Ponta Porã, Terça-feira, 23 de janeiro de 2018
03/01/2018 06h30

Deputado Pedro Fernandes diz que não será mais ministro do Trabalho

Parlamentar do PTB, que havia anunciado na semana passada convite para comandar a pasta, afirmou que foi 'vetado' pelo ex-presidente José Sarney. Planalto ainda não se manifestou.

G1
 
 
O deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) (Foto: Britto Junior, Câmara dos Deputados) O deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) (Foto: Britto Junior, Câmara dos Deputados)

O deputado Pedro Fernandes (PTB-MA), que havia anunciado na semana passada ter recebido e aceitado convite para comandar o Ministério do Trabalho, afirmou nesta terça-feira (2) à TV Globo que não irá mais assumir a pasta porque foi "vetado" pelo ex-presidente José Sarney (PMDB).

O parlamentar maranhense disse que "não deu" para ser ministro porque seu nome criaria "embaraço" entre o presidente Michel Temer e Sarney, um dos políticos mais influentes do PMDB e do Maranhão, base eleitoral de Pedro Fernandes.

"Infelizmente, não deu, devido ao embaraço que eu crio na relação do presidente Temer com o ex-presidente José Sarney", relatou Pedro Fernandes à TV Globo.

"Veto do Sarney", complementou o deputado do PTB, ressaltando que não foi anunciado ministro do Trabalho por ter sido vetado pelo ex-presidente da República.

Em entrevista ao colunista do G1 e da GloboNews Gerson Camarotti, Sarney negou que tenha vetado o nome de Pedro Fernandes para o Ministério do Trabalho.

"Não fui consultado e não vetei", disse Sarney.

"Ele [Pedro Fernandes] quer arrumar uma desculpa. Colocar a responsabilidade sobre as minhas costas. Se, no passado, não vetei Flávio Dino para a Embratur, não faria isso para alguém que foi nosso amigo", complementou o ex-presidente da República, em uma referência ao atual governador do Maranhão, que presidiu a estatal do turismo durante o governo Dilma Rousseff.

Líder do PTB na Câmara, o deputado Jovair Arantes disse nesta terça à TV Globo que ninguém do Palácio do Planalto entrou em contato com ele para comunicar que Pedro Fernandes não seria mais ministro. Segundo ele, se houve realmente veto por parte de alguém do PMDB, seria uma "indelicadeza" e um "constrangimento" para a bancada do PTB na Câmara.

Arantes cobrou uma explicação por parte do Planalto. Jovair Arantes participou da audiência entre Temer e presidente do PTB, Roberto Jefferson, na qual Ronaldo Nogueira pediu demissão. Na mesma reunião, a cúpula do PTB apresentou ao presidente da República o nome de Pedro Fernandes para o Ministério do Trabalho.

"Não existe plano B, enfatizou o líder do PTB em relação a um novo nome do partido para o comando da pasta.

O G1 entrou em contato com a assessoria do Palácio do Planalto, mas até a última atualização desta reportagem ainda não havia obtido uma resposta.

Pedro Fernandes passou a ser cotado para o Ministério do Trabalho depois que Ronaldo Nogueira pediu demissão do comando da pasta na última quarta-feira (27).

Ao G1, o deputado do Maranhão havia dito, na semana passada, que foi convidado pelo PTB – partido da base aliada de Temer que tem comandando o Ministério do Trabalho – para assumir a cadeira que havia ficado vaga com a saíde de Nogueira.

Na ocasião, Pedro Fernandes chegou a informar que sua nomeação seria publicada no "Diário Oficial da União" até sexta-feira (29) e que a posse ocorreria nesta quinta (4). O Planalto, entretanto, nunca confirmou a nomeação do deputado do PTB para o Ministério do Trabalho.

Fernandes contou, na semana passada, que o convite para assumir a pasta foi feito pelo líder do PTB na Câmara, que teria ligado para ele durante a audiência com Temer, no Palácio do Planalto, em que Ronaldo Nogueira pediu demissão.

Pedro Fernandes tem 68 anos e é formado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia do Maranhão. Ex-vereador de São Luís, ele cumpre, atualmente, o quinto mandato como deputado federal.

Segundo o Blog do Camarotti, Fernandes fez parte do grupo político de Sarney, tanto que chegou a ocupar duas secretarias estaduais no governo de Roseanna Sarney (PMDB-MA). No entanto, depois que Flávio Dino foi eleito governador, o deputado do PTB teria mudado de lado, aderindo ao clã do governador do PC do B.

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