13/04/2015 07h

O PMDB tomou conta do Governo - Waldir Guerra

Quem manda no país hoje é o PMDB. Ou alguém tem alguma dúvida disso?

Por: Tião Prado
 
 
* Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário de governo e deputado federal. Email wguerra@terra.com.br * Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário de governo e deputado federal. Email wguerra@terra.com.br

Quem quiser criticar que fique a vontade para isso, mas é justo reconhecer que o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, já tem seu grande mérito: ele recriou o equilíbrio nos três Poderes da República.

Nossa Constituição de 1988 foi preparada para termos um governo Parlamentarista, mas por um plebiscito posterior o povo optou pelo Presidencialismo e, por conta disso, o Poder Executivo passou a mandar e desmandar como bem entendeu.

Através do uso contínuo de Medidas Provisórias o Presidente da República passou também a legislar. O Congresso passou anos a fio correndo atrás da agenda do Executivo que pintou e bordou como quis. Agora, este atual Governo, não pinta mais e bordar, então, nem terá chances, porque o protagonismo está com o presidente da Câmara dos Deputados.

Quem manda no país hoje é o PMDB. Ou alguém tem alguma dúvida disso? Ainda mais agora que a presidente Dilma teve que entregar a articulação política ao seu Vice, Michel Temer, atual presidente do PMDB.

A presidente Dilma já estava acuada, pois perdera a confiança do presidente do Senado, Renan Calheiros, também do PMDB. Ele hoje anda muito irritado com todo Governo do PT. Foi ele que brecou o governo de Dilma já no inicio deste seu segundo mandato ao devolver-lhe a primeira Medida Provisório deste ano. Renan sentiu-se traído com a inclusão de seu nome na Operação Lava Jato – raposa velha e experiente, ele sentiu a mão de gato do Governo petista nisso e tratou de dar o troco rapidamente.

Com o presidente da Câmara dos Deputados, o peemedebista Eduardo Cunha, a coisa complicou desde o inicio. Ele se elegeu enfrentando um candidato do PT e hoje Cunha tem o apoio irrestrito de 350 deputados – número suficiente para aprovar o que bem entende e, inclusive, derrubar possíveis vetos do Executivo.

Eduardo Cunha já andava danado da vida com o Governo, mas quando percebeu o dedo do governo na inclusão de seu nome na lista dos envolvidos na Operação Lava Jato virou bicho. Partiu para o ataque aprovando tudo o que possa desgostar a presidente Dilma.

Para ser sucinto, somente na semana passada, Cunha aprovou a Lei que permite a terceirização do trabalho nas empresas brasileiras. Os governos petistas mantiveram na gaveta a tramitação desta Lei (4330) durante 11 anos. Cunha a aprovou – contra a vontade dos sindicatos e também do PT – numa semana.

Logo depois, ainda na semana passada, Eduardo Cunha aprovou uma emenda na MP (661) que autoriza o fim do sigilo nas operações do BNDES. O Governo havia conseguido travar a criação de uma CPI no Senado para investigar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O presidente da Câmara dos Deputados cravou uma Cunha (sic) implantando uma emenda que exporá ao público brasileiro os empréstimos a Cuba para construção de um porto e também aos países bolivarianos.

Pela força que demonstra ter, não será surpresa se Eduardo Cunha emplacar também as demais reformas necessárias. A Reforma Política já está no papo, até porque o PMDB vai apresentá-la através do Vice Michel Temer. A Fiscal poderia ser feita simplesmente reduzindo o número de ministérios para 20; simples assim.

O presidente da Câmara dos Deputados já tem o mérito de ter devolvido integralmente o Poder ao Legislativo e se os fios desencapados entre o Vice Michel Temer e Eduardo Cunha formarem uma corrente alternada, ainda neste ano o PMDB vira Poder Executivo.

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