STF.

A decisão atende a um pedido da Polícia Federal, que apreendeu uma nota fiscal de uma funcionária do deputado no apartamento onde estavam escondidos em malas e caixas R$ 51 milhões em espécie – a maior apreensão de dinheiro vivo da história da Polícia Federal.

Segundo a PF, o apartamento foi emprestado a Lúcio Vieira Lima e era usado por Geddel. Agentes encontraram impressões digitais do ex-ministro nas malas de dinheiro.

O juiz Vallisney de Oliveira encaminhou o caso ao ministro Luís Edson Fachin e afirmou que, embora não existam indícios contra o deputado em fatos anteriores à apreensão do dinheiro em espécie no apartamento, é preciso aprofundar as investigações – por isso encaminhou as investigações ao STF.

Vallisney de Oliveira reproduziu o entendimento da Polícia Federal, que vê indício de lavagem de dinheiro por parte do deputado.

Segundo o texto da decisão, "não se pode excluir de plano a participação de Lúcio Vieira Lima no ilícito de lavagem de dinheiro, e considerando o encontro fortuito de indícios acerca do local utilizado para a guarda de dinheiro em espécie que apontam para eventual ligação com o parlamentar, parece-nos mais adequado, neste momento, a remessa dos autos à Egrégia Corte para apreciação de sua competência para investigar".

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