21/01/2017 05h40

Onde tudo é possível, desfaçatez é a regra! José Alberto Vasconcellos

O voto irresponsável endurece a vida, de quem mais precisa.

Por: Tião Prado
 
 

IVilhena é um município do Estado de Roraima, situado no planalto dos Parecis, divisa com o Estado de Mato Grosso. Neste caso é de todo interessante estabelecer primeiro o território, situá-lo dentro das fronteiras do Brasil, e só depois falar do que aconteceu naquele distante município.

Naquele município, assim como em todos os outros no território nacional, houve eleições para a escolha dos prefeitos e também dos vereadores para as Câmara Municipais. Ocorreu, pela repetição desastrada dos eleitores NO MOMENTO DE VOTAR, a reeleição de alguns vereadores: bandidos e enjaulados por força da lei repressora dos crimes de prevaricação e peculato.

Eleitos os marginais, a JUSTIÇA daquele estado inovou para o Brasil e para o Mundo: mandou soltar os reclusos para irem até a Câmara Municipal de Vilhena para tomarem posse como vereadores, em cerimônia pública, ONDE JURARAM CUMPRIR AS LEIS... (?)

Pela lei da "Ficha limpa", não poderiam ser candidatos a nenhum cargo eletivo, para órgão público; e como não poderiam ser candidatos, também não poderiam concorrer ao pleito — e pior — serem eleitos por eleitores movidos por interesses escusos ou por pura irresponsabilidade.

Alguém poderia argumentar que o eleitor comum não sabe o que é ficha limpa! Não sabe o que é prevaricação! Não sabe o que é peculato! E não sabendo "dessas coisas", de que seus candidatos a reeleição, como vereadores no exercício anterior venderam, com o concurso de funcionários do município, facilidades ilegais, para que pessoas de má formação moral, praticassem atos lesivos ao município de Vilhena, Pessoa Jurídica de Direito Público Interno e aos seus munícipes.

Estavam encarcerados ou enjaulados, usando a linguagem popular, e ali deveriam permanecer como reclusos, pessoas que infringiram a lei e tiveram a liberdade cassada por força dela. Quem mandou enjaulá-los foi a JUSTIÇA, pelas mãos de Juiz de Direito que aferindo as provas, ouvindo o Ministério Público e as testemunhas arroladas, aplicou a LEI!

A lei aplicada determinava que os réus fossem enjaulados. Observe que se assim não fosse, o Ministério Público, sponte sua, por dever de ofício, teria pugnado pela improcedência do libelo crime acusatório, que redundou na obstrução da liberdade dos vereadores. Presos (pelo que se sabe), estavam cumprindo uma sentença lavrada, com todas cautelas de estilo, pelo Judiciário.

Pergunta-se: como algum professor de Direito poderia explicar aos seus alunos, o que aconteceu na cidade de Vilhena, no Estado de Roraima? Não poderia! Sob pena de não ser levado a sério!

Como um aluno de Direito, depois de assimilar os rudimentos do Curso, acreditar que um perjuro "ficha suja", concorra a uma eleição, afrontando dispositivo cabal e irrecorrível da Lei, passando ileso pelo Ministério Público e pelo Juízo Eleitoral, além da fiscalização dos partidos adversários? Passou!?

Como esse mesmo aluno poderia entender, que um Juízo que condenou à jaula, o tal sujeito "ficha suja", autorize que ele deixe a cadeia para ir fazer parte de uma cerimônia pública, para ser diplomado como Vereador — e no correr do inusitado e irracional ato público — JURAR, SOLEMENTE, QUE VAI CUMPRIR A LEI (?) Mas que lei? Como perjuro já cumpre reclusão, por ter infringido essa mesma Lei.

Não fosse o acontecimento filmado e apresentado na TV, ninguém iria acreditar: "Soltar detentos para tomar posse em cargo público eletivo, como Vereador e, simultaneamente, acreditar-se no juramento do perjuro, de que cumpriria as leis (!?).

Considere, por fim e além do mais, que o acontecimento só realizou-se com a intervenção do Judiciário, que autorizou a liberdade dos meliantes, para participarem do evento público. O fato que gerou todo o esdrúxulo, estranho e sui generis acontecimento, mexeu com a inteligência! Deixou boquiaberta a Nação!

O voto irresponsável tem dado cobertura à corrupção contumaz e arraigada, que prolifera no seio do município de Vilhena, o que, aliás, não é diferente, com poucas exceções, em muitos outros municípios do País, onde vereadores e até prefeitos, gozaram dos mesmos privilégios.

O pior é constatar que os eleitores votam, irresponsavelmente, em conhecidos meliantes, que têm como meta prioritária saquear o Erário, prejudicando a saúde no atendimento aos necessitados; e à educação, propiciando ensino sofrível às crianças. O voto irresponsável endurece a vida, de quem mais precisa.

Resta-nos agora, saber quanto eles receberão da Prefeitura!

16-01-2017 (4749) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@Yahoo.com.br).

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