13/10/2014 13h10

Leia a Coluna - As pesquisas e sua influência de Waldir Guerra *

O deputado Heinze afirmou que irá trabalhar para aprovar a PEC 215/2000 que transfere para o Legislativo a decisão sobre demarcações de terras indígenas

Divulgação (TP)
 
 

Quem diria, hein? As pesquisas de opinião que sempre foram uma estrela-guia para os marqueteiros políticos – e para todos nós eleitores também – como conseguiram nos dar um drible desconcertante desses?

Tudo bem que praticamente todos esses institutos e empresas acertaram nos índices da candidata à reeleição, a presidente Dilma, mas com o candidato Aécio Neves como conseguiram errar tanto? Pior, agora ainda querem se justificar.

Curiosamente aconteceu isso também em Mato Grosso do Sul. O candidato do PSDB, Reinaldo Azambuja, era apontado pelas pesquisas em terceiro lugar um mês antes da eleição. E apesar de nos últimos dias aparecer em segundo lugar desbancando Nelsinho Trad do posto, a diferença era grande frente ao candidato do PT, Delcídio do Amaral. Inclusive, dias antes da eleição, Delcídio era mostrado nas pesquisas com larga margem à frente. Mais, eleito no primeiro turno.

Urnas apuradas, o resultado mostrou um quase empate entre os dois. E agora as pesquisas mostram que o deputado Azambuja pode levar de barbada no segundo turno.

Pela importância que as pesquisas têm sobre os eleitores e o quanto isso pode influir na tomada de decisão na hora de votar é justo dizer que agora elas estão sob suspeitas.

Os maldosos afirmam que as pesquisas estavam a soldo da máquina do governo. Não creio, mas os faz pensar assim certamente por lembrarem as palavras da candidata Dilma que para vencer uma eleição “fazemos o diabo”. – O que pode até acontecer, mas as histórias que a gente sabe e a Bíblia ensina é que o diabo sempre acaba perdendo com suas maldades.

Confesso que já estava me conformando com a ideia de escolher entre Dilma e Marina. Inclusive, andava cabreiro com Marina por conta do seu radicalismo ecológico. Na verdade a tranquilidade veio nem tanto pela entrada de Aécio no lugar de Marina para o segundo turno, mas por ver após a apuração que a Frente Parlamentar da Agropecuária conseguiu eleger 273 congressistas – eram 205. Assim, aumentou no Congresso Nacional a força para aprovar o que falta para dar tranquilidade ao único segmento que segura as pontas da economia brasileira: os produtores rurais.

Afinal, o que precisa para essa tranquilidade?

Os produtores rurais querem acabar com as demarcações de terras para índios e quilombolas que hoje são determinadas exclusivamente por órgãos do Executivo. Querem que esse assunto seja discutido e decidido pelo Congresso Nacional.

Sinceramente, depois de tantas injustiças e aumento da intranquilidade dos produtores rurais, esta atitude precisa ter o apoio firme do Congresso Nacional. Felizmente essa garantia veio agora nas palavras de um dos líderes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal reeleito no Rio Grande do Sul como líder em votos (162.462) no Estado, Luiz Carlos Heinze.

O deputado Heinze afirmou que irá trabalhar para aprovar a PEC 215/2000 que transfere para o Legislativo a decisão sobre demarcações de terras indígenas.

Outro líder, deputado reeleito por Santa Catarina, Valdir Colatto, declarou que a bancada vai trabalhar com independência total e não acompanhará o Governo caso Aécio – ou mesmo a Dilma – se comprometa com Marina nesse assunto. Explico: Marina é contra aprovação da PEC 215/2000 e já manifestou isso em suas exigências para apoiar Aécio.

É justo dar tranquilidade aos produtores rurais, como também é justo tranquilizar os demais setores econômicos, especialmente o industrial, e para chegarmos a isso nem precisamos consultar pesquisas porque todos sabem e todos querem mudanças; e a escolha para fazê-las será feita neste segundo turno das eleições.

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. E-mail: wguerra@terra.com.br

Envie seu Comentário