01/02/2018 06h40

Igreja, economia e política, por Oziel Gustavo Marian

Igreja, economia e política, por Oziel Gustavo Marian

 
 

O que Igreja tem a ver com Economia e Política? Segundo a tradição evangélico-luterana, baseado nos ensinos de Martin Lutero, tem tudo a ver! Lutero falou de Economia, Política e Igreja a partir de três funções essenciais para a organização social daquela época: alimentar, proteger e ensinar. A função de alimentar estava a cargo dos agricultares e artesões, que era o âmbito da Economia. A função de proteger cabia aos membros da nobreza e caracterizava o âmbito da Política. A função de ensinar estava ligada ao clero, o âmbito da Igreja. Mas esta forma de organização social, baseada em classes, era muito desigual: A nobreza rica e poderosa "cuidava" da política. O Clero, também elitizado, era responsável pela educação, mas só quem podia pagar tinha acesso. E o povo comum era a força de trabalho que movimentava a economia, mas não podia usufruir dela, pois a maioria dos recursos eram destinados aos nobres.

Lutero mexe nesta estrutura, ao desvincular a Igreja, a Economia e a Política desta divisão de classes. Segundo ele, todos poderiam e deveriam participar em todos os âmbitos da sociedade. Todos deveriam participar da Igreja, da Economia e da Política: a proteção não deveria ser apenas para os nobres que viviam em seus castelos fortificados, todas as pessoas deveriam ser protegidas e terem seus direitos assegurados; as riquezas não deveriam ser concentradas nos castelos, cada pessoa deveria usufruir do resultado do seu trabalho; cada criança deveria ter acesso à educação, e os nobres (ricos) deveriam ajudar a custear as despesas. Claro que isto não foi tão tranquilo, houve muita resistência, especialmente da nobreza e do clero. Mas com o tempo, as ideias de Lutero ganharam força e a Europa começou a desfrutar um desenvolvimento impressionante.

Portanto, no pensamento protestante, Igreja, Economia e Política devem estar a serviço de Deus, a serviço da vida. Servimos a Deus não apenas quando pregamos o Evangelho, mas por meio de toda e qualquer atividade que promova a vida e o bem de toda a criação. Mas estas ideias não partiram de Lutero, ele apenas trouxe à tona aquilo que a Bíblia já ensinava a muito tempo (Confira as passagens de Salmo 24.1; Isaias 10.1-2; Mateus 6.24 e Tiago 5.1-6).

Deus criou o mundo em condições para que cada ser humano tenha vida digna. Mas no Brasil, por exemplo, 1% da população detém 30% da riqueza. É a maior concentração de renda do planeta. Isto é vergonhoso tanto do ponto de vista da Igreja, como da Economia e da Política. Pois além de ser uma distorção grotesca, maldosa e ridícula daquilo que Deus planejou, não há nação que sobrevida e se desenvolva com esta desigualdade.

Há uma ruptura, uma descontinuidade nos três âmbitos da criação: Vemos a Igreja espiritualizando tudo e se distanciado da realidade, a Economia gerando riquezas que param nas mãos de poucos e a Política sendo usada para defender interesses obscuros e mesquinhos de alguns poucos. A igreja, a Economia e a Política precisam se converter novamente em instrumentos de Deus, para promover a vida. Caso contrário continuarão sendo instrumentos de desigualdade, sofrimento e morte.

Pr. Oziel Gustavo Marian – baseado no tema para o ano 2018 da IECLB

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