Tião Prado

Perder pessoas que admiramos e gostamos é muito difícil, porque os ‘bons morrem jovens’

Por: Tião Prado

22/06/2018 09h20

 

Em alguns momentos de nossas vidas, as palavras se perdem, não há o que se falar nem o que se dizer, aí entra os gestos que suprem as palavras. É o abraço apertado, o silêncio prolongado...onde se tenta amenizar aquela dor de quem fica...e mesmo sabendo que nada ameniza, nem mesmo palavras ditas, nem abraços apertados, muitas vezes o ficar perto ajuda quem está sofrendo com a dor de perder quem tanto se ama.

Neste final de semana, justamente no sábado que é dia de festa, de se fazer um churrasco delicioso para os familiares e amigos, tomar uma cerveja gelada e ouvir um bom e velho Rock Roll, estará completando uma semana que perdemos um irmãozão, aquele que quando te via abria um lindo sorriso e para completar o encontro, dava um abraço daqueles grandes e bem apertado, ou seja, faz uma semana que o amigo Anderson Monteiro Godoy nos deixou, ele disse adeus, como canta Paralamas do Sucesso, e foi para outra dimensão.

Vi nos olhos dos irmãos que ficaram, o verdadeiro sentimento da perda de um ente querido e ali do lado, sabendo tudo o que eles estavam passando e sentindo, lembrei de que já passei por igual situação quando meu irmão, faleceu antes dos 40 anos de idade, ou seja, estava na metade da vida. E que vida que ele tinha!!! Sabia realmente e de fato viver a vida, do jeito que ela merece ser vivida.

Até o final da década de 80 e inicio de 90, nunca tinha perdido um parente, alguém da família, e de repente, as coisas foram acontecendo com a perda do meu velho e querido pai em 88, deixando um vazio muito grande em meu peito. E lá se foram 30 anos e parece que foi ontem.

Não obstante, em 1989, bem no começo do ano, no mês de fevereiro, perdemos o nosso irmão Waldete Moreira Canto, ia completar 40 anos, foi muito triste ver meu irmão ali, que adora a vida e vivia cada dia como se fosse o ultimo, dentro de um caixão, e tão forte esse sentimento, que todas as vezes que vamos ao cemitério de Batayporã visitá-los, saio de lá arrasado, como se vivesse toda a dor novamente.

 
Anderson Monteiro faleceu dia 16 de junhoAnderson Monteiro faleceu dia 16 de junho

Não poder mais compartilhar das alegrias, conquistas, tristezas, ou seja, do dia-a-dia de quem nos é valoroso, é bem difícil. Aceitar a morte é complicado. É preciso fé...muita fé. E aceitar que num dia a "gente chega e no outro vai embora"; é aceitar que estamos aqui como passageiros de uma grande e fantástica viagem de reconhecimento, de conquistas, de sentimentos. É ver que viver é um presente que Deus nos deu.

No sábado, enquanto muitas pessoas estavam se preparando para a noitada, festas, quermesses, barzinhos, aniversários e jantares nas casas dos parentes e amigos, nós estavamos ali, chorando a perda do nosso irmãozão Anderson. Percebi nos semblantes de pessoas de todas as idades que foram dar o Adeus a pergunta do "por que?", mas sem nenhuma resposta.

Ver uma mãe se despedir de um filho, machuca, é cortante, é a ordem inversa do que se espera na natureza. Mas a vida não tem cronograma definido. Nunca sabemos que momento chegaremos e muito menos quando retornaremos à Casa de Deus.

Para mim e em minhas lembranças vai ficar o nosso último encontro do meio da semana, numa agência bancária na correria do dia-a-dia. Ele, como sempre, veio com aquele grande sorriso e no meio de um grande abraço apertado, foi logo falando, "temos que fazer um churrasco no sábado para se preparar para o jogo do Brasil ou até mesmo no domingo para assistirmos o jogo, todos juntos."

Ficamos de combinar tudo até o final de semana, mas não deu tempo. A correria dele, junto com a sua família foi grande e quis o destino que justamente no sábado e no domingo acontecesse a partida do nosso amigo e irmão de todas as horas.

Juntos fizemos politica, ganhamos e perdemos eleição, juntos participamos de churrascos e festas de aniversários, juntos demos risadas e tiramos sarros dos nossos amigos e juntos, todos juntos dissemos adeus. "Anderson Monteiro Godoy, você não esta mais entre nós, quis o arquiteto do universo que você fosse para junto dele, onde estará cumprindo a ultima missão" e assim foi finalizada sua passagem pela terra, deixando as marcas de uma existência permanente no coração daqueles que o amam.

Certamente resumindo tudo que esta escrito acima, ficaram somente as lembranças e saudades, essas serão eternas, sua marca e seu jeito de ser ficará para sempre em nossas mentes e em nossos corações.

Como dizia o poeta Renato Russo:

"É tão estranho

Os bons morrem jovens

Assim parece ser

Quando me lembro de você

Que acabou indo embora

Cedo demais"

Vai com Deus ANDERSON MONTEIRO GODOY.

Tião Prado Jornalista e amigo do Anderson Monteiro

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