25/02/2017 05h50

Literatura, conjunto de obras que ensinam a pensar - José Alberto Vasconcellos

Não se pode aprender a nadar e nadar ao mesmo tempo. Primeiro, aprende-se a nadar, invertida a ordem, o aprendiz morre afogado!

Divulgação (TP)
 
 

Informa-nos "O Progresso", ed. de 10.02.17, verbis: "Conforme publicação no Diário Oficial do Governo do Estado no dia 30 de janeiro, que traz a reestruturação da área de linguagem, agora a Literatura será incorporada à Língua Portuguesa." (sic). A toda evidência o governador não ficou sabendo ou foi induzido pelo seu secretário, para sacramentar tamanho disparate.

A língua portuguesa é nossa, mas a LITERATURA É UNIVERSAL. São coisas distintas! A língua portuguesa tem servido ultimamente, mais para comunicar aos brasileiros que o País está afundado em dívidas; Como ortografia, a língua foi mutilada pelo governo do PT com arroubos de saber, próprio de quem sabe pouco. Essa "Providência Administrativa" que introduziu modificações na ortografia, tem-nos revelado que o pessoal do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), não tem mostrado nenhuma afinidade com a Língua Portuguesa, quando devolvem suas provas de redação em branco, nos exames realizados.

A Literatura é o uso do que se aprendeu com o estudo da Língua. Sendo possível entender o que está escrito depois de aprender gramática, que faz parte do ensino da língua, aqueles que têm disposição para abrir um livro, ficam sabendo, por exemplo, que alguns países falidos pelas guerras, como a Alemanha, teve uma rápida recuperação, porque — como disse Konrad Adenauer (1876-1967) chanceler Alemão) — "A Alemanha contava com pessoas que sabiam mandar e pessoas que sabiam obedecer..."

Países cuja Nações tinham tudo sob o regime democrático, por descuido ou negligência, foram devorados por ditaduras refratárias ao direito, sanguinárias e perenes, que conduziram esses países para o buraco. O povo sem oxigênio, comprimido sob os tacões de apedeutas megalomaníacos, patinha impotente, privado até de esperança. Um exemplo: a VENEZUELA!

Os meandros dos acontecimentos universais são conhecidos através da literatura. Os livros contam todas histórias com detalhes, algumas até macabras, como foi a ação dos Nazistas na Alemanha: (Ascensão e Queda do Terceiro Reich, de William L. Shirer, ed. Agir), ou frustrantes e depressivas, como a ação do PT no governo da República Federativa do Brasil, que fez o Brasil emergir na pouca vergonha e nas dívidas: (Lava Jato, de Vladimir Netto, ed. Primeira Pessoa)

Os fatos verificados no curso do tempo, consultada a Literatura, ela nos capacita aproveitar os bons exemplos e escoimar os imprestáveis, contornando dificuldades e encurtando caminhos, para que façamos o melhor. A Literatura ensina-nos a superar problemas e nos indica caminhos alternativos, sem deixar de nos contar ESTÓRIAS DE AMOR, romances que alimentam nossa alma e rejuvenescem os nossos sentimentos.

A literatura é o pão que alimenta o homem civilizado e o conduz para perto de Deus. O estudo da língua ensina-nos a ler, é a ferramenta de que precisamos para ingressar na leitura. Nos braços da literatura, aprendemos a pensar; pensar num mundo diferente e lutar por ele. Um mundo onde haja entendimento entre homens e paz no seio das Nações, para que tenhamos bonança para todos, sem as misérias produzidas pela ganância incontida daqueles que deveriam dar o melhor exemplo, de solidariedade humana.

No frigir dos ovos, a realidade nua e crua, leva-nos a contestar com veemência o ato do governo em fundir o ensino da língua com o exercício da leitura, dois momentos completamente distintos. Veja o exemplo: um estudante da Língua Portuguesa estudando gramática, está envolvido numa Análise Sintática, de olho no "sujeito da oração" que o desafia com dois "objetos", que ele ainda não conseguiu identificar se "diretos" ou "indiretos". É situação parecida com a daquele sujeito, que tinha de ficar com um olho no gato e outro na frigideira.

Incapacitado para desdobrar-se, sem perder de vista o sujeito da Análise e, concomitante acompanhar as peripécias do personagem real ou fictício, fruto do pensamento criativo do autor, que habita a obra para produzir a história, o estudante não dispõe de tempo e tampouco de habilidade intelectual, para assimilar e discernir as duas situações avizinhadas pela ação despropositada do Governo, que as fundiu. A solução adequada, coerente e consentânea, recomendada pelo bom senso: deixar como estava, para ver se o estudante consegue fazer a prova do ENEM.

Não se pode aprender a nadar e nadar ao mesmo tempo. Primeiro, aprende-se a nadar, invertida a ordem, o aprendiz morre afogado!

10.02.2017 (4628) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.com.br).

Envie seu Comentário