19/11/2016 09h

Artigo: A alegria da inocência

Por: José Alberto Vasconcellos

Divulgação: Dora Nunes
 
 

A inocência nasce com a criança e faz-lhe companhia, até que um dia, pelo decurso do tempo, vai embora. É uma transição do mundo celestial para o mundo real em que vivemos. Despida da candura que a enfeitava com a aura dos anjos, começa a interpretar, rodeada pelos adultos que a cerca, as virtudes e os males do mundo onde viverá o resto da sua vida.

Emoldurada pela pureza da sua origem, a criança é, com certeza, o presente mais nobre e precioso que Deus dá ao homem para completar a família, esvaziar incertezas, preencher vazios e perpetuar o gênero humano.

O encanto é que enquanto inocente, a criança preocupa-se apenas com a fome que sente, com o sono que a esmorece e com os brinquedos que a cerca.

Os problemas dos adultos não lhe interessam, a não ser quando esses problemas invadem sua vida e, por conseqüência deles, é privada do alimento, do banho e, às vezes até vitima de agressão física.

Renovados os cuidados de que precisa, recupera-se rápido. Ainda sem saber falar já sabe, por intuição divina, perdoar. Perdoa quem a fez sofrer! Não guarda mágoa ou rancor no coração. Espontâneo como sempre foi, seu angelical sorriso volta iluminado por uma contagiante alegria.

Deus faz as crianças com argila revestida de pureza e bondade, a mesma que usa para moldarfazer os anjos.

Um lar bem constituído é o ninho, que o bebê necessita para desenvolver-se. Talvez por isso, os ibéricos as chamam de "niño" (ninho), personalizando nelas o aconchegante lar dos pássaros: as criaturas do céu!

Os adultos sem sofismas ou reservas mentais, devem à criança tudo o que lhe é necessário para seu desenvolvimento. Sem o amor e os cuidados dos adultos, nenhuma criança sobrevive, mesmo tendo o Anjo da Guarda como seu aliado e protetor.

"Consuetudo est altera natura" (O costume é uma segunda natureza). A criança ao nascer goza da proteção estabelecida no direito natural – o "Consuetudo". É desse direito que flui a obrigação dos adultos em prestar-lhe toda assistência, para que cresça e seja um ser humano pleno de direitos e obrigações. Livre e de bons costumes. Culto, e educado e fiel, indispensável ao aprimoramento da humanidade civilizada. Fiel ao seu Criador. Grato e grato àqueles que fizeram dele um homem esclarecido e útil ao aprimoramento da humanidade civilizada. !

Nos primeiros tempos de vida, enquanto ainda revestido da inocência que Deus lhe concede, é que a criança envaidece os pais, orgulha os avos e enriquece o lar bem constituído. É a continuidade da saga dos ancestrais; da epopéia da vida; e a vitória do amor!

O início, o meio e o fim!

Qualquer criança, em qualquer circunstância, nunca nega um sorriso a qualquer pessoa que lhe dê atenção: seja ela rica ou pobre; branca, negra ou amarela; bem ou mal vestida. Por isso os adultos têm a obrigação e o dever inarredável de protegê-la, para conservar sua aura de anjo e seu privilégio em enxergar o mundo sem preconceitos.

Um quadro inesquecível foi testemunhado por uma mãe, que não sabia se chorava ou ria, frente ao sorriso alegre e satisfeito do filho.

Conta essa mãe, que quando chegou até o berço onde imperava um silêncio suspeito, viu sua criancinha com o dedão do pé na boca.

Estava todo borrado e já havia ciscado "o produto" para cima e para os lados. Até nos poucos cabelos que tinha, a "mercadoria" era abundante. Ignorando o odor e o desconforto, tentava resolver seu problema imediato: mordiscava o dedão do pé direito para aliviar a coceira na gengiva, que anunciava o nascimento dos dois primeiros dentinhos. Vendo a mãe, o amor falou mais alto: tirou o dedão da boca para sorrir-lhe. Foi o sorriso mais lindo que ela viu em toda a vida.

A inocência da criança é mágica: gera o mais espontâneo e sincero sorriso, que o ser humano consegue mostrar.

Seja esperto: nunca passe por uma criança sem dar-lhe atenção, ela é quem mais entende de relações públicas. Aprenda alguma coisa com ela!

18.02.2011 - (4122). Bacharel em ciências jurídicas e sociais. Membro da Academia Douradense de Letras.No livro do mesmo autor "O Choro dos Anjos."

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