25/10/2017 16h10

Artigo: Infraestrutura e a segurança alimentar

Por Edeon Vaz Ferreira, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Diretor Executivo do Movimento Pró Logística de Mato Grosso

Divulgação: Dora Nunes
 
 

O Brasil, diante das condições de solo e clima que dispõe, além do domínio sobre a tecnologia, é e será, um grande supridor de alimentos do mundo. Possuímos condições edafo-climáticas que, em boa parte da região produtora, permite cultivar duas safras ao ano sem a utilização de irrigação.

Temos em todo país campeões de produtividade: o arroz no Rio Grande do Sul, a cana em São Paulo, aves e suínos no Paraná e em Santa Catarina, soja, milho e algodão em Mato Grosso e na Bahia, pecuária bovina de corte em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul e frutas no Nordeste e em vários estados.

Mas, existe um grande problema que aflige o setor produtivo: a logística. O Brasil transporta 65% de sua safra pelo modal rodoviário, isto é inimaginável em se tratando de commodities (soja e milho). Nenhum país do mundo faz isso. A responsabilidade de países que possuem estas condições aumenta, como é o caso do Brasil, Estados Unidos, Argentina, Paraguai e outros que também são responsáveis pelo abastecimento mundial.

Somente a Argentina transporta 84% de suas safras pelo modal rodoviário, mas a distância média de suas lavouras aos portos é de 300 quilômetros, enquanto no Brasil é superior a 1.000 quilômetros.

O Mato Grosso é o maior produtor nacional de soja e milho, considerando a cidade de Sorriso, que representa o maior município produtor do Brasil, até o porto de Santos, que são 2.250 quilômetros, com custo médio de fretes da safra de 79 dólares por tonelada. Para o transporte de soja, produto que no porto tem o valor aproximado de 400 dólares, embora seja muito alto, ainda viabiliza. No entanto, no caso do milho, cujo valor no porto é entorno de 200 dólares, fica totalmente inviabilizada a sua exportação. Diante deste problema, incentivamos o escoamento pelo Arco Norte, portos localizados na bacia Amazônica, Maranhão e Bahia. Na bacia Amazônica, os portos de Itacoatiara (AM), Santarém (PA), Santana (AP) e Vila do Conde-Barcarena (PA); no Maranhão – Ponta da Madeira e Itaqui – TEGRAM, na Bahia – Terminal de Cotegipe – Aratú.

A utilização do Arco Norte propicia uma redução média de 34% nos custos dos fretes em relação à logística para Santos, beneficiando a região produtora ao norte do Paralelo 16. Estes portos possuem hoje uma capacidade de embarque de 40 milhões de toneladas e projeta-se para 2025 uma capacidade de 72 milhões de toneladas. Em 2009, foram escoados por estes portos (os existentes na época), 3,5 milhões de toneladas. Nesta safra 2016/2017 estimamos 26 milhões de toneladas.

Embora existam gargalos para acesso às estações de transbordo de cargas (quando se retira dos caminhões e carregam as barcaças) – BR 163 no Pará, e aos portos, BR 135 e 222 em São Luiz do Maranhão e BR 242 na Bahia, ainda assim, o crescimento estimado de saída pelos portos do Arco Norte é de 5 milhões de toneladas ao ano.

O Brasil precisa focar seus investimentos em ferrovias e hidrovias, assegurando recursos para a manutenção e pavimentação de suas rodovias.

Sem dúvida, o setor produtivo necessita de infraestrutura de logística que permita escoar sua produção por valores competitivos para que ele possa ter rentabilidade em sua atividade de produção e, assim, garantir a segurança alimentar do Brasil e do mundo.

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