Ponta Porã, Quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
14/01/2017 05h40

Com jeito, os corruptos encobrem a incompetência e o peculato - José A. Vasconcellos

O sistema carcerário e a saúde são obrigações da administração pública

Divulgação (TP)
 
 

Bastou morrer cinco dúzias de bandidos enjaulados em Manaus (AM), dentre os quais, "nenhum santo", conforme afiançou o Governador José Melo, para que a imprensa nacional e internacional, ocupasse considerável espaço, dispensando especial atenção ao acontecimento que redundou numa chacina, que já se anunciava a algum tempo, mas que ninguém moveu uma palha sequer, para evitá-la. As superlotações nos presídios é problema antigo e as verbas destinadas ao setor, são, simplesmente, embolsadas, enquanto o "reeducando" apodrece na jaula.

A imprensa que iniciou o noticiário comentando a morte dos bandidos, logo migrou para a situação dos presídios e levantou o tapete, que encobria a podridão no setor: a corrupção!Tendo como pano de fundo a morte dos bandidos, a imprensa passou a investigar e noticiar a situação geral dos presídios e só encontrou informações desencontradas e queixas de corrupção, tudo coroado pela incompetência. Ouviu-se estórias fantásticas, contadas pelos "responsáveis" pelo sistema prisional.

Órgão responsável pela política carcerária, informou que possui recursos financeiros em caixa, há anos, sem uso. O dinheiro encontra-se "encaixotado", enquanto a imprensa noticia que há um déficit de 500 mil vagas nos presídios brasileiros; que os presos estão amontoados nas jaulas aos milhares, numa situação desumana e insustentável; que custam caro para os contribuintes; e que há patente indício de corrupção nos gastos, com a manutenção carcerária. Em S.Paulo, um preso custa R$1.450,00; em Manaus "custa" R$5.000,00. A diferença é de R$3.550,00 para mais! (???) Pela diferença nos gastos com presos, fica claro o desvio de recursos com a terceirização do serviço, pela gritante diferença nos valores.

Agora o tema que passou a interessar a imprensa, — desvio de recursos públicos no sistema penitenciário do Amazonas — levou-a a inquirir as autoridades amazonenses: o Tribunal de Contas: Não sabia de nada, sobre os desvios financeiros no sistema penitenciário. O MPE, só ficou sabendo do que acontecia, pela imprensa! O Judiciário justificou: apenas manda prender e manda soltar. Finalizando o governador desabafou: —Não morreu nenhum santo na chacina!

Alto funcionário do Governo, encarregado de esclarecer a questão relacionada com os presídios, instado a explicar a situação dos motins, das mortes e da situação geral dos presídios, fez o que sempre fez: mentiu! Desta feita estava cauteloso, a imprensa, maciçamente, acompanhava o assunto. Depois de pigarrear anunciou que o problema carcerário decorrente das superlotações e os conseqüentes motins, tinham os dias contados, a solução para apaziguar os "reeducandos" estava próxima. Não detalhou o que seria feito "nos próximos dias" e rápido, deixou o local.

Solução em poucos dias! Convicto da própria mentira, o político sem escrúpulo, tenta de todos os modos, enganar o povo e mascarar sua desonestidade, que mantém disfarçada à Milanesa, agregada à incompetência, que sustenta no gogó. É um banquete de incongruências, e a comunicação é feita por um lacaio, no papel de "garçon" — servil e fiel!

Para encobrir a prevaricação, o roubo do dinheiro público e encobrir os desmandos, tentam explicar, mas não conseguem de maneira racional aceitável. O que, realmente, fazem com o dinheiro dos impostos que arrecadam e os "repasses constitucionais", constitui eterno mistério!

A preocupação da imprensa com a morte dos bandidos e a simultânea migração do interesse para a corrupção que devora recursos, do setor carcerário e também da saúde pública e de outros órgãos, bom seria que apurassem o número de pessoas honestas, que diariamente morrem em hospitais públicos sucatados, desprovidos até de esparadrapo, sem nenhuma assistência médica. Pessoas que trabalharam e pagaram impostos a vida inteira.

O sistema carcerário e a saúde são obrigações da administração pública, contudo, melhor atenção tem recebido os bandidos, enquanto os filhos de Deus que trabalharam a vida inteira, ficam para o segundo plano.

A distorção que privilegia o bandido até com salário reclusão, e pune pelo abandono absoluto, quem paga a conta, revela que o crime compensa. A moleza e o equívoco das leis, a indolência da polícia, o desinteresse do MPE e a ótica vesga de boa parte do Judiciário, produzem o efeito!

Como diria o "Zé Trindade" (1915-1990):

 — Há sinceridade nisso?

O5.01.2017 (4650) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.com.br)

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