Defesa de Bolsonaro apresenta novo recurso ao STF contra condenação por trama golpista

Bolsonaro recebeu pena de 27 anos e três meses de prisão

Ex-presidente começou a cumprir pena de 27 anos e três meses de prisão nesta semana.

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou embargos infringentes para tentar reverter a condenação no processo da trama golpista, mesmo após o trânsito em julgado declarado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

O ex-presidente começou a cumprir a pena de 27 anos e três meses de prisão na última terça-feira (25), quando Moraes considerou encerradas as possibilidades de recurso.

Ainda assim, os advogados protocolaram a nova contestação, buscando anular o processo ou, alternativamente, absolver Bolsonaro de todos os crimes pelos quais foi condenado.

No recurso, os advogados pedem que prevaleça o voto vencido do ministro Luiz Fux, o único a votar pela absolvição de Bolsonaro durante o julgamento do caso na Primeira Turma do STF.

Fux considerou nula toda a ação penal desde o recebimento da denúncia e votou para livrar Bolsonaro de todas as acusações.

“Diante da manifesta contrariedade com o direito e com as provas dos autos, a injusta condenação imposta a Jair Messias Bolsonaro, já reconhecida pelo eminente ministro Luiz Fux, deve ser submetida ao crivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal para que, ao final, seja reconhecida e declarada a sua inocência”, pede a defesa.

Cerceamento de defesa e “tsunami de dados”

Nos embargos, a defesa apresenta uma série de argumentos para sustentar a nulidade da ação penal.

Entre eles, afirma ter havido cerceamento de defesa devido à disponibilização tardia e desorganizada do grande volume de provas — chamado pelos advogados de “tsunami de dados” — sem tempo razoável para análise antes dos atos processuais. Esse ponto foi acolhido por Fux em seu voto divergente.

Defesa de Bolsonaro apresenta novo recurso ao STF contra condenação por trama golpista

A defesa também alega incompetência absoluta do STF para conduzir o caso, sustentando que, conforme a jurisprudência vigente à época dos fatos, Bolsonaro deveria ser julgado na primeira instância, já que não estava mais no exercício da Presidência.

Outro argumento é o de que a Primeira Turma do STF seria incompetente para julgar o processo, uma vez que, para crimes comuns atribuídos a presidentes da República, o julgamento cabe ao plenário do Supremo.

Os advogados ainda afirmam que houve erro judiciário quando Alexandre de Moraes declarou o trânsito em julgado enquanto, segundo a defesa, ainda estava em curso o prazo para apresentação dos embargos infringentes.

“A decisão que antecipou o trânsito em julgado da ação penal enquanto ainda transcorria prazo para a oposição de embargos infringentes — ainda que referendada pela 1ª Turma —, caracteriza-se como erro judiciário e deve ser revista”, dizem os advogados.

Pedido de absolvição de todos os crimes

Caso as preliminares não sejam acolhidas, a defesa pede a absolvição de Bolsonaro dos seguintes crimes:

  • Organização criminosa: os advogados argumentam que não houve descrição de uma série indeterminada de crimes, requisito para a configuração do delito, mas apenas o relato de um suposto planejamento de atos específicos.
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado: para esses crimes, sustentam que a lei exige violência ou grave ameaça, elementos que, segundo a defesa, não estão presentes nos fatos imputados, tidos como meros atos preparatórios, como discursos, ataques ao sistema eleitoral ou reuniões estratégicas.
  • Dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado: além da absolvição, pedem que seja aplicado, alternativamente, o princípio da consunção, com o argumento de que esses delitos teriam sido meios para os crimes mais graves previstos na denúncia.

Fonte: R7