Ponta Porã, Quinta-feira, 19 de abril de 2018
16/11/2017 16h10

A luta pelo bem estar de crianças vítimas da Zika.

Um número importante de bebês começou a nascer com essa malformação.

Dourados Agora
 
 
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Já se passaram dois anos desde o aparecimento dos primeiros casos de bebês com microcefalia causada pelo vírus da Zika.

O surto, que começou no Nordeste, mas fez vítimas em outras regiões, assustou os brasileiros, especialmente as gestantes ou as mulheres quem pensavam em engravidar.

Só para lembrar, à época, graças a alertas de médicos, o Ministério da Saúde comprovou a relação da microcefalia, que é um sinal de alterações no cérebro, com o vírus Zika, transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue. Um número importante de bebês começou a nascer com essa malformação.

A bancária Isabel Albuquerque é personagem dessa história. No dia 9 de setembro de 2015 ela deu à luz ao Matheus.

Os exames de pré-natal não acusaram a microcefalia. Só na hora do parto, o médico deu a notícia e dias depois ela recebeu alta e foi procurar na internet o que podia ter causado essa alteração.

A suspeita de problemas genéticos caiu por terra quando o hospital ligou dizendo que Matheus poderia ter sido um dos primeiros casos relacionados ao vírus Zika. E foi mesmo.

"Em menos de um mês (do nascimento) começaram a surgir outros casos, e depois a ligação com o Zika. Foi aberto todo aquele protocolo de investigação, ficou um hospital referência só tratando disso, foi muito noticiado. Todos os exames foram repetidos", conta a mãe do pequeno Matheus, hoje com dois anos e um mês.

Isabel lembra também que o primeiro sentimento após a descoberta foi de revolta, porque não se tratava de genética e sim de um agente externo. "Algo que mudou a vida de mais de 400 famílias só aqui em Pernambuco", destaca.

Segundo Isabel, estes dois anos foram árduos, com uma agenda lotada de atividades terapêuticas, entre outras ações pelo estímulo e aprendizado do Matheus.

Contudo, para ela, tudo vale a pena para que ele tenha qualidade de vida. "Desde um mês de vida ele fazia a estimulação precoce e isso fez e faz muita diferença na vida dele.

Hoje ele já senta, já está dando as primeiras passadas. A gente tem o cuidado de fazer da casa uma extensão dessas terapias. O importante é a gente proporcionar o melhor pra ele", comemora Isabel.

Mitos e verdades sobre a Microcefalia/Zika

Uma das médicas responsáveis pela observação dos primeiros casos e por avisar as autoridades sanitárias foi a neuropediatra Vanessa Van Der Linden.

Ela achou incomum a quantidade de casos de microcefalia, num curto espaço de tempo, em Pernambuco e em outros estados nordestinos e passou a investigá-los. "A gente aprendeu muito sobre essa doença nestes dois anos.

Mas, tem muita coisa que a gente precisa entender. Vamos avaliar essas crianças pra saber o que aconteceu nestes dois anos, o que houve de diferente, quais foram os avanços e consequências para de fato poder ajudar essas famílias", afirma.

O Blog da Saúde conversou com o tecnologista da Coordenação-Geral de Vigilância e Resposta às Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde e doutor em Epidemiologia, Giovanny França, e preparou informações sobre o tema:

Verdades

A microcefalia é um sinal presente quando o cérebro não se desenvolve como o esperado. Em causas graves, pode estar associado a deficiências respiratórias, neurológicas ou motoras.

Ela pode acontecer pela infecção por outros vírus e por outras causas não infecciosas, não exclusivamente pelo vírus Zika.

Mas é importante deixar claro que, além da microcefalia, os bebês infectados pelo vírus Zika durante a epidemia manifestaram outros sintomas.

Por exemplo, foram diagnosticados casos de bebês com formação cefálica dentro do normal, mas com outros tipos de sequelas deixadas pela Zika.

Por isso, o Ministério da Saúde passou a tratar os casos como "Síndrome Congênita do Zika Vírus" e não somente como microcefalia.

Mitos

Mito! Por meio da articulação com o Ministério do Desenvolvimento Social e o INSS, o Ministério da Saúde garantiu a priorização da demanda para concessão do Benefício de Prestação Continuada para os casos relacionados com a Emergência de Saúde Pública.

Mais de 2.200 benefícios já foram concedidos às famílias de crianças nascidas a partir de janeiro de 2015. O BPC é destinado às pessoas com deficiência que não podem trabalhar e levar uma vida independente.

A epidemia afetou principalmente gestantes e bebês

A epidemia aconteceu por causa de mães que foram infectadas pelo vírus Zika ainda na gestação – a maioria delas nem souberam por não terem tido sintomas.

O aumento inesperado do número de casos de microcefalia, identificado na região Nordeste, fez com que o Ministério da Saúde decretasse a Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN).

A pasta também recomendou, na época, que as mulheres que pudessem, adiassem a gravidez. Gestantes precisam redobrar o cuidado para não serem vítimas do mosquito Aedes aegypti, especialmente nos três primeiros meses de gestação, independente de surto ou da região onde ela viva.

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