Ponta Porã, Quinta-feira, 26 de abril de 2018
24/11/2017 05h40

Índios kadiwéus usam caminhonete do Ibama para ocupar fazendas na região do Pantanal de MS

Disputa por terra-indígena na região acontece desde 1984 quando foi feita demarcação de área a mais da reserva dada pelo governo federal.

G1
 
 
Indígenas usaram caminhonete do programa de combate a incêndios do Ibama para ocuparem fazendas em MS (Foto: Reprodução/TV Morena) Indígenas usaram caminhonete do programa de combate a incêndios do Ibama para ocuparem fazendas em MS (Foto: Reprodução/TV Morena)

Um grupo de indígenas da etnia kadiwéu ocupou pelo menos seis propriedades rurais de Corumbá, na região do Pantanal de Mato Grosso do Sul, desde quarta-feira (22). Para as ações, eles usaram uma caminhonete da Prevfogo, um programa de redução de incêndios florestais do Ibama.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) não atendeu às ligações do G1.

O coordenador do Ibama do estado, Márcio Yule, explicou que há dois veículos no estado do programa, um na região norte e outro no sul, para serem utilizados em combate de incêndios florestais. A caminhonete usada nas ocupações fica com os indígenas dentro da reserva. Mas já foi feito o contato para ser devolvida.

O advogado da Fazenda Alves de Barros vai à Polícia Federal de Corumbá na sexta-feira (24) para registrar o fato.

As propriedades ocupadas ficam envolta da reserva indígena kadiwéu. A disputa entre índios e produtor rural começou em 1984, três anos após a demarcação da terra-indígena pela Funai que incluiu 140,9 hectares a mais à área doada pelo governo federal aos índios, em 1903, como forma de agradecimento por terem lutado na Guerra do Paraguai.

Os fazendeiros começaram a reivindicar essa área na região de Corumbá, Miranda e Bodoquena alegando que já havia títulos da terra. A briga foi parar na justiça. A ação chegou a ficar parado por 25 anos no Supremo Tribunal Federal (STF) e depois desse tempo o ministro Celso de Mello declinou competência e determinou envio do processo à justiça estadual. Desde 2012 a ação tramita na 2ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande.

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