01/04/2017 05h40

Mentiras repetidas, que não viram verdades

A imprensa local insiste em referir-se a existência de uma "Aldeia Bororo" em Dourados.

Divulgação (TP)
 
 

Joseph Paul GOEBBELS (1897-1945), político alemão, Ministro da informação e Propaganda nazista, afirmava que uma MENTIRA dita muitas vezes, transformava-se em VERDADE.

A imprensa local insiste em referir-se a existência de uma "Aldeia Bororo" em Dourados. Sabemos que os Bororos tem sua aldeia em Rondonópolis, no estado de Mato Grosso. Essa MENTIRA é impossível de transformar-se em VERDADE, porque até as crianças sabem, que em Dourados não existe nenhuma Aldeia Bororo, e os adultos, sentem-se tratados como idiotas.

Outra questão irritante é o nome do nosso aeroporto. O Aeroporto de Dourados tem registrado o nome de ARLINDO CARDOSO. Basta que se confira o texto da Lei municipal nº 375, de 06 de dezembro de 1963: "Art. 1º. Fica o Prefeito Municipal de Dourados autorizado a permutar parte da área do atual aeroporto de Dourados, com área de trezentos hectares da fazenda coqueiro, de propriedade do sr. José Augusto de Mattos, ÁREA DESTINADA A CONSTRUÇÃO DO AEROPORTO ARLINDO CARDOSO." (sic, destaque nosso).

Autorizado pela referida Lei municipal nº 375/63, por escritura de doação lavrada em 14.11.1972, o prefeito de Dourados transferiu a área recebida do sr. Jose Augusto de Mattos, para o Ministério da Aeronáutica, representou o Ministério, no ato da doação, o Major Brigadeiro do Ar, Délio Jardim de Mattos.

E quem foi ARLINDO CARDOSO? Em 1914 chegou a Ponta Porã o casal José Cardoso e sua mulher dona Maria Queiros Cardoso. O filho mais velho de José Cardoso, o Ezaul, casou-se com d. Aurora em 1915. O harmonioso casamento de Ezaul com d. Aurora gerou dez filhos: quatro mulheres e seis homens. TODOS OS HOMENS: Arsênio, Arlindo, Heitor, Ezaul. Elpídio e Aral — tiveram a mesma profissão: PILOTOS DE AVIÃO, com destaque para Heitor e Aral, que granjearam, no seio da Força Aérea Brasileira, as patentes de coronéis aviadores.

Em 1919, a família Cardoso mudou-se para Dourados. Em 11.04.1920, nasce ARLINDO (de Jesus) CARDOSO. A certidão de nascimento (Livro A-16 – Folha nº 26 - Termo nº 255, do 2º Reg. Civil de Ponta Porã, atesta ser ele filho legítimo de Ezaul Cardoso e de Aurora Icassati de Cardoso. Arlindo faleceu aos 38 anos, vitimado por um acidente aéreo em Barreiras, na Bahia, em 22.09.1958

Dona Aurora, mãe de Arlindo, recebeu a medalha e o título honorífico de ‘A MÃE DA AVIAÇÃO BRASILEIRA" outorgados pelo MINISTÉRIO DA AERONÁUTICA.

O coronel aviador Heitor, irmão do Arlindo, escreveu um livro: "Seis Vidas Num Só Rumo", que teve como um dos prefaciadores, o então Presidente da Academia Brasileira de Letras, Austregésilo de Atahyde, que escreveu: "Mas o que torna a família de Ezaul e D. Aurora, tão especial ? É especial porque tiveram dez filhos: quatro mulheres e seis homens. Todos os seis, do sexo masculino, tornaram-se pilotos num tempo em que a tecnologia não garantia muita segurança."

Observe, o nome que imputam ao Aeroporto Arlindo Cardoso, como sendo Francisco de Mattos Pereira, foi o nome que o então Prefeito José Elias Moreira deu Estação dos Passageiros, nome que no correr do tempo, nos braços da MENTIRA, transferiu-se para o Aeroporto que hoje, com descarada tartufice, é chamado de Aeroporto Francisco de Mattos Pereira.

É elementar e qualquer acadêmico de Direito sabe, que um prefeito não pode dar nominação a propriedade da União. Daí o monumental escorrego dos puxa-sacos que insistem em escrever com todas as letras, sem ficar com a cara vermelha: "Aeroporto Francisco de Mattos Pereira", insultando os adultos e enganando as crianças.

Note que Francisco de Mattos Pereira é um pioneiro, tem o direito e merece homenagens, pela ajuda que deu para o desenvolvimento de Dourados, mas homenageá-lo não implica e alijar o nome do piloto Arlindo Cardoso, do Aeroporto. A Estação dos Passageiros já leva seu nome.

JURIS ET DE JURE – ( De direito e por direito), o nome do Aeroporto de Dourados é ARLINDO CARDOSO, negar essa evidência, é fazer o papel de tolo. Junte-se à tentativa de mudar o nome do Aeroporto, noticias da existência da Aldeia Bororo, em Dourados. Aqui no Brasil, Goebbels quebraria a cara, acariciar a mentira para possuir a verdade, é como tentar definir perfume de lobisomem.

Defensor incansável do nome do aeroporto Arlindo Cardoso, foi o saudoso Promotor de Justiça, Ramão Sovierzoski, que nos pediu ajuda para a tarefa (maio de 1996).

Nas páginas 131/135, do livro "O Choro dos Anjos", de autoria deste articulista, veja a história completa sobre o Aeroporto de Dourados.

26.03.2017 (4750) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahroo.com.br)

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