Alci Massaranduba

Artigo: A educação agoniza

Por: Alci Massaranduba

13/05/2019 20h50 - DN

 

Se há uma unanimidade diante do controverso cenário atual no Brasil é o valor da educação como o grande agente transformador da precária realidade nacional. Por mais humilde que uma família possa ser é possível notar uma real preocupação dos pais com "os estudos" dos filhos. A frase: estude para ser alguém na vida! Faz parte indelével do senso comum. Independentemente da classe social, todas as vozes ecoam em uníssono: sem educação estaremos fadados a perpetuar a lamentável realidade nacional. Diante de um fato nacionalmente reconhecido como de suma importância causa espanto os últimos acontecimentos da nossa pátria amada Brasil.

Ao leitor cabe uma ressalva, o foco aqui não é a defesa ou critica de determinada corrente política partidária, pois o que está em jogo é muito maior do que partidos políticos ou o posicionamento de determinados pensadores. O livre pensar é salutar sendo um dos sinais claros de civilidade. O respeito por ideias divergentes revela nobreza de caráter.

A amplamente divulgada noticia de que o governo federal decidiu fazer contingenciamento (eufemismo oficial) de recursos para as universidades federais é algo impensável, mas aconteceu! Como estudante de uma universidade pública federal envolvo no cotidiano escolar posso afirmar com conhecimento de causa que o medo paira no ar. As perguntas surgiram imediatamente na mente de milhares de jovens estudantes: será que vou conseguir terminar o meu curso? Será que irei perder a bolsa de estudos e terei que parar de estudar? Será que a universidade pública gratuita vai acabar? O meu sonho de cursar um mestrado ou doutorado ainda será possível de realizar? Muitas perguntas e, pelo menos por enquanto, nenhuma resposta satisfatória.

No mundo real onde a imensa maioria das pessoas vive estudar ainda é o grande diferencial para a transformação social. Num país de tamanha desigualdade é tarefa hercúlea modificar a própria realidade, mas o nosso povo é esmagadoramente batalhador por natureza. O absurdo que pagamos de impostos é mais do que suficiente para que haja mais oportunidades para todos e o que precisa ser extinto é a roubalheira desenfreada e não cortes de recursos em áreas estratégicas como a educação.

Lamentável constatar que não basta apenas a vontade de conseguir um trabalho, somente a vontade não é suficiente, basta observar o índice atual de desemprego para constatar a penúria que estamos envoltos. A cada dia aumenta as exigências das empresas por pessoas com qualificação profissional e, pasme, qualificação profissional passa invariavelmente pela educação. Como vamos melhorar as condições de vida da população se houver cerceamento do livre pensar e se a qualidade do ensino não for algo prioritário para os "representantes do povo"?

A sociedade civil precisa urgentemente acompanhar de perto o desenrolar desse emaranhado e ficar atenta a qualquer vestígio de retrocesso. O que queremos é que haja significativos avanços, pois já nos cansamos de conviver com o marasmo.

Alci Massaranduba

Bacharel em Administração de Empresas, Especialista em Gestão de Negócios, Acadêmico do curso de Matemática pela UFMS, autor dos livros: Minha Vida de Carteiro e Pensamentos de um Carteiro

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