Ponta Porã, Quarta-feira, 18 de outubro de 2017
09/01/2017 06h20

Denunciado ao STF, Collor foi o mais faltoso em 2016

Acusado de corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato pela PGR, o ex-presidente faltou uma a cada três sessões no ano passado e foi o mais ausente entre os senadores que não tiveram problema de saúde.

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Gabinete de Collor não informou que atividades parlamentares o levaram a acumular tantas faltas no Senado.

Foto:Arthur Monteiro/Ag. Senado Gabinete de Collor não informou que atividades parlamentares o levaram a acumular tantas faltas no Senado.

Foto:Arthur Monteiro/Ag. Senado

Na noite de 11 de maio, o senador Fernando Collor (PTC-AL) silenciou o plenário ao discursar. Todos queriam saber se o primeiro presidente da República a sofrer processo de impeachment declararia voto pelo afastamento ou não da então presidente Dilma Rousseff (PT). Em um discurso duro, em que se pintou como vítima de um complô e um golpe parlamentar em 1992, Collor defendeu a saída da petista do Palácio do Planalto. "Chegamos ao ápice de todas as crises, chegamos às ruínas de um governo, às ruínas de um país", discursou. Dilma foi afastada no dia seguinte. Em 31 de agosto, no julgamento final, ele votou pelo impeachment da presidente, de quem fora aliado no Congresso. O voto dele nas duas sessões chamou a atenção pelo encontro de dois fatos históricos, mas também pela sua simples presença no Senado.

O senador foi o mais ausente do plenário entre todos os seus colegas em 2016. Apenas Jader Barbalho (PMDB-PA), que enfrentou complicações de saúde, compareceu menos. Denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro ao Supremo Tribunal Federal (STF) na Operação Lava Jato, Collor faltou uma a cada três sessões convocadas para votações de projetos, medidas provisórias ou propostas de emenda constitucional. Das 91 reuniões de que deveria participar até o início de dezembro, faltou a 30. Dessas, 25 foram justificadas por ele, todas para realizar alguma atividade parlamentar.

A Constituição prevê a perda do mandato do deputado ou senador que faltar a mais de um terço das sessões ordinárias ao longo do ano sem se justificar. Collor estaria sujeito a essa punição se suas faltas não tivessem sido abonadas. O problema é que, além da possibilidade de ter a falta perdoada por problemas de saúde ou pela necessidade de representar o Parlamento, o congressista também pode justificar que realizou atividade parlamentar no estado, sem detalhar o que fez.

As preocupações do ex-presidente

O elevado número de faltas está longe de ser a maior preocupação de Fernando Collor. Ele foi o primeiro senador a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de receber R$ 30 milhões em propina do esquema de corrupção na Petrobras, entre 2010 e 2014.

Na denúncia, ainda não examinada pelos ministros, pesam 30 acusações de corrupção passiva, 376 de lavagem de dinheiro e 48 de peculato (apropriação indevida por parte de agente público) contra o senador. Além de pedir a condenação e o mandato de Collor, a PGR cobra a devolução de R$ 154,7 milhões do ex-presidente e de aliados dele acusados de participar de desvios na BR Distribuidora.

O senador é alvo de cinco inquéritos no âmbito da Lava Jato. As investigações foram abertas para apurar as relações dele com o doleiro Alberto Youssef. Policiais federais apreenderam no escritório de Youssef oito comprovantes de depósitos bancários, que somam R$ 50 mil, a Collor.

Em delação premiada, o empresário Ricardo Pessoa, da UTC, afirmou que repassou R$ 26 milhões a pessoas ligadas ao senador como comissão por um contrato fechado com a subsidiária da Petrobras. Collor nega envolvimento com as denúncias e atribui as investigações a perseguição do Ministério Público Federal. Os investigadores acusam o ex-presidente de lavar dinheiro com uma frota de carros de luxo, que inclui, entre outros, uma Lamborghini e uma Ferrari.

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