Ponta Porã, Sexta-feira, 20 de abril de 2018
15/01/2016 05h50

Os efeitos da segregação no encarcerado - José Alberto Vasconcellos.

A justiça Divina absolve ou condena. Não aceita “habeas corpus” e tampouco protocola qualquer recurso protelatório.

Divulgação (TP)
 
 

A segregação de um ser humano, confinado numa jaula, no correr dos dias que passam lentos e cinzentos, inexoravelmente, corrói o orgulho e depois consome com a dignidade do segregado. Forças interiores que forjam e o sustentam como criatura civilizada.

A introspecção vagueia pelo fundo da alma, imagina-se ouvir os rogos e as súplicas do ego inconsolável; o desespero sufoca, não consegue entender a visão esdrúxula que se descortina: um mundo que tinha o infinito como horizonte, onde havia sol e luar, colorido, berço da felicidade, que repentinamente, distancia-se, transmuda-se e mingua-se na extensão, até restringir-se a um espaço exíguo, escuro e mal cheiroso, habitado por criaturas das trevas, encravado num sitio alhures. O subconsciente nega-se em aceitar, a incontornável realidade que enfrenta. Pesadelo terrível!

Confuso, solitário, sem capacidade de saber onde se encontra, tomado por um emaranhado de pensamentos conflitantes e desconexos, sente que a alma grita sem voz; sem poder externar o lamento que a sufoca, que a martiriza e que, aos poucos, vai consumindo com a vida, ou com o que ainda resta dela.

O imaginário faz com que ouça o chiado dos morcegos e o guincho de corujas. Atônito, olhos arregalados e marejados, está tomado pelo medo paralisante. Imagina ver espectros que bailam em meio à penumbra salpicada por faíscas douradas, fruto da imaginação distorcida, transtornada e acuada, que a solidão induz e conduz para as profundezas escuras da mente..

As madrugadas silenciosas e frias, são horas mortas; horas que mais deprimem. Esmagam o espírito, com a lembrança dos entes queridos, o que concorre, ainda mais, para definhar o confinado. Sua feição muda, possui agora os contornos do rosto e do nariz mais angulosos. O brilho dos olhos estão diferentes daquele que tinha, quanto era um homem livre. Irreconhecível agora, mostra os caracteres do atavismo, que o faz assemelhar-se a um ancestral que não conheceu.

Na capa da revista VEJA, ed.13.01.16, vemos as fotos de três detentos: Marcelo Odebrecht, “bilionário, herdeiro do maior império de construção pesada no país,” aturdido, olhar atônito revelando o que vai pela sua alma, desprovida do orgulho e da dignidade, desnudando-o com homem, para mostrar seu pecado à sociedade que lesou, para saciar a cobiça. Está irreconhecível! Foi o que, realmente, mais mudou a feição!

Ao seu lado, João Vaccari Neto, o homem do “Pixuleco”, olhando para o além do aquém, onde não mora ninguém; pose em que é imitado pelo ex-ministro Chefe da Casa Civil, envolvido no “mensalão” e no “petrolão”.

O terceiro, Zé Dirceu (José Dirceu de Oliveira e Silva), sempre agiu com refinada astúcia, “nunca deixando transparecer suas lambanças”, ensejando as reiteradas afirmações do ex-presidente LULA, sem reserva mental ou sofisma: de que NÃO SABIA DE NADA!

Acreditamos na inocência do ex-presidente, por que não? Mesmo sabendo que Miro Teixeira e depois Roberto Jefferson tenham alertado S. Exa. de que manobras ilícitas eram executadas debaixo da sua barba. Um desconcerto emocional, deduziu um “Pai-de-santo”, teria sido a causa que levou os deputados a alcagüetar Zé Dirceu ao ex-presidente Lula.

Entendam, denúncias vazias não podem macular a estampa já consagrada de um “estadista”: SE DISSE QUE NÃO SABIA, É PORQUE NÃO SABIA! E pronto!

A jaula corretiva como restou exposto, tem efeito devastador na feição e na personalidade do homem, seja ele um bilionário; um mero “Pixuleco; ou um reconhecido militante da esquerda, como é o caso do Zé Dirceu, ex-presidente da UNE. Militante ativo da esquerda, exilou-se em Cuba, tão logo o Exército Brasileiro expurgou os comunistas, por exigência da Nação brasileira, com a “A Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, em março de 1964. Esfriada a contra-revolução, o Zé Direceu voltou ao Brasil para ocupar a Chefia da Casa Civil do governo Lula, do PT. Hoje, por merecimento, encontra-se também enjaulado!

A jaula corretiva, quando justa e merecida, produz seus efeitos corrosivos no encarcerado; todavia, quando a prisão é injusta e abusiva, forjada pela truculência da MEGALOMANIA política, como ocorreu com Nelson Mandela (África do Sul), por vinte e oito (28) anos; e José Mujica (Uruguai), por oito (8) anos; transforma o segregado em ESTADISTA.

O reconhecimento universal, da nobreza do caráter das vítimas da megalomania política, é incontestável: NELSON MANDELA, na África do Sul; e JOSÉ MUJICA, no Uruguai, libertados, tornaram-se presidentes dos seus respectivos paises.

A justiça Divina absolve ou condena. Não aceita “habeas corpus” e tampouco protocola qualquer recurso protelatório.

Ave César!

10/13.01.2016 (4880) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.com.br)

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