23/05/2015 07h30

Cultura musical e suas implicações por José Alberto Vasconcellos.

No Novo Mundo, o “tango” dos argentinos é a exortação às noitadas de boemia; enquanto que o “samba” dos brasileiros é a consagração da malandragem.

Divulgação (TP)
 

Os acordes musicais, sejam eles da música popular ou erudita, constituem mensagem de uma alma para outra, na linguagem do sentimento calcado na cultura de quem a ouve, seja o ouvinte culto ou rude.

No Velho Mundo, o “fado” dos lusitanos cantado com profundo sentimento, lembra as tristezas de um povo sofrido: pelos homens perdidos no mar e outros desarranjos que os açoitaram no correr dos séculos. O nome Portugal derivou da expressão em língua hispânica: “Porto calle”. O “flamenco” de origem cigana, que os ibéricos andaluzes adotaram, a guitarra, as castanholas e o sapateado fundem-se, tomados pelo êxtase de quem o dança.

No Novo Mundo, o “tango” dos argentinos é a exortação às noitadas de boemia; enquanto que o “samba” dos brasileiros é a consagração da malandragem.

No Universo, a música erudita. Giuseppe Verdi (1813-1901), com suas “operas” enriqueceu os sentimentos humanos. A ária do “Côro dos escravos” da opera Nabuco, lembra o sofrimento dos Hebreus levados como escravos pelos Assírios, depois de findo o Império de Salomão; “Aída”, outra obra de Verdi, foi composta para a grande festa programada para a inauguração do Canal de Suez em 1869, mas por conta de alguns contratempos, a peça não foi apresentada.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), com suas sinfonias “canta” a chegada das primaveras, as cores das flores e o calor do sol. Ludwig van Beethoven 91770-1827), compôs peças riquíssimas em harmonia, que tocam profundamente a alma. Piotr Tchaikovsky(1840-1893), com sua “Abertura 1812” colocou canhões e sinos nas portas dos Teatros para completar a execução da sua inolvidável obra. Georg F. Haendel (1685-1759), com sua linguagem musical grandiosa e lírica, sintetizou vários estilos, como o italiano, o francês, o alemão e o inglês.

Johann II Strauss (1825-1899) com suas “valsas”, nos tempos felizes em que viviam os europeus, enalteceu os “Bosques de Viena” e coloriu as “Ondas do Danúbio”, em meio à beligerância renitente que sempre envolveu a Europa. As guerras, por fim, levaram consigo os grandes bailes, que o tempo não apagou.

Outros grandes compositores, como Antonio Vivaldi (1678-1741), que com seu “Concerto para Guitarra” (II. Largo) acaricia-nos a alma; Franz Schubert (1797-1828), com sua consagrada “Ave Maria”; C.W.Gluck (1714-1787), que nos inebria com a “Dança dos Espíritos Bem-

Aventurados”, música mística e envolvente. São muitos os grandes compositores que, com a magnitude das suas obras, cobraram a execução de grandes instrumentistas, como Artur Rubinstein (1887-1982), no piano; Yehudi Menuhin (1916-1999) e Jascha Heifetz (1900-1987) no violino. Todos virtuoses! Todos judeus! Eles tornaram as musicais mais bonitas!

Na música erudita tivemos o nosso Antonio Carlos Gomes (1836-1896), compositor da ópera “O Guarani” assentada no livro de José de Alencar, com o mesmo nome. Os acordes dessa ópera eram tocados todos os dias no programa radiofônico “A Voz do Brasil”. O time de futebol de Campinas, S.Paulo, leva o nome de “Guarani” porque Carlos Gomes nasceu naquela cidade. Interessante registrar, que no lançamento da ópera no Teatro Scala de Milão, a decoração apresentava os índios brasileiros, com bigodes.

Aqui temos, além do samba e seus requebros, muitos outros ritmos que vão do “chambrelamento” de um tabaréu num forró, à esfregação desinibida de uma cabrocha numa gafieira. Há ainda a “briga-de-porcos”, que é quando o casal apenas arrasta-se, com olhares vidrados pela ingestão de alguma porcaria alucinógena.

Nossa música de raiz tem base na cultura sertaneja, na qual o caboclo canta suas vantagens e valentias; seus desterros e seus desencantos amorosos. No acervo da música popular, temos um valioso e vasto repertório, forte, marcante e largamente reconhecido por potencias culturais estrangeiras. Temos, também, numerosos intérpretes macarrônicos, que preferem cantar num “inglês” que os gringos não entendem o que dizem, e nós muito menos!

Envolvidos pelas inolvidáveis composições, meladas pelas paçocas de ritmos que até os aborígines estranham, vivemos numa “Pátria Educadora”, onde a educação ficou estacionada ao lado das mais atrasadas nações do continente africano.

Analisado o “calangueado” que o cidadão brasileiro tem de fazer para sobreviver com sua família, a conclusão é que vivemos no “melado da ignorância” e do desamparo, espoliados pelo fisco. Nossos jovens, sem nenhuma chance, esmeram-se no estudo das “ciências ocultas a na procura das letras desconhecidas”, tutelados por políticos que devem, como definiu um filósofo, serem sepultados eretos, com a cabeça para baixo, para que um dia os arqueólogos entendam, que aquela criatura da função pública, priorizou o sexo, depois o estômago e, finalmente o cérebro.

Ao maestro Arturo Toscanini (1867-1957), pela competência na regência das grandes orquestras, rendemos nossa homenagem.

15.05.2015 (4.840) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.com.br)

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