18/04/2016 21h10

Artigo: Passada a 1ª batalha, a hora é preparar as ‘armas’ para a 2ª que será mais difícil

Por: Tião Prado

 
 

Toda pessoa que tem a intenção de ser um homem ou uma mulher pública (vereador, prefeito, deputado estadual, federal, senador e até presidente da Republica) tem que ter em mente que o cargo lhe trás grandes benécias, entre elas o status social e poder. Claro, este último é o que todos os políticos mais querem, pois junto vem o ‘dinheiro’ e pelo que se tem visto por aí, muito dinheiro.

Já diz um ditado muito antigo que " politico sem mandato, é igual cobra sem veneno, não faz mal a ninguém e também não consegue nada do que pede ou precisa."

Eu já vivi os dois lados da moeda, fui vereador, penso que um vereador mediano, pois não consegui me reeleger, pensava que tinha o poder e o ‘tal’ dinheiro nem de longe consegui ver, tanto que depois de 40 anos tive que voltar para a terra onde nasci e por coincidência no bairro onde dei meus primeiros passos.

O que se viu em Brasília na noite deste domingo, 17 de abril, foi assim quase um espetáculo circense porque naquele momento estava se colocando em jogo a primeira etapa de se começar a passar este país a limpo, devido a todas as acusações e condenações a respeito do mensalão, lava jato e petrolão que tem como figura central o PT e seus aliados.

Acho interessante quando ouço ou leio um comentário , do tipo "adeus Dilma"," já vai tarde", ‘tchau querida" e tantos outros, mas as pessoas tem que agora se preocupar ainda mais, porque foi vencida a primeira batalha, o primeiro round dessa luta, no meu entender quase inglória.

Nesta terça-feira (18), começa a segunda parte dessa batalha e essa muito mais difícil, mais complexa e complicada. Estava fazendo as contas a respeito do número de senadores. São 81 senadores, sendo que cada estado e mais o Distrito Federal possui três cadeiras naquela casa. A comissão para analisar o relatório será composta por 40 nomes, 20 titulares e 20 suplentes e a partir dai é que a "cobra vai fumar".

Fora isso tem mais umas questões jurídicas que a grande imprensa vai falar tudo a respeito, mas o que nos deixa mais preocupado é que durante todo esse processo a presidenta Dilma vai estar lá, sentada em sua cadeira, nomeando pessoas, liberado emendas parlamentares, coisa que não vinha fazendo desde 2011 e leiloando ministérios para garantir votos e escapar do afastamento e da possível cassação.

Ontem, durante a sessão de votação parecia que terminado a votação, a Dilma e a sua turma que dilaceraram o patrimônio da nação e consequentemente dos brasileiros, estariam fora. Mero engano, agora sim que este pessoal vai abrir a porta do cofre e soltar dinheiro, nomear mais pessoas e liberar mais emendas para que o senado federal arquive o caso e tudo termine em uma grande pizza.

Você deve estar se perguntando, mas nem no senado tem pessoas honestas e descentes? Tem sim, claro que tem, mas convenhamos, poucos políticos neste momento pensa no povo que o elegeu, a maioria pensa em fazer caixa para a reeleição que está batendo a porta e será já agora em 2018.

Por isso não consigo entender, o politico teria que consultar a sua base, falar com os seus eleitores e saber dele como eles querem que ele vote, e ai sim, poderá se dizer que este ou aquele politico representa a vontade do povo que o elegeu.

Vamos aos casos: o Zeca e o Vander votaram certo, seus eleitores são petistas e querem manter a Dilma lá; o Dagoberto foi eleito por votos que na sua maioria veio do eleitor que o admirava e certamente queria vê-lo votando ‘sim’, mas não, ele para cumprir os seus compromissos pessoais votou contra o eleitor.

Quando politico ouve uma célebre frase de um outro politico, que eleitor tem memória curta e o tempo vai passar e logo todos vão esquecer o que aconteceu. Mas tenho certeza de que as redes sociais, uma coisa maravilhosa feito pra ficar não vai deixar ninguém esquecer de nada.

Quanto ao segundo ato da ‘batalha do Impeachment, só resta preparar um bom suco de maracujá, um chá de camomila, tomar um bom e ótimo Citalopran e aguardar para ver o que vai dar. E viva o Brasil, um país que faz as coisas simples se transformarem nas mais complexas possíveis.

Tenho dito.

  • Tião Prado: jornalista, radialista, proprietário site Pontaporainforma

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