20/02/2017 06h20

Artigo: As Reformas e o desemprego

Por: Waldir Guerra

Divulgação: Dora Nunes
 
 

As tão propaladas reformas que ora o governo parece estar se dedicando de corpo e alma, talvez não sejam o problema mais difícil para ser resolvido. Que o Brasil precisa delas a gente sabe – somente os defensores do espólio do petismo finge que não – mas é bem provável que o problema maior sejaa criação de empregos.

O país já tem mais de 12 milhões de desempregados e o número não para de crescer. A economia, desde 2008, quando o sistema financeiro mundial deu uma desgovernada geral, aqui foi interpretada como uma "marolinha". O Brasil perdeu aquela oportunidade para se alavancar economicamente e nossos governantes adotaram erradamente o assistencialismo como meta primordial.

A reação dos governantes para amenizar a falta de empregos foi a de aumentar o número de cargos públicos. Ainda hoje os concursos para cargos públicos continua sendo o sonho de milhões de brasileiros – pudera, um emprego onde tem estabilidade garantida e tantas outras vantagens sobre um emprego comum, quem não quer?

A roubalheira promovida pelos políticos que agora estão sendo enquadrados pela Lava Jato apenas agravou um pouco mais o desequilíbrio nas administrações públicas, a causa maior mesmo foi o inchaço da máquina estatal. Tanto é verdade que somos um dos países que tem a carga tributária mais alto do mundo e mesmo assim não consegue arrecadar o suficiente para pagar suas despesas. Faltam recursos na saúde; para a segurança e nada sobra para melhorar a infraestrutura.

Hoje a maioria dos Estados brasileiros não consegue pagar suas despesas; alguns, nem mesmo os salários de seus funcionários. Na verdade estão literalmente quebrados. Nesta penúria quem estará brevemente será o Brasil se não fizer suas reformas rapidinho.

Está provado, então, que as administrações públicas não conseguirão empregar toda essa gama de brasileiros desempregados. Mas esperar somente da área econômica está ficando cada dia mais difícil, até porque, a automatização da mão de obra cresce a olhos vistos.

Dias atrás assisti um vídeo em que uma das modernas fábricas de automóveis da Mercedes Bens está construindo com uso de robôs, milhares de carros quase sem uso damão de obra humana. Coisa fantástica. Dê uma olhada no YouTube neste vídeo " https://youtu.be/jFjmuGeFRVI".

A Revista Forbes afirmaque a automação e a robótica serão os maiores criadores de emprego da história e é bem provável que a revista tenha razão; nesse caso precisamos apressar a educação das crianças, caso contrário perderemos o bonde novamente.

Para recuperar mais rapidamente a retomada dos empregos penso que a melhor maneira é retomar as obras na infraestrutura do país. Até onde o governo tenha capacidade que vá fundo nisso; onde ele não alcança que entregue à iniciativa privada, inclusive ao capital externo – pois ninguém vai nos roubar uma estrada, uma hidroelétrica, ou mesmo uma usina de tratamento do esgoto.

Isso mesmo, começar pela área do saneamento, por exemplo, estaríamos melhorando também rapidamente a saúde das pessoas e criando melhores condições de vida a milhões de brasileiros. – Na semana passada alguém (um cara inteligente, claro) sugeriu a dispensa de licenças ambientais públicas para obras de saneamento. Nota 10 para esse administrador; se conseguir será uma boa vitória para todos.

Enfim, que venham as necessárias reformas, mas pensemos também na questão do desemprego porque sua solução é tão urgente quanto as propaladas Reformas.

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (wguerra@terra.com.br)

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